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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

03/06/2013 07:35

Nem a Polícia e a Justiça livram mulher da violência do ex-marido

Paula Maciulevicius
“Ele mesmo diz que não tem mais nada a perder nessa vida”. Mas ela tem. (Foto: Marcos Ermínio)“Ele mesmo diz que não tem mais nada a perder nessa vida”. Mas ela tem. (Foto: Marcos Ermínio)

De mãos atadas. Refém da violência. Impotente diante da Justiça. Da primeira denúncia, aos registros de boletim de ocorrência que já perdeu a conta, até a terceira medida protetiva. Ela já tentou de tudo e se vê à mercê de ter paz somente se morrer.

A violência que não escolhe raça, cor e classe, chegou à personagem na forma de príncipe encantado. Bonita, branca, de olhos claros e nível superior, ela viu o autor chegar como cavalheiro. Se conheceram através de amigos em um bar. “Ele era aquele cara da música. Igualzinho. De abrir a porta do carro”...

Hoje na memória estão os flashes. Brigas, xingamentos, agressões. “Se escuto um barulho de carro passando já sinto medo”. À noite ou em plena luz do dia, as lembranças voltam sem que ela permita. Sem que ela queira. “Quem já invadiu uma vez é capaz de entrar de novo”, diz.

Ela tem 34 anos de idade e oito de sobrevivência a todas as agressões físicas e psicológicas que já sofreu. Em janeiro deste ano, teve a casa invadida pelo ex-convivente, que levou à força os filhos de 3 e 5 anos. Em março, na porta da escola dos filhos, ele apareceu de novo.

“Começou a me agredir na frente dos pais, na frente da escola. Foi só verbal, mas ele me xingava. Eu entrei dentro do carro, ele batia no vidro e depois simplesmente deu ré e bateu no meu carro. Meu maior medo não era nem comigo e meus filhos, mas e se tivesse passando outras crianças ali?”

Em oito anos foram apenas 4h de paz. A única vez em que ele esteve preso. (Foto: Marcos Ermínio)Em oito anos foram apenas 4h de paz. A única vez em que ele esteve preso. (Foto: Marcos Ermínio)

A partir dali a terceira medida protetiva foi expedida. Ferramentas da Justiça que tentam seguir a progressão das agressões. Mas a garantia de segurança fica restrita a um papel. “Ele ronda a minha casa, vai onde eu estou. Eu ligo para a Polícia, mas se ele não for pego em flagrante, não adianta. Ele bateu no meu carro em frente da escola e saiu correndo. Ele vai fugir sempre”.

No relato dela, as ligações para a Polícia passam a ser desencorajadoras. “Eles me perguntam ele está aí?” E diante da negativa, o ‘meliante’ não é nem se quer procurado.

O reflexo da violência sem freio é sentido nas crianças. O filho mais velho começou a repetir as cenas que viveu dentro e fora de casa. “Ele batia nos colegas, principalmente nas meninas. É o que ele vê o pai fazendo”.

A mãe morre de medo de pedir a guarda dos filhos e ver a situação chegar a um extremo. Mas vê a cada vez que os pequenos voltam para casa, a agressão superando os limites. “Ele está proibido até de mandar mensagens, mas usa as crianças para manter contato comigo. Ele mesmo diz que usa para estar perto de mim”.

Na Justiça o caso já corre desde o ano passado, quando a agressão foi em público, em pleno bar, em um final de semana. Somente dessa vez que ele foi preso. “Foi 2h da manhã. Às 6 horas ele já estava solto. Saiu da delegacia e já começou a mandar mensagem”. Em oito anos foram apenas 4h de paz.

Na tentativa de se proteger, os olhos estão atentos a qualquer movimento, barulho de carro ou de moto e para quem se aproxima. “Levo uma cópia da medida protetiva na bolsa, no carro, tem uma casa e no trabalho. Se acontecer alguma coisa, a Polícia já sabe”.

Aos 34 anos, três filhos e uma mãe sob os cuidados, ela convive a cada segundo do dia com a expectativa do que mais pode acontecer e a dúvida: se a Polícia, no caso de algo acontecer, ainda vai poder fazer alguma coisa. 

“A gente tem muito medo e não é pouco. Ele mesmo diz que não tem mais nada a perder nessa vida”. Mas ela tem. E teme por isso.

A delegada titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher), Rosely Molina, explica que a Polícia tem elementos para pedir a prisão preventiva do autor com base nos antecedentes e principalmente se houver descumprimento da medida protetiva, o que acarreta, além da violência doméstica, desobediência a ordem judicial.

A medida protetiva expedida pela Justiça acompanha a vítima até o final do processo, quando já encaminhado ao Judiciário.

Em 2012, quatro vítimas de violência doméstica pagaram com a vida. Sentiram nos últimos minutos os extremos das agressões quase que diárias. Números que sempre trazem consigo antecedentes de violência.

“Aqui todas elas chegam com esse sentimento de impotência e vamos mostrando os caminhos a percorrer. A vítima precisa ver os sinais de início da agressão. O que precisa saber é que todo agressor dá sinais que precisam ser detectados”.

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Oque me deixa triste é a inercia da justiça, gostam de numero de morte pra anunciar nas paginas policiais.
 
carmem barcelos em 05/06/2013 23:42:46
Meu avô, um "guasca buenacho", dizia que homem e cobra não se machuca, mata pra não voltar. Tome atitude!
 
