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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

02/05/2014 10:21

Precursor na soja, ele rodou o mundo e marcou economia de MS

Aline dos Santos
Aldayr esteve à frente de várias iniciativas para desenvolver o mercado do grão. (Foto: Kleber Clajus)Aldayr esteve à frente de várias iniciativas para desenvolver o mercado do grão. (Foto: Kleber Clajus)

O livro “Soja no Brasil e no Mundo – Memórias, palestras, comentários e histórias vividas”, que será lançado domingo durante a Expogrande, é o relato de um homem que vive para contar. Aos 79 anos e com a firme disposição de passar dos cem, Aldayr Heberle esteve à frente de várias iniciativas para desenvolver o mercado do grão mais importante para a economia brasileira. Para tanto, viajou pelos quatro cantos.

Em 1962, foi precursor ao fazer a primeira exportação de soja a granel do Brasil para a Europa. Em vez de soja ensacada, a carga de cinco mil toneladas foi acondicionada diretamente nos porões. No livro, está a prova de que o caminho para melhorar a logística, grande gargalo da economia do país, é tortuoso.

Na primeira viagem, os porões do navio Birgite Basse tiveram que ser forrados com a madeira. Foi preciso provar que os americanos exportavam desta forma havia muito tempo e que o contato da soja com as chapas do navio não danificavam os grãos. “A partir daí conseguimos fazer nossas exportações sem problemas físicos, somente cambiais e burocráticos”, afirma o autor.

Em 158 páginas, o livro tem narração em ritmo telegráfico, resquícios dos tempos em que a comunicação era por telegramas, informa Heberle. Mas entre números e dados técnicos, há pinceladas de passagens pessoais, como uma paixão na Coréia.

Em 1969, foi aos Estados Unidos, país de onde saiu o pastor luterano que apresentou a soja ao Rio Grande do Sul. “Aprendi muito viajando. Sempre fui observador do que se passa na economia do mundo. Fui aos Estados Unidos aprender como eles decidiam o que plantar, o que plantavam, como transportavam para os portos, como armazenava nos silos portuários e como comercializam”, conta, em entrevista ao Campo Grande News.

Em tempos em que a produção olhava para trás, ele fez da curiosidade a alavanca para o planejamento. Agora, seria tempo de vislumbrar o mercado futuro. Proprietário de uma corretora de grãos e farelos, Aldayr passou duas semanas no Japão para aprender toda a destinação que a soja tinha na “Terra do Sol Nascente”.

À procura de novidades e mercados, conheceu do Uruguai ao Alasca; da Finlândia à Croácia; além de Malásia, Tailândia, Índia e China. “O Brasil tem a melhor soja do mundo. É a qualidade de semente, com variedades novas, correção do solo, regime de chuvas”, afirma.

Homem ideal – Morando em Buenos Aires (Argentina), Aldayr recebeu o convite do então governador Pedro Pedrossian para assumir a Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio. “Antigos clientes meu falaram que seria o homem ideal para o cargo e acabei aceitando o novo desafio”, diz. Em março de 1991, assumiu a pasta. “Era para ficar quatro anos, mas acabei ficando 22 anos”, relata.

No turismo, conta que os dois cartões-postais do Estado eram paraísos perdidos. “Bonito e Pantanal eram absolutamente desconhecidos”. Para pôr as maravilhas no mapa, a estratégia foi simples. O governo convidou especialistas em espeleologia (estudo de cavernas) para conhecer Bonito. O poder público custeou o transporte, enquanto os moradores disponibilizaram casa, comida e gentileza aos visitantes. “Eles convidaram colegas franceses, que divulgaram Bonito na Europa”, recorda.

Com satisfação, conta que o novilho precoce, programa que reduz o tempo de abate dos bovinos, surgiu em meio a um churrasco. A festa tinha boa companhia, mas não podia se dizer o mesmo do cardápio “Estávamos eu e o secretário de Agricultura e Pecuária, José Américo do Amaral, que era gaúcho de Santo Ângelo, comendo churrasco, como sempre. Mas a carne era magra e dura. Daí, nasceu o programa novilho precoce”, diz.

Em parceria com a Embrapa, foram desenvolvidas braquiárias para que o abate reduzisse de seis anos para 30 meses. “Também criamos o Conselho de Desenvolvimento Industrial, com incentivos fiscais”, rememora.

Gaúcho de Ijuí, Aldayr foi alfabetizados aos cinco anos pelo avô. Aos nove anos, assumiu o balcão do armazém do pai. Por vontade da mãe, foi prosseguir os estudos em Santa Rosa. Lá, o tio decidiu lhe pagar aulas de inglês e matemática. Fornecendo, assim, as disciplinas que seriam essenciais para o adolescente que iria rodar o mundo.



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