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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

31/05/2013 10:59

Movimentos pedem audiência em Brasília e perícia no corpo do indígena

Luciana Brazil e Evelyn Souza
Movimentos pedem ação do governo Federal. (Foto:Vanderlei Aparecido)Movimentos pedem ação do governo Federal. (Foto:Vanderlei Aparecido)

Representantes de movimentos sociais, dos direitos humanos e de trabalhadores de Mato Grosso do Sul estão reunidos, nessa manhã, em Campo Grande, para discutir a proposta de uma audiência em Brasília que pressione o governo Federal a cumprir a constituição, que, segundo eles, prevê a retomada de terra na fazenda Buriti, em Sidrolândia.

Especula-se também uma nova perícia no corpo do indígena morto ontem, durante o confronto entre a polícia e os índios. No início da reunião, críticas à ação da Polícia Federal também foram cravadas.

Participam do encontro representantes da CUT (Central Única de Trabalhadores), da CDDH (Central de Defesa dos Direitos Humanos), da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), além de outras entidades.

Paulo Ângelo de Souza, integrante da CDDH, explicou que, em Brasília, a intenção é realizar uma audiência com representantes de movimentos sociais e indígenas. A fazenda Buriti estava ocupada há quase 20 dias, e ontem houve confronto entre indígenas e a polícia. O índio Oziel Grabriel de 35 anos morreu com um tiro no abdômen, durante o conflito.

Souza questionou a perícia feita no corpo do indígena. Ele lamentou que a vítima não tenha sido encaminhada ao IML (Instituto Médico Legal) da cidade. Ontem, a plantonista do local estava viajando e Oziel foi levado para a funerária, onde foi feito o atestado de óbito.

O representante do CDDH pretende exigir uma nova perícia no corpo da vítima, feita por um profissional de Brasília. “Foi uma perícia muito rápida”. Souza quer com a nova avaliação achar o culpado pela morte de Oziel.

“Pra gente colocar na cadeia o responsável. Foi uma tragédia anunciada, graças a Deus não foi maior. Fazer o enfrentamento com aquele tanto de policiais só poderia acabar em tragédia. A polícia estava com a arma de verdade, e a imprensa mostrou. Não foi o melhor dia e nem a melhor estratégia”

Para o secretário de políticas sociais da CUT, Edivaldo Bispo Cardoso, a ação da Polícia Federal “foi desastrosa”. “O governo Federal deve cumprir seu papel e cumprir a constituição que manda demarcar as terras indígenas”.

Ontem, equipes da PF (Polícia Federal) e Cigcoe (Companhia de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais) cumpriram a ordem judicial de reintegração de posse. Os índios resistiram e se instalou o conflito. Do lado dos terenas, uma morte e quatro feridos. Do lado dos policiais, a PF divulgou que três agentes ficaram feridos.

Antropólogos emitiram laudos que consideram a região território indígena, mas o proprietário da fazenda, o ex-deputado Ricardo Bacha acionou a justiça e conseguiu paralisar o processo de demarcação devido a uma decisão do TRF (Tribunal Regional Federal). Funai e Ministério Público Federal recorreram, mas o mérito ainda não foi julgado.



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