Pantanal é rota de mais de 630 aves migratórias, diz secretário de Meio Ambiente
No 1º dia da COP15, Jaime Verruck afirma que o bioma é área de transição e isso o torna mais “relevante”

Mais de 630 espécies de aves passam pelo Pantanal em suas rotas migratórias, o que torna o bioma ainda mais relevante e reforça a necessidade de conservação, explica o secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jaime Verruck, na manhã desta segunda-feira (23), no primeiro dia oficial da COP15 (15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias), que ocorre na Capital.
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O Pantanal é rota migratória para mais de 630 espécies de aves, conforme estudo realizado pela Embrapa em parceria com o governo estadual. A informação foi divulgada pelo secretário da Semadesc, Jaime Verruck, durante a COP15, conferência sobre espécies migratórias que acontece em Campo Grande. O bioma enfrenta desafios relacionados às mudanças climáticas, apresentando o maior aumento de temperatura média entre todos os biomas brasileiros. A preservação das cabeceiras dos rios e o monitoramento sanitário das aves são prioridades para a conservação do Pantanal e manutenção de seu ciclo natural.
De acordo com Verruck, esse dado foi identificado em estudo feito de forma conjunta com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e que ainda será publicado. Esse dado, segundo ele, destaca a importância do Pantanal como área de transição para aves migratórias.
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“Uma das questões importantes que nós estamos trazendo para cá é a relevância do Pantanal enquanto área de transição, do ponto de vista da migração, principalmente de aves”, explica. “Então veja a relevância de olhar a preservação do Pantanal e o quanto isso significa em termos de rota migratória”, disse Verruck.

Outro ponto apresentado pelo Estado na COP é o monitoramento de aves migratórias, especialmente por causa de riscos sanitários, como a gripe aviária. “Óbvio que as aves migratórias têm um risco sanitário altamente envolvido. Tanto que nós temos um sistema de monitoramento de aves, principalmente a questão da gripe aviária. Então nós temos os sentinelas no Pantanal e a gente verifica se ali não tem algum risco”, explicou.
Ele aponta que, ciente dessa rota migratória, com tantas espécies, melhorias de infraestrutura na região pantaneira também precisaram passar por adaptações. O secretário menciona o projeto Ilumina Pantanal como exemplo, que levou energia solar a regiões isoladas do bioma. Segundo ele, a decisão de não instalar redes elétricas convencionais levou em conta impactos ambientais. “Uma das grandes questões que nós tínhamos é que não podia fazer rede de energia, porque as redes iriam comprometer, inclusive, as aves migratórias e poderia ter, além disso, o problema de incêndio”, afirmou.
Verruck também demonstrou preocupação com os impactos das mudanças climáticas sobre o Pantanal, especialmente em relação ao aumento das temperaturas e às alterações no regime de cheias. “O Pantanal é o que teve o maior aquecimento do ponto de vista de média de temperatura, praticamente de todos os biomas. A grande preocupação que nós temos hoje é preservar as cabeceiras, porque o volume de água que vai ao Pantanal não é originado no Pantanal, ele vem todo de fora”, afirmou.
Segundo ele, a preservação das cabeceiras e dos rios que abastecem o bioma é fundamental para manter o ciclo de inundações. “Hoje o nosso grande foco, nós temos um programa Prosolo, temos o programa do Taquari, é exatamente para preservar esses rios e o volume de água que chega ao Pantanal. São ações mitigadoras para que a gente, no futuro, consiga manter os fluxos de inundação”, disse o titular da Semadesc.
Mundo de olho em MS — Segundo o titular da Semadesc, a escolha de Mato Grosso do Sul para sediar o evento está relacionada a ações ambientais que o Estado já vinha desenvolvendo e apresentando em outras conferências. “Quando a gente se habilitou, quer dizer, a gente concorreu para trazer essa COP para cá, foi um pouco exatamente daquilo que nós vínhamos desenvolvendo nas outras COPs”, afirmou.
Além da questão ambiental, Mato Grosso do Sul também apresentou programas estaduais voltados à redução de emissões e à conservação ambiental, como o Carbono Neutro e o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) do Pantanal, que prevê pagamento por serviços ambientais a produtores rurais. “É um programa inovador no Brasil, em que a gente está fazendo o pagamento ao produtor para que ele não desmate. A gente compra esse direito dele através do pagamento por serviços ambientais”, disse.
Sobre o legado da conferência, Verruck afirmou que a COP deve deixar como principal resultado a ampliação da cooperação internacional, principalmente para prevenção e combate a incêndios florestais. “Boa parte dos nossos incêndios florestais, por exemplo, do Pantanal, vem da Bolívia. Então nós temos uma cooperação agora com a Bolívia para combate inicial. Essa integração dos corredores ecológicos é fundamental”, afirmou.
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