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Em Pauta

E o Mato Grosso do Sul não virou uma imensa Inglaterra

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 08/06/2026 07:00
E o Mato Grosso do Sul não virou uma imensa Inglaterra

Estados Unidos ou China? Os investimentos no Mato Grosso do Sul começam à partir dessa escolha. Mas houve um longo tempo em que nosso povo pensava única e exclusivamente na Inglaterra, nem sequer sabiam onde ficavam os EUA ou a China. É verdade que o governo de Riedel participou do Lide Brasil Conference London para apresentar as vantagens competitivas do Estado e diversificar as fontes de investimento estrangeiro, mas ainda não tivemos resultados práticos. Foi um “déjà vu”, uma volta às tentativas de obter investimentos ingleses do passado distante.


E o Mato Grosso do Sul não virou uma imensa Inglaterra

Moutinho, o português que amava a Inglaterra.

O Mato Grosso do Sul não passou despercebido para os ingleses. Colocaram aqui muito dinheiro ao longo dos séculos XIX e XX. Enormes fazendas e indústrias emergiram com as libras inglesas. Mas quem pensou em trazer para cá o dinheiro inglês foi o português Joaquim Moutinho. Escreveu um livro sobre nosso Estado logo após a Guerra contra os guaranis de Solano Lopes.


E o Mato Grosso do Sul não virou uma imensa Inglaterra

Miséria e má administração.

Saltam aos olhos as noticias dadas por Moutinho sobre as incertezas, miséria e má administração do MS. São assustadoras. Algo bem próximo ao apocalipse. O autor vislumbrava obter a permissão do governo brasileiro para a entrada de empresas estrangeiras, sobretudo inglesas, para a exploração de nossas riquezas naturais. Em sua concepção, essa era a única solução para transformar a economia da região. Um homem que enxergou o óbvio muito antes de todo mundo.


E o Mato Grosso do Sul não virou uma imensa Inglaterra

Isolamento, o diagnóstico de Moutinho.

Para Moutinho, o conflito com o Paraguai ensejou a extinção da atividade de comercialização de gado entre os fazendeiros do MS e os Estados de São Paulo e Minas Gerais, que existia desde 1.848. O comércio estava impedido devido ao quase extermínio de cavalos pela doença das cadeiras. Sem cavalos, o comercio de vacas desapareceu. Mineiros e paulistas não traziam cavalos para vender em nosso território devido à distancia. Além disso, os vaqueiros tinham desaparecido, não havia gente para trabalhar nas fazendas, os homens experientes tinham sucumbido na guerra. O gado manso também tinha sumido, só restava o gado selvagem. Enfrentávamos um dos maiores dilemas de nossa história. Sem dinheiro, sem comercio, sem gado, sem cavalo e sem peão, as fazenda poderiam desaparecer. A salvação, imaginava Moutinho, viria da Inglaterra.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.