23/08/2019 13:39

Após bater cabeça contra parede, Nando é levado pelo Samu a posto

Sentado no banco dos réus pela primeira vez, Nando se estapeou durante o seu 10º julgamento

Anahi Zurutuza e Clayton Neves
Nando deixando o Fórum; ele usa bolsa de colostomia (Foto: Henrique Kawaminami)Nando deixando o Fórum; ele usa bolsa de colostomia (Foto: Henrique Kawaminami)

Depois de ser retirado do Tribunal do Júri e dentro de sala do Fórum de Campo Grande bater com a cabeça três vezes contra a parede, Luiz Alves Martins Filho, 54 anos, o Nando, foi levado em ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para o CRS (Centro Regional de Saúde) do Tiradentes onde passará por avaliação médica.

Sentado no banco dos réus pela primeira vez, Nando se estapeou durante o seu 10º julgamento. Até agora, todas as participações dele eram por videoconferência porque o réu estava tratando uma tuberculose.

Quando foi depor, Nando chorou, puxou os cabelos e deu tapas no próprio rosto diante do júri. Ele garante que apanhou da polícia para confessar os crimes atribuídos a ele e ameaça pedir indenização por ficar preso injustamente. Até agora, Nando já foi condenado a 104 anos e 10 meses de prisão.

O promotor de Justiça Douglas Oldegardo classificou como “teatro patético” o episódio. Enquanto ele falava, um dos fotógrafos que cobria o julgamento fazia imagens de Nando. Nervoso com a situação, o réu se exaltou, mostrou o dedo do meio para o profissional e disse esfregando o rosto: “Satanás você existe, satanás...”.

O defensor público Rodrigo Antônio Stochiero, que faz a defesa do réu, pediu para Nando se acalmar, mas não teve jeito. Ele continuou inquieto e teve que ser algemado e deixar o plenário a pedido do juiz.

Na sala para onde foi levado, ele continuou nervoso e então bateu a cabeça contra a parede. Um médico do Fórum deu os primeiros atendimentos e o Samu foi chamado. Nando deixou o local andando e sem ferimentos aparentes. Mais uma vez, ele xingou a imprensa. Veja o vídeo:

O júri - Nando é julgado pelo assassinato de Eduardo Dias Lima, 15 anos, que na época era conhecido por Eduardinho, no Bairro Danúbio Azul. Segundo a acusação, o adolescente foi asfixiado com uma correia de máquina de lavar roupa por furtar a casa do réu. O crime aconteceu no dia 2 de dezembro, na Rua dos Astronautas, no Jardim Veraneio.

Ainda conforme apurou a polícia na época, após o assassinato, o corpo do garoto foi enterrado por Nando e Michel Henrique Vilela Vieira, 24 anos, recorreu do julgamento e aguarda decisão da Justiça. Porém, os restos mortais da vítima nunca foram localizados.

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