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Capital

Dono de restaurante que filmava clientes no banheiro vai responder em liberdade

Funcionárias encontraram imagens que mostravam partes íntimas de clientes em celular da empresa

Por Gabrielle Tavares e Mirian Machado | 24/05/2022 15:07
Restaurante Nakasa, localizado na Padre João Crippa, Centro de Campo Grande. (Foto: Bruna Marques)
Restaurante Nakasa, localizado na Padre João Crippa, Centro de Campo Grande. (Foto: Bruna Marques)

Dono da lanchonete “Nakasa”, Julio Cesar Maekawa, de 47 anos, vai responder em liberdade por registrar imagens íntimas de clientes e funcionárias que frequentavam o banheiro do local através de uma câmera escondida.

De acordo com a delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Ana Paula Trindade, o aparelho de filmagem se assemelhava a fios de energia elétrica, que ficavam pendurados no teto do banheiro. Também tinha um fio embaixo do balcão de atendimento para captar imagens de clientes que iam de saias ou vestidos, mas Julio só instalava no local quando ele ficava no caixa, para não levantar suspeitas.

Ele só foi descoberto porque viajou e deixou um celular de atendimento ao cliente com uma das funcionárias. Quando ela utilizou o aparelho, encontrou as imagens e registrou boletim de ocorrência. A quantidade de vídeos e fotos era tamanha que a delegacia ainda não conseguiu contabilizar. Além das imagens, foram apreendidas três câmeras.

Delegada da Deam, Ana Paula Trindade, responsável pelo caso. (Foto: Kísie Ainoã)
Delegada da Deam, Ana Paula Trindade, responsável pelo caso. (Foto: Kísie Ainoã)

Julio chegou a ser levado para a delegacia, mas como não houve flagrante, apenas foi ouvido e liberado. Em seu depoimento, informou que comprou os aparelhos há dois anos, mas só começou a utilizar há um ano, para monitorar sua cunhada.

“Ele instalou pela primeira vez no banheiro da edícula onde a cunhada dele mora, nos fundos da casa dele. Ele disse que chegou a excluir imagens do sobrinho, de 15 anos, que também usava o banheiro, porque não interessava a ele”, disse a delegada.

Há seis meses, ele tirou as câmeras escondidas da casa de sua cunhada e as levou para o restaurante. “Ele falou que era uma ‘brincadeira de criança', porque ele queria ver como funcionavam as câmeras”, completou Ana Paula.

Agora, os registros estão sendo analisados pela perícia para descobrir se existem imagens de crianças e se elas foram compartilhadas. Caso ambos os crimes sejam confirmados, ele poderá ser preso.

“Não precisamos de mais vítimas, porque já temos a funcionária e a cunhada dele, que só ficou sabendo das imagens ontem (23)”, ressaltou a delegada.

O suspeito é casado e tem filhos homens maiores de idade, mas não foram informados quantos.

O caso -  A denúncia aconteceu no sábado (21) e a Polícia Civil esteve no estabelecimento na manhã desta terça-feira (24), localizado na Rua Padre João Crippa, Centro de Campo Grande.

As imagens, de acordo com boletim policial, mostravam regiões íntimas de várias mulheres que frequentam o restaurante. Para a polícia, a funcionária afirmou que não se viu nas imagens, contudo, confirmou que ela e a colega utilizam os banheiros do restaurante e, além disso, as filhas delas, que são menores de idade, também frequentam o estabelecimento.

Na manhã de hoje, a reportagem do Campo Grande News esteve no local, que estava aberto, mas o dono optou por não conversar com a equipe.

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