A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019

26/08/2019 18:00

Projeto muda forma de corrigir provas de surdos em concursos

As provas de redação e dissertativa dos surdos serão corrigidas por profissionais de Libras

Leonardo Rocha
Candidatos podem ter correções diferentes (Foto: Divulgação/Agência Brasil)Candidatos podem ter correções diferentes (Foto: Divulgação/Agência Brasil)

O projeto apresentado na Assembleia muda a forma de corrigir as provas de candidatos surdos, nos concursos públicos e vestibulares, no Mato Grosso do Sul. Estas avaliações terão que ser analisadas por profissionais de Libras (Língua Brasileira de Sinais).

O autor da proposta, Neno Razuk (PTB), explica que estas correções por profissionais de Libras serão para as provas dissertativas ou redações. A intenção é que estes candidatos sejam bem compreendidos e não fiquem prejudicados porque os avaliadores não entenderam o que eles responderam nas questões.

“Ao garantir aos candidatos surdos, em provas que haja a necessidade de escrita, o direito à correção por pessoa capacitada, é assegurada a igualdade estabelecida na Constituição Federal”, disse o parlamentar.

Para ter acesso a esta mudança, o candidato surdo deve informar no ato da inscrição (concurso e vestibular) em qual das línguas do Brasil ele é alfabetizado, cabendo depois a organização do certame disponibilizar esta opção no formulário.

O projeto segue para as comissões da Assembleia, para depois ser votado em plenário pelos deputados. Se for aprovado, ainda passa pelo crivo do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que pode vetar ou sancionar a matéria.



Com isso, eles passam a se tornar fluentes e precisos na leitura e na escrita do Português, e a ter acesso às oportunidades de estudo e de trabalho que almejam livremente, conforme seus interesses e dons e inclinações. Se esse projeto vier a ser aprovado, seria muito oportuno aprovar um projeto paralelo de criação de escolas bilíngues (tanto na capital quanto em diferentes pontos da região metropolitana, e no interior do estado) para acesso a Libras dos 18 meses até o fim do ensino fundamental, para treinamento dos professores e para fornecimento a essas escolas do que existe de melhor para o alunado surdo. Espero ter ajudado. Obrigado. (F.Capovilla)
 
Fernando Capovilla em 30/08/2019 10:57:30
3. Precisamos criar escolas verdadeiramente bilíngues de qualidade que garantam o acesso precoce à imersão dos 95% dos surdos que nascem de país ouvintes em comunidades escolares linguísticas sinalizadoras, e nessas escolas fornecer aos nossos preciosos alunos surdos e aos seus professores os mesmos recursos de primeiro mundo para alfabetização que os alunos surdos norte-americanos têm na Gallaudet University e outros (como Cued Speech, Visual Phonics, etc). Nossos surdos merecem receber todos os recursos educacionais de primeiro mundo para que a filosofia educacional do Bilinguismo seja plenamente implementada. Com isso, eles passam a se tornar fluentes e precisos na leitura e na escrita do Português, e a ter acesso às oportunidades de estudo e de trabalho que almejam livremente,
 
Fernando Capovilla em 30/08/2019 10:56:38
Em suma: 1. Esse projeto deve ser visto apenas como política compensatória social emergencial. Neste sentido, pode ser importante como política de affirmative action (Neste caso, todos os surdos aprovados e todos os que prestam concurso deveriam receber oportunidades de treinamento fornecido por programas municipais e estaduais, uma vez que manifestam claramente seu desejo de estudar e trabalhar e merecem todo o apoio), 2. Para não envolver riscos a terceiros o projeto deve especificar que baixa precisão é fluência no português escrito não comprometem o exercício da função à qual concorre o candidato, para que ele não venha a ser exposto a risco, nem terceiros,3. Precisamos criar escolas verdadeiramente bilíngues de qualidade que garantam o acesso precoce à imersão (continua)
 
Fernando Capovilla em 30/08/2019 10:51:41
É importantíssimo ao surdo congênito ser plenamente fluente em Libras para que possa usar Libras como metalinguagem para ser alfabetizado. Contudo, ser alfabetizado é aprender a ler e a escrever Português. (Nota: se os surdos usarem sistemas de escrita em sinais como SignWriting, então eles passam a escrever diretamente em sinais e ler diretamente em sinais. Isso é interessantíssimo, e produz forte desenvolvimento cognitivo e linguístico do surdo, mas não se trata da alfabetização que prega a filosofia do Bilinguismo em todo o mundo ocidental. SignWriting é mais uma ferramenta de educação e desenvolvimento cognitivo e linguístico de surdos, mas não substitui de jeito nenhum a leitura e a escrita alfabéticas. Pelo menos, é o que a filosofia do Bilinguismo prega, e eu concordo com ela.)
 
Fernando Capovilla em 30/08/2019 10:50:32
É preciso acrescentar, ainda, que, no caso de seleção para serviço público, essa política pode também expor a risco o concursado e o público que ele atenderá, caso leitura e escrita competentes sejam imprescindíveis ao exercício da função. Se fluência e precisão na compreensão do português escrito forem essenciais ao exercício da função à qual o candidato está concorrendo, uma lei assim poderia criar uma situação de risco para os dois lados. Por fim, é preciso dizer que não existe "alfabetizar em Libras", mas, sim, alfabetizar (que é sempre ensinar a ler e escrever num sistema alfabético em que as unidades de escrita ou grafemas representam unidades da fala, e não do sinal, recebidas por audição ou visão ou tato ou combinações entre esses) usando Libras como metalinguagem.(continua)
 
Fernando Capovilla em 30/08/2019 10:50:01
Se avaliadores não proficientes em Libras não são capazes de compreender o que o surdo escreve, isso significa que a educação que esses alunos receberam não foi uma educação bilíngue de qualidade. Neste sentido, essa política é apenas uma política compensatória (para compensar uma injustiça social, a da educação não ter sido bilíngue e eficaz) que não resolve o problema da educação, e que corre o risco de reconhecer como aceitável o fracasso do sistema em propiciar ao aluno surdo o que ele merece e necessita: uma educação verdadeiramente bilíngue de qualidade. É preciso acrescentar, ainda, que, no caso de seleção para serviço público, essa política pode também expor a risco o concursado e o público que ele atenderá, caso leitura e escrita competentes sejam imprescindíveis (Continua)
 
Fernando Capovilla em 30/08/2019 10:47:51
Com todo o respeito e carinho, preciso dizer que não estou bem certo de que esse projeto seja totalmente correto, assim como foi brevemente descrito aqui. Ele não parece ser muito coerente com a filosofia educacional de surdos mais aceita no mundo, que e a do Bilinguismo. Certamente, o projeto deve ser bem melhor do que foi descrito brevemente na matéria. A aprovação de um projeto assim significaria que o sistema escolar teria falhado com esses cidadãos surdos, e que eles não teriam recebido uma educação bilíngue de qualidade. Segundo a filosofia educacional do Bilinguismo, precisamos propiciar ao surdo que seja proficiente não apenas em Libras como, também, em Português escrito (leitura e escrita precisas e fluentes). (Continua)
 
Fernando Capovilla em 30/08/2019 10:46:27
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions