ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, TERÇA  16    CAMPO GRANDE 17º

Capital

Empresário tem casa vasculhada e é levado pela PF em ação por contrabando

O homem de 55 anos é dono de distribuidora no Bairro Caiçara e tem outras empresas, segundo primo

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 16/06/2026 08:09
Empresário tem casa vasculhada e é levado pela PF em ação por contrabando
Picape do empresário dentro da residência alvo de busca (Foto: Juliano Almeida)

Empresário de 55 anos está entre os alvos da operação Rota Clandestina, deflagrada pela PF (Polícia Federal), PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Receita Federal na manhã desta terça-feira (16). O homem  teve a casa vasculhada e foi conduzido para a Superintendência da PF, mas não foi alvo de mandado de prisão. A ação apura esquema que movimentou R$ 76 milhões com contrabando de cigarros.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Empresário de 55 anos teve a casa vasculhada pela Polícia Federal durante a operação Rota Clandestina, que apura esquema de contrabando de cigarros paraguaios que movimentou R$ 76 milhões. Ele foi conduzido para prestar esclarecimentos, sem mandado de prisão. A operação cumpriu 14 mandados de busca, 5 de prisão e 5 de monitoramento eletrônico em Campo Grande e Santa Luzia, com 99 agentes mobilizados.

Conforme apurou o Campo Grande News, o homem é dono de diversas empresas, entre elas uma distribuidora localizada no Bairro Caiçara, onde também mora com a filha. Na residência, ao lado do estabelecimento, estiveram agentes da PF logo nas primeiras horas da manhã, mas não há ainda detalhes do que foi levado e se o estabelecimento foi visitado.

A filha de homem estava em casa e optou por não falar com a imprensa. O advogado da empresa, Guilherme Cury, confirmou que o empresário foi apenas alvo de mandado de busca e que foi levado para prestar esclarecimentos.

"Ele foi alvo de uma condução pela Polícia Federal, mas esclarecemos que não havia um mandado de prisão preventiva contra ele, apenas um mandado de busca e apreensão direcionado à sua residência, como pessoa física. Nada foi apreendido no local", disse Cury.

À imprensa, o advogado explicou que o homem é dono de algumas empresas e que ainda estão tentando entender o motivo da ação e do processo.

" A apuração, ao que consta, envolve a suposta utilização de caminhões para o transporte de cigarros. No entanto, ele atua há mais de 30 anos no ramo de utilidades domésticas e sua transportadora é usada exclusivamente para a distribuição dessas mercadorias para o Norte, Nordeste, Goiânia e Paraná. Ressaltamos que as empresas, assim como as filhas e os netos dele que residem no imóvel, não têm qualquer relação com as investigações", finalizou.

 Um primo afirmou estar surpreso com a ação policial contra o empresário que, segundo ele, não tem envolvimento nenhum com contrabando de cigarros. “Só se for alguém usando as carretas dele. Ele tem muita coisa, é empresário forte. Nós começamos junto. Achei muito estranho”, disse o familiar.

Funcionários da distribuidora chegaram ao local por volta das 7h50, já que a empresa abre às 8h, e foram orientados a entrar pela casa do empresário e não conversar com a imprensa. O estabelecimento ocupa uma quadra inteira junto com a residência onde moram o empresário, duas filhas e um neto.

Empresário tem casa vasculhada e é levado pela PF em ação por contrabando
Jet ski apreendido por equipe da PF durante a ação (Foto: Divulgação)

Operação 

A ação visa desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no contrabando de cigarros de origem paraguaia e em lavagem de dinheiro. O grupo mantinha uma estrutura hierarquizada responsável por todas as etapas do crime, desde a importação ilegal na fronteira até o armazenamento, transporte e comércio do produto. As investigações apontam ramificações em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Segundo a Receita Federal,  foram realizadas 12 apreensões durante as investigações que somaram mais de 1 milhão de maços de cigarros. A movimentação financeira ilícita da organização supera os R$ 76 milhões, evidenciada por meio de análises fiscais que detectaram patrimônios incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.

Os cigarros eram comprados no Paraguai e entravam no Brasil por rotas rurais e estradas de terra para desviar da fiscalização. Para mitigar os riscos de perdas em eventuais barreiras policiais, o transporte inicial era fracionado em carros de passeio.

Ainda de acordo com a investigação, a mercadoria ficava estocada em depósitos clandestinos em Campo Grande. Destes locais, os cigarros eram transferidos para caminhões e distribuídos em larga escala para outros estados utilizando notas fiscais frias e empresas de fachada para burlar as autoridades.

O dinheiro arrecadado pelo grupo circulava por contas bancárias de "laranjas" para proteger os reais beneficiários. Depois os valores eram distribuídos para evitar alertas automáticos do sistema bancário e por fim, a quadrilha utilizava canais informais e criptoativos para evasão de divisas e pagamento de fornecedores no exterior.

Durante a ação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, 5 mandados de prisão preventiva e 5 determinações de monitoramento por tornozeleira eletrônica. As ordens foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande (MS) e ocorrem simultaneamente na Capital sul-mato-grossense e em Santa Luzia (MG).

O efetivo mobilizado na operação conta com 7 auditores-fiscais, 15 analistas tributários da Receita Federal, 62 policiais federais e mais 17 policiais rodoviários federais. Em Campo Grande, a operação já apreendeu mercadorias e até um jet ski.

Empresário tem casa vasculhada e é levado pela PF em ação por contrabando
Muamba apreendida durante a ação da nesta terça-feira (Foto: Divulgação)


Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.