Dono de lanchonete denuncia ameaças após ser associado à morte de jovem
Documentação médica aponta que David Kauã, de 23 anos, estava em tratamento contra meningite

O proprietário de uma lanchonete registrou boletim de ocorrência após passar a receber ameaças nas redes sociais depois que uma publicação associou um lanche vendido no estabelecimento à morte de David Kauã Vieira Santos Lopes, de 23 anos. O jovem morreu na última segunda-feira (31), após permanecer 14 dias internado no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.
RESUMO
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Proprietário de lanchonete em Campo Grande registrou boletim de ocorrência após receber ameaças de morte nas redes sociais, associadas à morte de David Kauã, de 23 anos, que faleceu após 14 dias internado com meningite. A família suspeita que um lanche do estabelecimento causou a morte, mas documentos médicos apontam bactéria Streptococcus viridans. A causa do óbito segue sem conclusão, aguardando resultado de exame necroscópico.
A família de David levantou a suspeita de que ele teria passado mal após consumir um lanche no estabelecimento. O caso foi registrado pela família como morte decorrente de fato atípico e um exame necroscópico foi solicitado para esclarecer as circunstâncias do óbito.
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A documentação médica aponta que o jovem estava em tratamento contra meningite e que uma bactéria do grupo Streptococcus viridans foi identificada no líquido que envolve o cérebro e a medula.
Após a repercussão do caso, Ailton José, de 35 anos, proprietário do estabelecimento, afirma que passou a ser chamado de "assassino" e recebeu ameaças de morte. Em uma das mensagens apresentadas por ele à polícia, um homem diz: "Meu amigo que morreu comendo essa desgraça de lanche seu, seu maldito. Vou passar aí nessa desgraça mandando bala, filho de uma put... Cês vão morrer e ter o estabelecimento muito zuado."
Em outro registro, uma pessoa avisa o proprietário que havia comentários sobre uma possível invasão ao estabelecimento. "Oi, boa noite. Preciso que você avise o tal do Ailton. Estão falando que vão invadir lá às 22h. Não diga que eu que falei", diz a mensagem.
Ailton também apresentou à polícia uma publicação temporária com a frase "aqui se faz, aqui se paga. Nada passa batido", que interpretou como ameaça.

No boletim de ocorrência registrado na Depac Centro, Ailton relata que tomou conhecimento da publicação que teria sido feita pela sogra de David. Segundo ele, a mulher afirmou que o genro teria contraído meningite após consumir um lanche no estabelecimento e que aquele não seria o primeiro caso de pessoa que teria passado mal depois de comer no local.
O empresário afirma conhecer a mulher apenas de vista e diz que David era cliente do estabelecimento havia cerca de oito anos. No registro, ele também declara adotar práticas de higiene e segurança alimentar necessárias ao funcionamento da lanchonete.
Ailton negou que o alimento vendido tenha causado a morte do jovem. Segundo ele, não foi procurado pela família após o consumo do lanche e só tomou conhecimento das acusações pela internet.
O proprietário afirmou ainda que procurou orientação médica e recebeu a informação de que seria "altamente improvável" que o alimento tivesse provocado a morte, segundo ele. Ailton argumenta que o pedido foi feito em uma sexta-feira, quando o estabelecimento teria atendido cerca de 80 clientes, e que não houve outros relatos semelhantes.
Ele disse que passou a sofrer com boicote ao estabelecimento e decidiu desativar temporariamente o Instagram após orientação do advogado. Ao Campo Grande News, afirmou que não chegou a ocorrer invasão ou agressão no estabelecimento.
Segundo Ailton, todas as mensagens e publicações foram salvas e apresentadas à polícia. Ele também afirmou que pretende representar contra os responsáveis pelas ameaças e pelas publicações que considera falsas.

Conforme a documentação médica apresentada à polícia, ele estava em tratamento contra meningite e não apresentou resposta ao tratamento antimicrobiano, mesmo após a identificação da bactéria.
O registro policial descreve ainda que, durante a avaliação do corpo, foi solicitada atenção ao crânio, ouvido e coração para investigar uma possível fístula cerebral espontânea, hipótese que poderia explicar a evolução do quadro apesar da medicação indicada pela cultura. Um exame necroscópico foi solicitado para esclarecer as circunstâncias da morte.


