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Depois da cirurgia nada de dó, coração de “gelo” pode salvar pet

Pós-operatório exige pulso firme, e o cuidado em casa é o que define a recuperação do seu bichinho

Por Natália Olliver | 25/03/2026 06:40
Depois da cirurgia nada de dó, coração de “gelo” pode salvar pet
Nada de dó, coração de “gelo” pode salvar seu pet: deixe ele com roupa pós-cirúrgica (Foto: Natália Olliver)

Quando cães e gatos precisam passar por alguma operação, seja grande ou pequena, o que não falta são dúvidas. Depois do medo e do susto, o tutor respira aliviado, mas mal sabe que a verdadeira cirurgia começa mesmo é no portão de casa. Nessa hora, é preciso ter um coração de gelo, porque é isso que pode salvar o amigo de quatro patas. Para ajudar nessa jornada de como cuidar do bichinho nesse momento delicado, o Lado B falou com o médico-veterinário Antônio Defanti Júnior.

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O pós-operatório de animais de estimação requer atenção especial e disciplina dos tutores, conforme alerta o médico-veterinário Antônio Defanti Júnior. O sucesso da cirurgia depende tanto do procedimento quanto dos cuidados em casa, sendo essencial manter o uso do colar elisabetano e garantir repouso absoluto. Entre os principais cuidados estão a alimentação controlada, administração correta de medicamentos e limpeza adequada do ferimento. O veterinário alerta para erros comuns, como suspender medicações antes do prazo ou permitir que o animal lamba os pontos, o que pode resultar em complicações graves e necessidade de nova intervenção cirúrgica.

Para ele, pulso firme para não ceder aos olhares de dó e acabar atrapalhando a recuperação é o segredo de tudo. “O sucesso da cirurgia depende 50% do cirurgião e 50% do que acontece na sua casa. Cuidar de um animal no pós-operatório exige paciência e uma dose de ‘coração de gelo’”.

Logo após o procedimento, o chamado pós-operatório imediato exige atenção redobrada. O animal deve ficar em um local limpo, seco e sem móveis onde ele possa tentar pular, como sofás e camas. O repouso deve ser absoluto, orienta Antônio. É nesse período que qualquer esforço pode comprometer pontos e abrir caminho para complicações.

Ele ressalta que o maior vilão dos retornos emergenciais não é uma falha técnica, mas a língua do próprio animal, a famosa abertura dos pontos que pode acontecer em um piscar de olhos. Por isso, o uso do colar elisabetano, o “cone”, ou da roupa cirúrgica não é opcional. Outro equívoco frequente é humanizar a situação. “Achar que o animal está ‘triste’ por causa do cone e tirá-lo. O animal não se sente humilhado pelo cone; ele apenas estranha o acessório”, pontua.

Ou seja, mesmo que o animal estranhe ou tente tirar o acessório, a proteção não deve ser retirada. Essa é a segunda regra.

“Quando o tutor deixa o animal lamber, a saliva, cheia de bactérias, contamina o corte e os dentes arrancam o fio. O veterinário precisa anestesiar o animal novamente, limpar as bordas da ferida que já estão inflamadas e suturar tudo de novo. É mais caro, mais arriscado e dói mais no animal”.

Depois da cirurgia nada de dó, coração de “gelo” pode salvar pet
Pós-operatório exige pulso firme e o cuidado em casa é o que define a recuperação do seu bichinho(Foto: Natália Olliver)

A alimentação também é outro ponto que exige um coração de gelo. É necessário oferecer comida em pequenas quantidades. A anestesia pode causar náuseas, e comer muito rápido pode levar ao vômito. A ansiedade do tutor em mimar o pet pode acabar fazendo mais mal do que bem.

Na hora da medicação, o desafio também aparece, principalmente com gatos. A estratégia varia. Para cães, que geralmente aceitam o comprimido, a técnica é esconder em um pedaço de alimento úmido, banana ou um petisco ideal. Se precisar dar direto na boca, abra a mandíbula, coloque o remédio bem no fundo da língua, perto da garganta, feche a boca e massageie o pescoço até ele lamber o nariz, explica Antônio.

Já com os felinos, o processo costuma ser mais delicado. “Para gatos: são mais difíceis. Use a técnica do ‘pacotinho’. Envolva o gato em uma toalha para imobilizar as patas. Use um aplicador de comprimidos ou coloque o remédio pelo canto da boca. Se for líquido, injete devagar pela lateral, atrás das presas, para evitar que ele engasgue”, orienta.

Entre os erros mais comuns dos tutores, Antônio destaca atitudes que parecem inofensivas, mas colocam a recuperação em risco, como suspender a medicação antes do prazo. “Ele já parece bem, vou parar o antibiótico. Isso cria resistência bacteriana e pode causar uma infecção interna silenciosa”, alerta o veterinário.

Depois da cirurgia nada de dó, coração de “gelo” pode salvar pet
Roupa pós-cirúrgica pode salvar pets após procedimentos delicados (Foto: Natália Olliver)

Na hora da limpeza do ferimento, o excesso também prejudica. “Usar produtos fortes, como álcool e iodo puro, pode queimar o tecido cicatricial. O ideal costuma ser apenas soro fisiológico e gaze, conforme orientação do veterinário”.

Em cirurgias abdominais, o risco pode ser ainda mais grave. “As hérnias incisionais também podem ocorrer em cirurgias abdominais, como castração de fêmeas. Se o animal pula ou corre, a musculatura interna pode abrir enquanto a pele parece fechada. Isso faz com que órgãos internos saiam para debaixo da pele, exigindo uma nova cirurgia de emergência”, detalha.

Por isso, observar sinais simples pode fazer toda a diferença. "Atente-se à cor da gengiva e ao estado de alerta do seu pet. Se ele estiver muito prostrado, não comer nada por mais de 24 horas ou se o local do corte estiver com cheiro forte ou secreção escura, ligue para o médico veterinário imediatamente", orienta.

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