Hilda França em 03/06/2013 17:37:16
Contrata dois caras bom de porrada ( 300,00 ) e moi esse palhaço de pau , mais bate mesmo sem dó , a avisa que se passar perto , ou mandar um recado , não precisa nem falar com vc , vai apanhar de novo , só assim, Vc volta a ter uma vida digna .Senão ta facinho ele acabar com vc ,pois já pegou teu ponto fraco . LUTE POR VC .
 
Vilson Mendes em 03/06/2013 17:36:27
Olha te digo uma coisa a voce que é a vitima desse cidadão se você não pode contar com a justiça faça a sua da sua maneira de uma de louca, e tenha certeza, que o medo dele será a sau paz,eu digo porque foi assim que agi a 12 anos vivo em paz mais passei por tudo isso que está passando,e te digo uma juiza criminal numa audiencia na qual ele não apareceu,me disse que estava passando por agressões a 20 anos porque eu queria desse dia agi e cheguei em casa e fiz o que ela disse. botei ele pra correr com uma faca, e até hoje nunca mais me desrespeitou.graças ao ETERNO ele correu se não.... nem sei.te desejo boa sorte.
 
Neide M.B. em 03/06/2013 16:11:12
SOMENTE DEUS, TIRA QUALQUER PESSOA DAS MÃOS DO SATANÁS, ACONSELHO, QUE VÁ ATÉ O ALTAR DE DEUS, ONDE ESTIVER UM PASTOR, OU UM PADRE, ASSISTA O CULTO, A MISSA, DEPOIS FALE COM OS MESMOS, COMO SE TIVESSE CONFESSANDO, POIS ASSIM DEUS, PEGAS SEUS PROBLEMAS, E DO SEU MARIDO, E O diabo QUE ESTIVER NELES, PERDERÃO AS FORÇAS, DIZ A BÍBLIA, QUANDO ESTIVER COM PROBLEMAS, THIAGO 5, VS. 12 AO 18, EM ESPECIAL AO VS.14 E 15, ESSE NEGÓCIO DA JUSTIÇA DA TERRA, CADEIA, CASAS DE RECUPERAÇÃO, ONEIS DA VIDA, NÃO ADIANTA, É SOMENTE PALIATIVO, POIS OS MALES ESTÃO DENTRO DO DETENTOS, E SOMENTE ALTAR DE DEUS, AS FORÇAS ESPIRITUAIS DE DEUS E JESUS, QUE CURARÃO TODOS, DEUS DE MUITA INTELIGÊNCIA E SABEDORIA, PARA TODOS, SE APROXIMEM DOS ALTARES DE DEUS.
 
pedro braga em 03/06/2013 15:51:10
E ainda dizem que existe justiça no brasil, onde? Com todos os pedido legais feitas pela mesma, agora cabe a ela entrar com processo no MPF por danos morais e danos fisicos. Ja que a mesma esta sendo vítima de um criminoso assumido, tem testemunhas e laudos médicos incriminando o mesmo e continua com a negligência jurídica. Cabe tambem processo contra o responsável jurídico que em posse dos laudos, relatos de testemunhas e B.Os. não solicitou a prisão do mesmo, com isso se tornando como previsto em lei "prática de associação com o crime, negligência juídica e não cumprimento da função", cabendo a exonerão de seu cargo! Vai a dica para todos, usem as leis para que o juízes a cumpram, senão eles nem ligarão para sua vida.
 
Alexandre de Souza em 03/06/2013 15:15:25
Infelizmente tenho que concordar com a leitora Edinalva, pois o cara qdo começa não para mais, só com a morte ela terá a paz que tem direito? Então que morra ele, pois ela tem filhos e mão pra cuidar. Nossa lei só serve pros que não precisam dela.
 
Valinda Lima em 03/06/2013 13:59:21
Eu gostaria de dizer para esta sofredora para fazer de um tudo para tomar um chá de sumiço, pegue os filhos a mãe e tome um ônibus com passagem de "ida sem volta" para um lugar bem distante. Não fique esperando perder a vida, nossa vida é muinto preciosa.
Se for possível, deixe o filho mais rebelde com ele. Boa sorte.
 
Angélica Nunes Dourado em 03/06/2013 13:24:43
Nas mulheres da minha família, se homem bater é uma só vez, e nunca mais bate em ninguém.
 
hélade dorneles em 03/06/2013 13:04:48
Infelizmente essa lei no papel é lindo, ocorre que muita das vezes a própria mulher vai na Delegacia de policia civil (da mulher) retirar a queixa, ou demora demais pra fazer o BO, entre outras coisas. Nao podemos negar que a violência existe, mas a própria mulher é culpada pela demora e procurar ajudar policial, bem como fica com DÓ do marido ou o autor é quem sustenta a família pois a mesma não trabalha, dai fica essa questão pra se resolver, busca ajuda ou fica a merce do autor,,
 
CUTUCA em 03/06/2013 11:16:00
Eu tenho um pai que sempre me orientou em relação ao homem: "nunca levante a mão para um homem, mas se este te bater, mate, porque ele nunca vai parar".
 
Edinalva Garcia em 03/06/2013 10:01:26
essa leizinha maria da penha é uma hipocrisia.
a lei é perfeita, mas a pratica.
ninguém tem mais medo da justiça e fazem o que querem.
 
Sérgio Marques de Alencar em 03/06/2013 09:13:11
Extremamente triste e lamentável tudo isso. Mas infelizmente assim será por muito tempo, pois temos leis demasiadamente frouxas. Na maioria dos casos, até a polícia fica com "as mãos atadas".
 
Fernando Silva em 03/06/2013 08:48:13
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