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Interior

Justiça concede liberdade a falso médico acusado de morte e suspende júri

Crime aconteceu em Paranhos, em 2014, quando Marx Ortiz usava documento de médico; ele estava preso desde julho de 2020

Por Silvia Frias | 03/11/2020 11:14
Marx Honorato Ortiz foi preso em julho deste ano, em Campo Grande (Foto/Arquivo)
Marx Honorato Ortiz foi preso em julho deste ano, em Campo Grande (Foto/Arquivo)

A Justiça em Sete Quedas, a 471 quilômetros de Campo Grande, concedeu liberdade a Marx Honorato Ortiz, 42 anos, que atuava irregularmente como médico e foi acusado de ser responsável pela morte de idoso, em 2014, em Paranhos, ao dar diagnóstico errado.

No despacho de 2 de novembro, que concedeu alvará de soltura, o juiz Vinícius Aguiar Milani, da comarca de Sete Quedas, suspendeu o julgamento previsto para este mês, determinando que somente seja reagendado quando for retomado totalmente o trabalho de forma presencial.

Marx Honorato Ortiz estava preso desde dia 28 de julho de 2020, quando foi recapturado em uma casa no bairro Santa Emília, em Campo Grande. A prisão havia sido determinada pois havia denúncia de que Ortiz havia ameaçado testemunhas e o juiz do caso, Vinícius Milani.

As ameaças teriam sido feitas contra testemunhas Marcel Marques Peres, Wilson de Anunciato Chita filho e a advogada Eliana de Oliveira Trindade, esta, da assistência de acusação.

Como havia indícios de ameaças contra o juiz, o serviço de inteligência do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) participou da apuração. A investigação indica que as ameaças foram feitas de aparelho em nome da irmã do réu e até de uma parente de uma das vítimas.

Segundo juiz, os documentos mantém a dúvida concreta de quem seria o responsável pelas ameaças e, por isso, não há elementos que mantenham a prisão do réu. Além disso, também pesou a reavaliação regular a cada 90 dias da prisão.

Milani substituiu a prisão preventiva por medida cautelar de prisão, sendo proibido de manter contato com as três vítimas das ameaças.

Além do alvará de soltura, o juiz suspendeu sessão de julgamento, já que não se trata mais de réu solto. A audiência deverá ser feita de forma presencial.

Homicídio - Consta na denúncia que no dia 14 de dezembro de 2014, no Hospital Municipal de Paranhos, o idoso foi levado para atendimento.

A vítima reclamou de dores de cabeça e que estava vomitando sangue. Segundo o depoimento da filha do idoso, o falso médico realizou um eletrocardiograma, medicou a vítima e liberou o paciente.

No mesmo dia, o idoso retornou ao hospital, sendo medicado e liberado novamente. No início da noite, a filha retornou com seu pai exigindo que ele fosse internado e transferido para Dourados ou Campo Grande. Neste momento, o médico afirmou de forma grosseira que sabia o que estava fazendo e questionou se ela havia feito medicina. A vítima foi então deixada em observação tomando soro no hospital do próprio município e, após algumas horas, morreu.

Quando o caso chegou a polícia, não foi Marx Ortiz quem recebeu a denúncia e sim o médico que ele usava o nome para atender. Em depoimento, afirmou que nunca havia atendido em Paranhos, mas a situação só foi esclarecida quando a filha do paciente confirmou que ele não era o médico que atendeu seu pai. Ao apresentarem Marx, a mulher o reconheceu na hora.

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