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Lado Rural

Revestimento com óleo de mamona faz fertilizante render mais e poluir menos

Experimentos mostraram que fertilizante revestido libera nutrientes de forma gradual e mais eficiente

Por José Cândido | 12/05/2026 17:57
Revestimento com óleo de mamona faz fertilizante render mais e poluir menos
Revestimento à base de polímero derivado de óleo de mamona e argila mineral que é capaz de liberar de forma controlada a ureia.Foto: Pedro Octávio

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros pode ajudar a reduzir desperdícios, aumentar a produtividade no campo e ainda diminuir impactos ambientais provocados pelo uso excessivo de fertilizantes. Cientistas da Embrapa, em parceria com universidades paulistas, criaram um revestimento biodegradável à base de óleo de mamona e argila mineral capaz de controlar a liberação da ureia no solo, fazendo com que o nutriente seja absorvido de forma mais eficiente pelas plantas.

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Pesquisadores da Embrapa criaram um revestimento biodegradável à base de óleo de mamona e nanoargila mineral que controla a liberação de ureia no solo. Nos testes, a tecnologia reduziu a liberação de nitrogênio de 85% em quatro horas para apenas 22% em nove dias, aumentando a absorção pelas plantas e a produção de biomassa. A inovação pode reduzir desperdícios, emissões de gases de efeito estufa e a dependência brasileira de fertilizantes importados, que representa 85% do consumo nacional.

Os testes foram realizados com capim-piatã em casa de vegetação e apontaram resultados considerados promissores pelos pesquisadores. O fertilizante revestido aumentou a absorção de nitrogênio pelas plantas e elevou a produção de biomassa em comparação à ureia tradicional, usada atualmente em larga escala na agricultura brasileira.

A inovação utiliza um polímero derivado do óleo de mamona combinado com pequenas quantidades de nanoargila mineral chamada montmorilonita. O diferencial está justamente nessa composição nanométrica, que cria uma espécie de “barreira inteligente” ao redor dos grânulos da ureia. Isso faz com que o nitrogênio seja liberado lentamente, acompanhando o ritmo de absorção das plantas e evitando perdas no ambiente.

Nos testes laboratoriais, a ureia convencional liberou mais de 85% do nitrogênio em apenas quatro horas. Já a ureia revestida apenas com o polímero de mamona reduziu essa velocidade, atingindo cerca de 70% em nove dias. Quando os pesquisadores adicionaram apenas 5% de nanoargila ao revestimento, o resultado foi ainda mais expressivo: somente 22% do nitrogênio foi liberado no mesmo período.

Segundo os pesquisadores, além de funcionar como uma barreira física contra a passagem da água, a nanoargila também interage quimicamente com o nitrogênio, segurando o nutriente por mais tempo e reduzindo desperdícios no solo. A tecnologia pode ajudar a combater problemas comuns da agricultura, como a volatilização da amônia e a emissão de óxido nitroso, um dos gases associados ao efeito estufa.

A pesquisa ganha relevância em um momento em que o Brasil ainda depende fortemente da importação de fertilizantes. Atualmente, mais de 85% dos fertilizantes utilizados no país vêm do exterior, o que torna o setor vulnerável às oscilações do mercado internacional. Para os pesquisadores, o desenvolvimento de tecnologias nacionais mais eficientes pode reduzir custos, ampliar a sustentabilidade da produção agrícola e fortalecer a segurança alimentar brasileira.

Os experimentos também mostraram impacto direto na produtividade. Durante 135 dias de acompanhamento, as plantas adubadas com o fertilizante de liberação controlada apresentaram maior produção de massa seca e absorveram até o dobro de nitrogênio em relação às plantas fertilizadas com ureia comum.

Para os pesquisadores, a tecnologia abre caminho para uma nova geração de fertilizantes mais sustentáveis e inteligentes, capazes de unir produtividade agrícola, redução de desperdício e menor impacto ambiental.