16/07/2017 09:16

Afinal, por que sonhamos

Mário Sérgio Lorenzetto
Afinal, por que sonhamos

Contam que a Bram Stoker sonhou seu "Drácula ", o mesmo que ocorreu com Mary Shelley com o "Frankenstein", Stevenson com "Jekyll e Hyde" , inclusive Paul MacCartney com "Yesterday". Apesar de todas as teorias, experimentos e reflexões, sobre essa questão que fascina o ser humano desde sempre, a resposta curta à pergunta " por que sonhamos" continua a mesma - não sabemos. Oxalá soubéssemos.
No século XXI não cremos, como na antiguidade, que os sonhos tenham caráter sobrenatural. Mas, curiosamente, apesar de toda a ciência acumulada, custa enterrar sua interpretação profética. Um estudo de 2009 descobriu que muitas pessoas cancelariam um voo se sonhassem na noite anterior que um avião caia.

Afinal, por que sonhamos

A primeira tentativa de análise científica dos sonhos.

No final do século XIX, Sigmund Freud lançou seu "Interpretação dos sonhos". Rapidamente virou um best-seller. Muitos pensavam que no livro encontrariam as explicações para seus sonhos. Seria algo semelhante a um dicionário de sonhos. Decepção. O livro, além de leitura pegajosa, não é um dicionário de sonhos. É uma hipótese que diz que os sonhos são manifestações de desejos do subconsciente. Maior decepção ainda é descobrir que a ideia era muito antiga, pertencia a Aristoteles e a Platão.

Afinal, por que sonhamos

A interpretação biológica dos sonhos.

Já na época de Freud havia outra corrente de médicos que acreditavam que os sonhos deviam ter uma explicado biológica. Por dezenas de anos ninguém quis saber deles. Mas os estudos prosseguiram. Nos anos 1950, apresentaram a tese de que os sonhos apareciam em uma fase de grande movimentação cerebral e movimentos oculares intensos que denominaram de REM. Era uma abordagem mais orgânica.

Afinal, por que sonhamos

O arquivo de imagens do cérebro na hora dos sonhos.

Nos anos 1970, entraram em evidência pesquisadores de Harvard. Teorizam que nossos pensamentos, na hora do sonho, retirariam de nossos arquivos cerebrais as imagens, sons e experiências que tentam dar algum sentido aos sonhos. Seria algo como uma síntese, a união de várias atividades cerebrais para construir uma história, uma narrativa, ainda que mirabolante.
Hoje, sabemos que os sonhos não ocorrem apenas na fase REM. A ciência também comprovou que essa fase também ocorre em muitos outros animais. A única conclusão aceita por todos é bem óbvia: os sonhos não refletem muito nosso cotidiano e é algo que se assemelha a muitas narrativas do tipo "Alice no País das Maravilhas ". O mais interessante é que os sonhos participam da consolidação de nossas memórias. Um tipo de "cimento" de memórias que são unidas ao nosso catálogo de emoções.

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