06/02/2019 11:00

No Cetremi, migrantes dormem em colchões infestados de percevejos

Devido ao calor e falta de camas, muitos acolhidos das ruas estão dormindo no pátio central da unidade

Danielle Valentim
Ala dos migrantes conta com dois quartos e um bagageiro. (Foto: Divulgação/Assessoria)Ala dos migrantes conta com dois quartos e um bagageiro. (Foto: Divulgação/Assessoria)

Acolhidos das ruas de Campo Grande e migrantes de outros estados do Brasil estão sofrendo com a situação do Cetremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante). Na última semana, visita do vereador Lívio Viana de Oliveira Leite (PSDB) constatou lotação e infestação de percevejos nos colchões da unidade.

Ala dos migrantes também está infestada por percevejos.  (Foto: Divulgação/assessoria)Ala dos migrantes também está infestada por percevejos. (Foto: Divulgação/assessoria)
Após pernoite acolhidos das ruas são levados ao Centro, novamente. (Foto: Divulgação/assessoria)Após pernoite acolhidos das ruas são levados ao Centro, novamente. (Foto: Divulgação/assessoria)

Até janeiro de 2017, o centro atendia cerca de 100 pessoas, com refeições e pernoite. Na época, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) visitou a unidade e admitiu a necessidade de o local passar por adequações, principalmente, com relação à organização do espaço e separação por sexo.

Agora, em 2019, o número chega a 120 pessoas e 145 aos fins de semana. Ainda na visita, o vereador confirmou que há quatro alojamentos para moradores de rua, sendo um masculino, um feminino, um quarto para idosos e um para famílias (ou que estiver com criança). Já a ala dos migrantes conta com dois quartos e um bagageiro.

O vereador Lívio constatou, ainda, que devido ao calor e lotação, os acolhidos da rua estão dormindo no pátio. Não há camas e beliches suficientes e os colchões são colocados no chão do pátio central.

O Campo Grande News indagou a assessoria de imprensa da SAS (Secretaria de Assistência Social) sobre as denúncias, a existência de programação de melhorias na unidade e se, ainda, há a disponibilização de passagens ou trabalho para os migrantes.

 

Banheiros na unidade.  (Foto: Divulgação/assessoria)Banheiros na unidade. (Foto: Divulgação/assessoria)
Acolhidos reunidos pela manhã. (Foto: Divulgação/assessoria)Acolhidos reunidos pela manhã. (Foto: Divulgação/assessoria)

Em nota, a SAS explicou que no âmbito da Assistência Social, o Cetremi acolhe adultos e famílias provisoriamente em situação de rua e desabrigo por abandono, migração e ausência de residência ou pessoas em trânsito e sem condições de se sustentarem.

Além disso, pontua que os acolhidos são atendidos por uma equipe técnica de nível superior, psicólogos e assistentes sociais, que auxiliam no PIA (Plano Individual de Atendimento).

Sobre o trabalho formal, a SAS garante que ainda há encaminhamento dos acolhidos por meio das políticas públicas específicas. De acordo com o PIA, se houver solicitação para reintegração familiar ou busca de trabalho em outras cidades, é concedido o benefício eventual de passagem rodoviária.

A SAS nega a infestação e garante que a imunização e controle de pragas - realizada periodicamente - está dentro do prazo de validade. Com relação a promessa de melhorias no local, a assesosria de imprensa informou que está em andamento já para o ano de 2019 o processo licitatório para a reforma e adequações da estrutura física e aquisição de mobiliários necessários.

Assista ao vídeo gravado pelo vereador:

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