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Campo Grande, Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

16/08/2019 12:39

Hospital do Pênfigo é aposta para conter caos de superlotação na urgência

Sesau aguarda liberação de recursos para novos leitos e tentar avançar nas tratativas com outros hospitais

Izabela Sanchez
Entrada do Hospital Adventista do Pênfigo em Campo Grande (Foto: Divulgação)Entrada do Hospital Adventista do Pênfigo em Campo Grande (Foto: Divulgação)

Nos piores dias atendem o dobro, às vezes o triplo, de sua capacidade. É rotina dos prontos-socorros da Santa Casa, Hospital Regional e até pouco tempo era rotina do Hospital Universitário. Mergulhada em caos, a rede de urgência e emergência e o número deficitário de leitos aguarda liberação de recursos para ampliar o atendimento.

O Hospital Adventista do Pênfigo é uma das apostas. Titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), José Mauro Filho afirma que o hospital já foi habilitado como filantrópico pelo Ministério da Saúde. A aposta é abrir ali 65 leitos de urgência e emergência, financiados com parte dos aproximadamente R$ 40 milhões de emendas parlamentares.

Além do Hospital do Pênfigo, a Sesau quer habilitar como filantrópicos o hospital El Kadri e o Hospital da Criança. Além das emendas, aguarda a ampliação do teto do MAC (Média e Alta Complexidade), que hoje é de aproximadamente pouco mais de R$ 30 milhões de repasses anuais. O objetivo é alcançar R$ 65 milhões em recursos do Ministério da Saúde.

O HU recebe, agora, valor menor da Prefeitura, já que não atende pacientes por demanda espontânea e mantém, no pronto atendimento, a capacidade de 18 leitos: 3 da área verde, 7 da vermelha e 8 da amarela. O valor do convênio passou de R$ 48.467.142,36 para R$ 45.401.580,84.

A Santa Casa tem 20 leitos, 6 na área vermelha, 7 na verde e 7 na amarela e o HR, 77 ao total no PAM (Pronto Atendimento Médico).

“As medidas que nós tomamos, a curto prazo, quando entramos na secretaria foi aditivar, por exemplo, contrato com a unidade do trauma, daqueles pacientes que ficavam acumulados no HU, da ortopedia, que hoje estão sendo atendidos lá. O próprio hospital do Pênfigo estava sem contrato de filantropia, nós resolvemos o contrato, agora iremos provavelmente aditivar a unidade de saída com mais 65 leitos, está sendo avaliado o custo e aguardando recurso”, comentou o secretário.

No HR, após visita de representantes do Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) e do MPMS (Ministério Público Estadual), em junho, “interdição” chegou a ser citada, em alusão ao caos encontrado no PAM.

A principal demanda por leitos vem da Capital, que representa aproximadamente de 70% dos pacientes que aguardam uma vaga. Segundo a coordenação de urgência da Sesau, o índice de encaminhamento para leitos fica em apenas 3% e 4% da necessidade real. Com a insuficiência, as UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) acabam atendendo como se fosse hospitais.

“Ao mesmo tempo que a gente tenta apagar o fogo nas questões emergenciais como são as UPAS, com as epidemias como foi o caso da dengue, nós tivemos um alto índice de procura de pacientes. Campo Grande chegou a atender 5 mil pessoas ao dia nas 10 UPAS, ou seja, é um valor muito grande de atendimento de emergência, então ao mesmo tempo que a gente tenta apagar essa urgência, acudir, temos que pensar em situações a médio prazo e a longo prazo, senão a situação não evolui”, disse.

Hospital Municipal  – O secretário declarou que o HMCG (Hospital Municipal de Campo Grande), cujos planos ainda estão no papel, também é aposta de longo prazo para ampliar os leitos. “Ele entra como plano de extensão futura”, disse José Mauro, que visita Capitais brasileiras em busca do melhor modelo para Campo Grande.

“Existem projetos 100% públicos e existem projetos de parcerias público-privadas e todas essas possibilidades podem estar eventualmente em alguma discussão, mas o hospital público de Cuiabá foi o que mais se aproximou de uma realidade muito parecida com a nossa, tanto populacional, quanto formato do hospital, e da necessidade da secretaria em relação aos serviços que vão ser prestados nessa unidade”, disse.

 



Diferente do informado anteriormente em matéria publicada na segunda-feira (12), o repasse de R$ 1,2 bilhão feito em 2018 e 2019 pelo Ministério da Saúde atendeu todo o Mato Grosso do Sul, e não apenas a Santa Casa de Campo Grande.

Os valores são referentes ao teto MAC (Média e Alta Complexidade), que inclui apenas o atendimento em hospitais e unidades avançadas em casos mais graves. Somando todos os repasses federais, estaduais e municipais, a Santa Casa fechou em julho contrato para receber anualmente R$ 294.822.131,14.

A gestora da Santa Casa, a ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), que também administra em prédio anexo ao Hospital do Trauma, também pode receber em breve mais R$ 57,6 milhões por ano para custeio da nova unidade, já que o MPF (Ministério Público Federal) ajuizou ação cobrando tal valor da União.De acordo com a promotoria, em negociações feitas antes de 2019, foi prometido o repasse mensal de R$ 6 milhões para a operacionalização do hospital, entretanto o contrato fechado foi de apenas R$ 1,1 milhão/mês. Assim, o MPF cobra na Justiça o acréscimo do valor de R$ 4,8 milhões.

O Ministério da Saúde afirmou que ainda não foi notificado sobre a ação, mas que vem realizando em dia todos seus repasses, acrescentando ainda que destinou R$ 6,9 milhões para construção do Hospital do Trauma, e quantia igual para equipar o local, além de R$ 21 milhões anualmente à Santa Casa por oferecer atendimento 24h, outros R$ 18 milhões por “produção hospitalar” e R$ 4,7 milhões da Rede Cegonha.
 
Jornalista em 16/08/2019 15:49:16
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