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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

30/01/2014 16:01

Especialistas atribuem aumento de casos de violência à justiça tardia

Lidiane Kober
Casos de violência aumentam e abarrotam Delegacia da Mulher (Foto: Graziela Rezende)Casos de violência aumentam e abarrotam Delegacia da Mulher (Foto: Graziela Rezende)

O aumento de casos de violência contra a mulher em Campo Grande assustou e deixou em alerta especialistas no assunto. Para eles, o problema é reflexo de um conjunto de fatores, como a justiça tardia que dá a sensação de impunidade, associada ao modelo de sociedade patriarcal e machista, além da falta de políticas públicas de prevenção e de promoção de autonomia da ala feminina.

Nos 12 meses de 2013, seis mulheres foram assassinadas por companheiros na Capital. Somente no primeiro mês deste ano, foram três casos, fora a morte de uma douradense na Espanha e da suspeita de espancamento da jovem Giovanna Nantes Tresse de Oliveira, de 18 anos.

“É reflexo das festividades de final de ano, do excesso de bebida, de drogas, do ciúmes doentio, da dificuldade financeira e da cultura machista a patriarcal”, analisou a subsecretária da Mulher e da Promoção da Cidadania do Governo de Mato Grosso do Sul, Elza Maria Loschi.

Para o sociólogo e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), David Tauro, a “democracia é uma farsa e o que existe é uma oligarquia machista”. “Os homens acham que a mulher é uma posse, que podem abusar delas. Para piorar a situação, as leis são brandas, a justiça é tardia e dá a sensação de que os agressores podem escapar da punição”, comentou.

Assustada e preocupada com a avalanche de violência contra a mulher, a vereadora Carla Stephanini (PMDB) destaca a necessidade de “mudar o comportamento da sociedade”. “O fenômeno da violência é um problema social, cultural e ideológico”, disse. “Isso só vai mudar à medida que as pessoas tomarem consciência de que o modelo machista e patriarcal é errado e que o certo é uma sociedade justa e igualitária”, emendou.

Presidente do CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza), Paulo Ângelo de Souza também atribui o momento à falta de ações na área educacional e social. “À medida que as mulheres recebem formação, vão se apropriando dos direitos e enfrentam com mais sabedoria o problema”, avaliou. “A mulher mais escolarizada vai lutar para tirar o marido do alcoolismo e lutar por seus direitos”, reforçou.

Outro problema, na visão do professor da UFMS, é a dificuldade de a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) de agir. “Falta policiamento e atendimento 24 horas”, frisou. “Pior que o problema virou jogo eleitoreiro e só será resolvido a partir do momento que os políticos se dediquem aos fins para que foram eleitos e pararem de brigar entre si”, acrescentou.

A vereadora Carla cobrou ainda urgência na instalação da Secretaria Municipal da Mulher e a reativação imediata do Conselho Municipal da Mulher. “Estamos sem controle em Campo Grande e impedidos de captar recursos federais para promover ações de combate à violência”, ressaltou.

Outra saída, na visão dos especialistas, é aumentar as ações de prevenção, ampliando as palestras educativas nas escolas e nas igrejas. “A mulher precisa romper o silêncio”, defendeu Elza. “Também precisamos de leis mais rigorosas”, emendou o professor da UFMS.

Questionada sobre as ações do Governo do Estado, a subsecretária da Mulher informou que ainda em 2014 será construída a Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, onde funcionará a Deam por 24 horas. “O Governo Federal já assinou contrato para uma empresa construir a casa, que também disponibilizará viaturas para ir até o local do crime”, destacou.

Em março, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher, o governo intensificará rodada de palestras e trará profissionais de renome nacional para debater o assunto. Além disso, uma unidade móvel irá até os bairros e assentamentos para orientar as mulheres.



Edilson falou tudo, querem que as mulheres denunciem a pessoa que, na maioria das vezes, dorme ao lado delas, mas quando elas finalmente criam coragem e denunciam, nada acontece, aí a pessoa volta pra casa e tudo acaba em tragédia, a justiça tem que ver este lado, ninguem é preso e a mulher fica em uma situação de insegurança total com o marido denunciado solto e com mais raiva da mulher por tê-lo denunciado.
 
MAXIMILIANO NAHAS em 31/01/2014 08:23:21
MEUS CAROS AMIGOS. JUSTIÇA NO BRASIL SÓ SE TIVER DINHEIRO. AÍ O POLICIAL MORRE, TENTANDO RESGATAR O BEM DO CLIENTE. SIM POIS HOJE NO BRASIL, NÓS SOMOS CLIENTES DA POLÍCIA. BOLETIM DE OCORRENCIA EM DELEGACIA. 10 HORAS NO MINIMO. PERGUNTEM EM OF. PARA POLICIAIS DA PM. TROCA DE DELEGADO, INVESTIGADOR E VAI PELA AÍ. SE TIVER OCORRENCIA AS 5HS DA MANHÃ, SÓ VAI SAIR DO SEU PLANTÃO, AO MEIO DIA., O SIMPOL SABE DISSO...MAS VEM A DESCULPA MUITO TRABALHO. hhho MEU CUMPADRE ? O DELEGADO TAVA DE FOLGA?, MUITA FRESCURA PARA FERRAR O POVO.
 
LOURENÇO CARVALHO em 30/01/2014 19:49:59
É sempre a mesma conversa "temos que verificar a questão antropologica, filosófica, psicológica, a injustiça social, a educação, investir em segurança etc etc etc...." mas nenhum político fala clara e abertamente, precisamos aprovar pena de morte, precisamos aprovar prisão perpétua, precisamos acabar com toda e qualquer espécie de indultos, ninguém fala isso !!! E o crime infelizmente continua compensando !! E o político que levantar esta bandeira, adotando uma linha de postura rígida para o crime, certamente atenderá os anseios da sociedade, e consequentemente muitos votos.
 
Wilson de Matos Espindola em 30/01/2014 19:07:23
pelo o andar da carruagem, parece que teremos que voltar ao tempo dos duelos, cada um pega sua arma e que vença o mais rápido!!!!!!!!!!!!
 
idevaldo de jesus em 30/01/2014 18:18:13
O que adianta orientar a mulher a denunciar seus agressores, se o próprio sistema não a protege. conheço um caso de que a menina foi agredida em maio de 2013, fez um boletim de ocorrência no dia da agressão como manda o figurino e só essa semana que chegou a 1ª intimação para ela prestar esclarecimento na DEM. Como fica esta pobre criatura durante esse período de 8 meses? é o cúmulo do descaso.
 
Edilson Correa em 30/01/2014 17:00:56
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