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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

22/06/2015 15:42

Prefeitura diz que greve perdeu força e apenas 10% das escolas estão paradas

Michel Faustino
Professores permanecem na Avenida Afonso Pena em protesto pelo cumprimento da lei do reajuste. (Foto: Marcelo Calazans)Professores permanecem na Avenida Afonso Pena em protesto pelo cumprimento da lei do reajuste. (Foto: Marcelo Calazans)

A prefeitura de Campo Grande emitiu nota afirmando que a greve dos professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) perdeu força e apenas 10% das escolas estão paradas, conforme levantamento da Semed (Secretaria Municipal de Educação). A paralisação chegou nesta segunda-feira (22) ao 28ª dia.

Segundo a Semed, das 94 escolas existentes no município, apenas 10 estão totalmente paradas. Os números são diferentes dos divulgados pelo ACP (Sindicato Campo-grandense de Profissionais da Educação).

Para o Sindicato, das 94 escolas, 30 estão funcionando normalmente, 55 de forma parcial e 13 aderiram totalmente a paralisação.

Segundo o presidente da ACP, Geraldo Gonçalves, os professores que estão trabalhando nas escolas em funcionamento estão precisando se submeter a jornada “excessiva” de trabalho.

“Os professores estão precisando trabalhar 13h ou mais, e quando falta o outro é pior ainda. Então isto é completamente desgastante”, completou.

Na tarde de hoje, os profissionais voltaram a interditar parcialmente a Avenida Afonso Pena, na altura do Paço Municipal, em forma de protesto. Nesta terça-feira (23) eles devem voltar à Câmara Municipal para pedir apoio dos vereadores e no período da tarde se encontram em assembleia na sede do sindicato para definir os rumos da greve.

Os professores pedem reajuste de 13,01%. O Executivo oferece 8,5%, porém prometeu uma nova contraproposta após ajustar a folha e reduzir o limite prudencial, em conformidade com a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

Remuneração – Segundo a prefeitura, desde 2011, os professores obtiveram reajustes acumulados de 62,78%, três vezes acima da inflação, que no período ficou em 24,10%. Estes aumentos impactaram em 95% a folha de pagamento dos professores, que passou de R$ 20,7 milhões para R$ 40,4 milhões. O salário-base passou de R$ 1.564.06 para R$ 2.546,06 (de licenciatura).

Segundo o secretário de Administração, Wilson do Prado, praticamente desde a década de 1990, quando foi realizado o último concurso com vaga para normalista, a Prefeitura só contrata professores com nível superior. Desde 2008, com a entrada em vigor da lei complementar 20 (que institui o plano de cargos e carreiras do magistério), o salário do normalista é referência para fixar a remuneração dos professores com nível superior.



Artigo enviado ao jornal Correio do Estado hoje.
Vamos refletir! GREVE DE PROFESSORES
Trem desgovernado - CUIDADO, PERIGO!
PROFESSORES EM GREVE. Está acontecendo em todo país. Será que enlouqueceram? Será que são vagabundos? Será que querem se aproveitar desse momento de instabilidade econômica?! NÃO! Estamos (porque me incluo nessa luta) de paciência esgotada! O que mais incomoda é perceber que a sociedade, de uma forma geral, está ignorando essa importante paralisação. O PROFESSOR é um profissional de 1ª CATEGORIA, que me perdoem os juízes, desembargadores, promotores que recebem um salário “módico” de até 40 mil reais e ajuda moradia de mais de 4 mil..., com a justificativa (só pode ser) de que precisa “cabeça fresca” para julgar! Por acaso alguém sabe que o salário médio do professor no Brasil é de R$ 1.874?! Que outras categorias com curso superior ganham, em média, R$ 29 por hora trabalhada, o professor brasileiro da educação básica recebe apenas R$ 18?! A pergunta é: DÁ PARA ELE SUPRIR SUAS NECESSIADADES BÁSICAS - Moradia, luz, água, telefone, comida, remédio?...NÃO!!!!!! Dá para ser um profissional competente, estudioso, cheio de paciência e afeto com seus alunos, isto é “cabeça fresca”?!!! O número de professores afastados por atestado médico só tem aumentado!
Um estudo realizado pela Education at Glarce de 2014, que procura mapear dados sobre a educação dos 34 países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e 10 parceiros incluindo o Brasil, um professor em início de carreira que dá aula no Ensino Fundamental em instituições públicas, recebe em média 10.375 dólares por ano no Brasil. Em Luxemburgo, país que paga o maior salário para docentes, ele recebe 66.085 dólares. Entre os países membros da OCDE, a média salarial do professor é de 29.400 dólares/ano. Nos países da América Latina como Chile e México, os professores ganham em média um salário de 16.000 dólares/a (valores de 2012, com dólares reajustados pela paridade do poder de compra - PPC). No Brasil o salário médio do docente do ensino fundamental em início de carreira é o terceiro mais baixo do mundo, no universo de 38 países desenvolvidos e em desenvolvimento, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Aqui em Campo Grande alguns professores continuam em GREVE, resistindo com muita garra e coragem, lutando pelo óbvio - o cumprimento da lei municipal 5.411/14 e lei federal 11.738/08 que estabelecem a aplicação da correção anual do piso nacional ao piso dos professores municipais. Esse valor de 13,01%%, que segundo o presidente da ACP “já foi estabelecido em janeiro e a prefeitura sabia desde antes do anúncio da correção, que deveria aplicá-lo na nossa data base.” A desculpa esfarrapada é que não existe dinheiro na Prefeitura. Mesmo com o direito garantido em lei, os professores demonstraram capacidade de flexibilizar e ceder, admitindo receber a correção em várias parcelas. O que não existe é reconhecimento, valorização, respeito ao trabalho dessa categoria, que sempre foi e é explorada nos governos da atualidade, seja de que instância for – federal estadual e municipal. Um país que escolhe como lema de governo – BRASIL PÁTRIA EDUCADORA – e que desrespeita esse profissional, base de todo o ensino, é motivo de deboche!
A sociedade precisa apoiar essa greve justa. Não há ensino de qualidade, nem reforma educativa, nem inovação pedagógica, sem uma adequada VALORIZAÇÃO, formação e participação de professores.
Os professores que resistem estão de parabéns, estamos juntos! “Por uma educação que nos ajude a pensar e não que nos ensine a obedecer”.
Falaremos da greve nas Instituições federais de educação em seguida.
Drª Ângela Maria Costa
Professora da UFMS
 
Adriana em 22/06/2015 15:57:02
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