Em busca do rejuvenescimento intestinal: a história do peixe azul
Nos lagos de Moçambique e do Zimbábue, há pequenos peixes azuis chamados “killifishes”. Belíssimos, parecem peixinhos de aquário. Mas quando o assunto é pesquisa sobre envelhecimento, eles são campeões. Como eles tem uma vida muito curta, vivem apenas algumas semanas, são excelentes para estudos sobre envelhecimento. Os pesquisadores conseguem resultados com rapidez.
As bactérias do intestino do peixe azul.
Como todos os animais, os minúsculos killifishes tem microbiomas em seus intestinos. Muitas das espécies bacterianas desses peixes são as mesmas que vivem em você e em mim, é por isso que eles são modelos para estudar o rejuvenescimento do intestino. Os alemães, por exemplo, só estudam rejuvenescimento usando os killifishes.
Antibiótico neles!
Os pesquisadores alemães criaram killifishes até que atingissem a meia idade e, em seguida, aplicaram uma série de antibióticos neles para erradicar as bactérias em seus intestinos. Só isso já foi suficiente para ajudar os peixes a viverem mais. Porém, os pesquisadores também queriam saber se as bactérias intestinais poderiam ser benéficas. Recolonizaram os peixes com bactérias de peixes jovens. Esse tratamento prolongou a vida dos killifishes mais que o tratamento com antibióticos. Parece que certas bactérias intestinais podem ajudar a nos manter jovens. Mas elas são exatamente as que perdemos quando envelhecemos. Envelhecer é, também, perder bactérias camaradas.
O papel das fibras.
Não estou recomendando que tomem antibiótico como se fosse caramelo. Pelo contrário, podem ser extremamente perigosos. Mas há algo que podemos fazer sem custo algum e também sem risco. Comer uma boa quantidade de fibras. O que os alemães descobriram foi que as bactérias camaradas são aquelas que vivem comendo fibras. Assim, se lhes dermos muitas fibras, permanecerão nos trazendo muitas boas noticias intestinais. As camaradas produzem um composto chamado “butirato”, que traz vários efeitos benéficos para nossa saúde.
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