Com 8 mortes, Dourados inicia na próxima segunda vacinação contra a Chikungunya
Campanha começa no dia 27 de abril e prevê imunização de cerca de 43 mil pessoas entre 18 e 59 anos
Dourados inicia na próxima segunda-feira (27), a campanha de vacinação contra a Chikungunya, em meio ao avanço da doença no município, que já registra oito mortes confirmadas. A ação foi anunciada pelo COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), criado pela Prefeitura para coordenar o enfrentamento da epidemia tanto na Reserva Indígena quanto na área urbana.
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Dourados inicia na segunda-feira (27) a vacinação contra a Chikungunya, com oito mortes confirmadas e 4.972 casos prováveis no município. A campanha atenderá pessoas de 18 a 59 anos, com meta de vacinar 43 mil moradores. O imunizante, aprovado pela Anvisa em abril de 2025, foi desenvolvido pela Valneva com o Instituto Butantan. Gestantes, imunossuprimidos e pacientes oncológicos estão entre os grupos que não podem receber a dose.
A vacinação integra o Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, um documento com 36 páginas que reúne medidas consideradas fundamentais para conter a disseminação do vírus. De acordo com o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Marcio Figueiredo, a imunização seguirá critérios definidos pelo Ministério da Saúde, o que limita o público apto a receber a dose. “Nem todas as pessoas poderão tomar a vacina em razão das contraindicações estabelecidas”, explicou.
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O primeiro lote de doses chegou ao município na noite da última sexta-feira (17). Antes do início da campanha, a Secretaria Municipal de Saúde promove, nos dias 22 e 23 de abril, a capacitação de profissionais de enfermagem e vacinadores. O objetivo é prepará-los para orientar a população, identificar possíveis comorbidades e aplicar corretamente o imunizante. Segundo o secretário, o processo será mais lento, pois cada pessoa passará por avaliação prévia antes da vacinação.
A distribuição das doses para as salas de vacinação, incluindo unidades da saúde indígena, está prevista para a sexta-feira (24). Além do início da imunização na segunda-feira (27), está programada uma ação especial no dia 1º de maio, feriado do Dia do Trabalho, com atendimento em formato drive-thru no pátio da Prefeitura, das 8h às 12h.
A vacina será aplicada apenas em pessoas com idade entre 18 e 59 anos. A meta é alcançar pelo menos 27% desse público, o que corresponde a cerca de 43 mil moradores de Dourados. O imunizante foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan e tem como objetivo prevenir a infecção pelo vírus da Chikungunya, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
A vacina foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em abril de 2025 e será utilizada inicialmente de forma estratégica em regiões com risco elevado de transmissão. Ao todo, cerca de 20 municípios de seis estados devem participar dessa etapa inicial, conforme planejamento alinhado com o Ministério da Saúde. A escolha das cidades levou em conta critérios epidemiológicos, população e capacidade de implementação rápida da vacinação.
Dados do Informativo Epidemiológico mais recente apontam que Dourados tem 4.972 casos prováveis da doença. Destes, 2.074 foram confirmados, 1.212 descartados e 2.900 ainda estão em investigação. Das oito mortes registradas, sete ocorreram entre moradores da Reserva Indígena.
A segurança e a eficácia da vacina foram demonstradas em estudos clínicos realizados no Brasil e nos Estados Unidos. Nos testes realizados em território norte-americano, aproximadamente 99% dos voluntários desenvolveram anticorpos neutralizantes. Em geral, o imunizante apresentou boa tolerância, com efeitos adversos leves a moderados, e capacidade de induzir resposta imunológica com apenas uma dose.
Apesar disso, há uma série de contraindicações. A vacina não pode ser aplicada em gestantes ou lactantes, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas, pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados recentes, pessoas com HIV/Aids e portadores de doenças autoimunes, entre outros grupos específicos. Também não devem ser vacinadas pessoas com febre grave, que tenham contraído Chikungunya nos últimos 30 dias ou que tenham recebido recentemente outras vacinas.
A Chikungunya é uma doença viral caracterizada por febre alta de início súbito e dores intensas nas articulações, principalmente em mãos e pés. Outros sintomas incluem dor de cabeça, dores musculares e manchas na pele. Em casos mais graves, pode haver comprometimento neurológico. Um dos principais impactos da doença é a possibilidade de dor articular crônica, que pode persistir por meses ou até anos.
Sem tratamento antiviral específico, os cuidados são baseados no uso de antitérmicos e analgésicos, além de repouso e hidratação. As autoridades de saúde reforçam a importância de procurar atendimento médico ao apresentar sintomas, para diagnóstico e acompanhamento adequados.
A introdução da vacina em Dourados também será acompanhada por estudos conduzidos pelo Instituto Butantan, que pretende avaliar a efetividade do imunizante em condições reais. O monitoramento incluirá a comparação de casos entre pessoas vacinadas e não vacinadas. Além disso, será realizado um estudo de pós-comercialização para acompanhar a segurança da vacina, incluindo casos de gestantes que tenham sido imunizadas sem saber da gravidez ou que engravidem logo após a aplicação.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta a população a permanecer atenta aos sintomas da doença e buscar atendimento nas unidades de saúde em caso de febre associada a dores no corpo ou nas articulações, contribuindo para o controle da epidemia no município.


