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Trote da UFMS tem apelo cultural como alternativa para evitar violência

Por Paula Maciulevicius | 27/02/2012 12:15

Mesmo assim, do lado de fora da instituição, as cenas típicas de gente com a cara pintada de tinta ou sendo submetidas a brincadeiras de todo o tipo eram vistas como todo ano.

Dentro da instituição movimentação era discreta. A recepção tem apelo cultural. (Foto: Paula Maciulevicius)
Dentro da instituição movimentação era discreta. A recepção tem apelo cultural. (Foto: Paula Maciulevicius)

O trote em recepção aos calouros da UFMS parecia tranquilo dentro da instituição. No primeiro dia de aula, discretamente aos poucos se viam as caras pintadas, indicando que ali estava um “bicho”, como os alunos antigos chamam quem está chegando. Fora da universidade a cena é bem diferente: reunia veteranos e calouros no canteiro da avenida Costa e Silva até o tradicional Escobar, bar que fica próximo à instituição .

Nos corredores da universidade, o trote tem apelo cultural e segurança. A instituição chegou a criar uma comissão ouvidora de recepção aos calouros para acompanhar as atividades realizadas nesta primeira semana de aula, com o objetivo de acolher e apurar denúncias de recepções violentas.

As boas-vindas aos novos estudantes estão espalhadas em cada curso e também são realizadas pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes). A proposta dos coordenadores é de conscientizar os acadêmicos para uma recepção diferenciada, excluindo o trote.

Calouro de engenharia elétrica passou pelo trote tradicional, trigo, tinta e cabelo cortado.  (Foto: Paula Maciulevicius)
Calouro de engenharia elétrica passou pelo trote tradicional, trigo, tinta e cabelo cortado. (Foto: Paula Maciulevicius)

Um pseudo ônibus, como a coordenadora Marina Duarte, 18 anos, define, vai passar em diversos pontos, colocados por toda a universidade. “Vamos passar chamando a galera para entrar no busão”, disse. A ideia é levar os acadêmicos para conhecer a UFMS. Além do passeio, mesas abertas serão realizadas durante toda a semana e nesta segunda à noite, a exibição de dois curtas-metragem.

Mesmo discreta, a pintura no rosto denunciava que Gisele Silva Santos, 31 anos, era caloura. Começou hoje a cursar pedagogia. “Ah, foi legal o trote. Saudável e eu gostei, achei que fosse mais difícil”, disse.

Na sala de aula, além da apresentação inicial, os calouros foram pintados e tiveram de responder a perguntas e dançar coreografias sugeridas pelos veteranos.

Calouro de engenharia elétrica, Juan Pedro Aquino, 17 anos, estava tranquilo, apesar de desfilar pela universidade todo pintado.

“O trote foi assim, como você está me vendo. Me jogaram trigo, meu cabelo está lindo e eu estou com essa cor”, brincou. A parte da frente do cabelo deu lugar a um buraco, feito pelos veteranos.

Fora da universidade o clima era outro. O curso de Direito, por exemplo, reuniu os alunos no canteiro da avenida Costa e Silva, próximo ao Escobar. Enfileirados, os “bichos” tinham que passar banana e chocolate um a um, pela boca.

Apesar de estarem divididos em filas só de mulheres e outra só de homens e com as mãos amarradas, um dos veteranos presentes garantiu ao Campo Grande News que o trote não envolvia violência nem o consumo de bebidas alcoólicas, mesmo com uma garrafa de refrigerante e um funil nas mãos.

“Estamos aqui só para fazer volume. É uma forma de recepcionar, mas não tem violência, nem bebida”, explicou o acadêmico Igor Melo, 20 anos.

Com os gritos “au, au, au, nosso trote é legal” eles tentavam mostrar que o trote não passava de uma brincadeira.

“Bom não está, mas é tranquilo. Está dentro do que eu esperava”, comentou um dos “bichos”, Mateus Gonçalves Viana, 19 anos.

Para denúncias de trotes violentos, a universidade disponibiliza o e-mail calouros.rtr@ufms.br.

Acesso - Como de longe se pode perceber, a principal entrada de acesso à universidade está interditada para a construção de um pórtico de entrada e de uma guarita. A Agetran abriu uma entrada provisória antes do semáforo de retorno para a avenida Costa e Silva, próxima a Unidade VI.

Não houve, no tempo que a equipe de reportagem esteve no local, nenhum incidente e entre os calouros, não houve reclamações sobre o tratamento.

Fora da universidade, acadêmicos reuniam os “bichos” no canteiro da Costa e Silva. (Foto: Paula Maciulevicius)
Fora da universidade, acadêmicos reuniam os “bichos” no canteiro da Costa e Silva. (Foto: Paula Maciulevicius)
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