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Capital

Ao som de "otário é otário", sequestrador ostentou dinheiro nas redes sociais

João Victor morreu após confronto com policiais no Betaville

Por Dayene Paz | 20/09/2021 15:13
João Victor ostentando dinheiro de resgate. (Foto: Direto das Ruas)
João Victor ostentando dinheiro de resgate. (Foto: Direto das Ruas)

Ao som de "O 33 patrocina", número que faz menção ao tráfico de drogas no Código Penal e ao PCC (Primeiro Comando da Capital), João Victor Rodrigues da Silva, de 20 anos, que morreu após confronto com a polícia no final da manhã desta segunda-feira (20), chegou a postar imagens ostentando o dinheiro, pago do resgate de uma mulher de 50 anos, após sequestro na noite de sábado (18), em Campo Grande.

Informações apuradas pela reportagem do Campo Grande News são de que João postou as imagens nas redes sociais. Na música, que acompanha os "stories", ele faz ostentação ao tráfico de drogas. "Bandido é bandido. Otário é otário (...). O 33 patrocina então pode vim sem medo. Senta pros trafica, pros campana e os fogueteiro", diz um trecho da música.

Para a reportagem, a vítima do sequestro afirmou que reconhece o suspeito, porém, o relógio não seria o roubado dela na noite de sábado.

João Victor, fichado desde os 14 anos, morreu no final da manhã desta segunda-feira, na Rua Daniela Perez, Residencial Betaville, após trocar tiros com policiais do Batalhão de Choque e do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros).

Outro rapaz também acabou preso na ocorrência. Identificado apenas como Rafael, ele levou o comparsa, João Victor, até a residência de parentes. Os dois teriam se escondido por lá hoje pela manhã, mas segundo familiares, quem vive na casa havia saído para trabalhar e nem sabia que a dupla estava por lá. Uma arma foi apreendida nesta manhã.

O caso - A moradora do Bairro Itanhangá Park foi mantida em refém por cerca de 40 minutos na noite de sábado (18), em Campo Grande. Claudinei dos Santos de Oliveira, de 29 anos, foi preso pelo crime e João Victor estava sendo procurado pela polícia.

Claudinei detalhou que conheceu há pouco mais de 1 mês João Victor, os dois são dependentes químicos e faziam o uso de drogas juntos. No sábado, relatou, a caminho de festa na casa do avô de João Victor, tiveram a ideia de levantar dinheiro, praticando roubo. Os dois seguiam em um Fiat Uno, de cor azul, que pertence à ex-mulher de Claudinei. Segundo ele, a mulher não sabia que ele havia pegado o carro dela.

Os dois, então, passaram a percorrer as ruas da cidade caçando vítimas, quando avistaram mãe e filha em uma padaria. Elas foram seguidas e abordadas assim que entraram na garagem de casa, no Bairro Itanhangá Park. Dentro do imóvel, o empresário de 61 anos, esposo da mulher, também foi rendido.

Roubo e sequestro - Claudinei disse que enquanto roubava as coisas de valor, João Victor fazia a segurança do lado de fora. Foi quando o comparsa informou que o vigilante havia percebido a movimentação e os dois decidiram ir embora levando a vítima como refém, por acreditar que a polícia já havia sido acionada, segundo depoimento de Claudinei.

Ele saiu levando o Fiat Uno, enquanto João Vitor foi com a refém dirigindo o Audi da família. Eles seguiram para o Bairro Pacaembu, na região da Guaicurus. Como não conseguiram levantar o dinheiro que queriam no local, tiveram a ideia de ligar para o marido da vítima exigindo R$ 50 mil para libertá-la.

Desesperado, o homem informou que tinha apenas R$ 18 mil e um relógio Rolex. Os dois aceitaram a oferta e marcaram encontro com o empresário. Na primeira tentativa, o plano deu errado porque havia muitos policiais na região. Durante toda a negociação, os bandidos ameaçavam o empresário, dizendo para não envolver polícia, caso contrário, matariam a mulher.

Resgate - O esposo da vítima, então, foi orientado a levar o dinheiro no Bairro Campo Alto, na Rua Professor Odete Trindade Benites, próximo a uma conveniência. Lá, a quantia e o relógio foram entregues para um "noiado", segundo relatos de Claudinei, que recebeu R$ 50 para pegar o pacote com o dinheiro e entregar para a dupla.

Na sequência, foi feita ligação informando que a refém seria solta no Bairro Tiradentes. Porém, a vítima foi encontrada pelos policiais do Choque, por volta das 3h30, na Rua Darwin Dolabani, no Bairro Itamaracá. O carro dela, o Audi, foi encontrado abandonado na Rua Santina Delfino Sanches, mesmo endereço da casa onde a vítima ficou refém.

O carro usado para cometer o crime, um Fiat Uno azul também foi apreendido. Na tentativa de se livrar das provas do sequestro, Claudinei, conhecido como Carcaça, contratou um guincho para levar o carro usado no crime e chegou a ameaças a ex-mulher para que ela ajudasse a pagar pelo serviço.

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