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Saúde e Bem-Estar

Fertilização in vitro avança em MS e congelamento de embriões cresce 82%

Mulheres acima dos 35 anos lideram busca por preservação da fertilidade e gravidez planejada

Por José Cândido | 08/05/2026 16:20
Fertilização in vitro avança em MS e congelamento de embriões cresce 82%
Número de embriões congelados saltou de 799 para 1.456 entre 2020 e 2025 em Mato Grosso do Sul (Imagem Cyou Films)

O número de embriões congelados em Mato Grosso do Sul disparou nos últimos cinco anos e revela uma mudança silenciosa — mas profunda — na forma como mulheres e casais lidam com a maternidade. Dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostram que o Estado registrou crescimento de 82% no armazenamento de embriões entre 2020 e 2025.

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O número de embriões congelados em Mato Grosso do Sul cresceu 82% entre 2020 e 2025, passando de 799 para 1.456, segundo dados da Anvisa. O aumento reflete a busca crescente por reprodução assistida, especialmente entre mulheres acima dos 35 anos que adiam a maternidade. Especialistas destacam que o principal desafio é ampliar o acesso aos tratamentos, ainda inacessíveis para grande parte das famílias brasileiras devido ao alto custo.

Segundo o SisEmbrio (Sistema Nacional de Produção de Embriões), o volume saltou de 799 embriões congelados para 1.456 no período. O aumento acompanha uma tendência nacional de expansão da reprodução assistida, impulsionada principalmente por mulheres acima dos 35 anos que decidem adiar a gravidez sem abrir mão da possibilidade de ter filhos no futuro.

Mais do que um recurso para casos de infertilidade, a fertilização in vitro passou a integrar o planejamento de vida de milhares de brasileiras. Carreira, estabilidade financeira, relacionamentos tardios e questões de saúde estão entre os fatores que levam mulheres a buscar a preservação da fertilidade.

O avanço também acompanha a consolidação da medicina reprodutiva no Brasil. Atualmente, o país concentra cerca de 40% dos centros de reprodução assistida da América Latina e acumula aproximadamente 83 mil nascimentos por técnicas como a fertilização in vitro ao longo dos últimos 25 anos.

Para o médico especialista em reprodução humana, João Guilherme Grassi, integrante da equipe do pioneiro da fertilização in vitro no Paraná, Karam Abou Saab, a técnica deixou de ser algo raro ou distante da realidade da população.

“Quando falamos em milhões de nascimentos no mundo e dezenas de milhares no Brasil, estamos diante de uma tecnologia incorporada à prática médica. Isso muda a forma como a sociedade enxerga a infertilidade e exige que o sistema de saúde passe a tratar a reprodução assistida como parte da assistência reprodutiva”, afirma.

A mudança não aparece apenas nos números. Ela também pode ser vista em histórias como a da farmacêutica Miriam Prado, que encontrou na fertilização in vitro a possibilidade de realizar o sonho da maternidade mesmo convivendo com lúpus — doença autoimune que pode comprometer a fertilidade e tornar a gestação mais delicada.

Miriam passou por duas etapas de tratamento até conseguir engravidar. Na primeira tentativa, apesar da implantação dos embriões, sofreu um aborto espontâneo. Depois de ajustes médicos e acompanhamento especializado, voltou ao tratamento.

“Desde o primeiro atendimento da segunda tentativa, comecei as injeções hormonais e ajustamos também o tratamento do lúpus. Em menos de um ano consegui engravidar”, conta.

Ao todo, cinco embriões foram produzidos durante o processo. Dois foram implantados na primeira tentativa. Outros dois na segunda. Foi então que nasceu Maria Vitória. Um ano e meio depois, o último embrião congelado foi utilizado e deu origem ao nascimento de José Henrique.

“Tive a bênção de ter dois filhos pela fertilização in vitro”, relata.

Embora a tecnologia avance e o número de procedimentos cresça, especialistas apontam que o principal desafio ainda é o acesso. O custo elevado dos tratamentos faz com que a reprodução assistida permaneça distante da maioria das famílias brasileiras.

Para Grassi, o próximo passo da medicina reprodutiva será justamente ampliar o acesso por meio das políticas públicas de saúde.

“O grande desafio agora é integrar esses serviços às políticas públicas, garantindo que mais mulheres e casais tenham acesso ao tratamento independentemente da condição financeira”, defende.