15/03/2013 08:29

Sem campo e vivendo de favores, Comercial completa sete décadas

Gabriel Neris
Jogadores treinam em campo cedido. Prática se tornou comum este ano (Foto: Divulgação/EC Comercial)Jogadores treinam em campo cedido. Prática se tornou comum este ano (Foto: Divulgação/EC Comercial)

Clube com o maior número de títulos entre os participantes do Campeonato Estadual, oito ao todo, o Esporte Clube Comercial comemora 70 anos nesta sexta-feira (15). A alegria por mais um aniversário é coberta pela atual situação do time.

A programação de aniversário passará em branco pelo clube e será comemorada discretamente hoje pelos torcedores da organizada Falange Vermelha no bairro Oliveira II.

Sem campo atualmente para treinar, o time depende da boa vontade de associação de moradores. A falta de estrutura reflete no desempenho da equipe. Depois de ser lanterna do Estadual, o time está na quinta posição do grupo A e luta por uma vaga na segunda fase do torneio.

O diretor de futebol, Amarildo Carvalho, acompanha de perto a realidade do time. Como jogador, ele atuou somente no rival Operário, mas se identificou com o clube vermelho e branco como treinador. “O torcedor tem que comemorar, não importa se está bem ou se está mal, apesar dos últimos anos, está capengando em termos de estrutura”, cita.

Amarildo lembra da Vila Olímpica, perdida por decisão judicial para pagar dívidas trabalhistas. Com o atual diretor na função de técnico, o Comercial conquistou os títulos de 2001 e 2010 do Estadual, últimos troféus levantados pelo clube. “O Comercial sobrevive do nome, como o Operário. A esperança é que os dois vão se reerguer, que vão aparecer investidores”, comenta.

“Aqui sobrevive paixão, senão ninguém estaria aqui. Somos heróis do esporte sul-mato-grossense”, valoriza.

Para o ex-presidente Carlos Alberto de Assis, mandatário até o final do ano passado, o Colorado resiste bravamente. “O Comercial só vai desaparecer o dia que Deus envelhecer”, cita a frase dita pelo ex-deputado Nelson Trad.

“Tem que parabenizar os comercialinos, principalmente os que vão ao campo. Só em manter a história viva é motivo de orgulho. Vou acreditar sempre”, desabafa.

A nova gestão assumiu a direção do clube apostando em oito anos de trabalho. O ex-presidente acredita que o tempo será suficiente, mas se contenta com pouco. “Só o fato de não cair já é motivo de alegria. É um novo projeto, o que foi prometido eu confio que o time brigará por títulos e voltará ao cenário nacional”, complementa.

O torcedor Valter Fernandes Reis, de 46 anos, coloca a culpa da queda do Colorado no calendário brasileiro. Mais precisamente em 1986. “Foi por causa do Clube dos 13. Sem representante no Brasileiro o investimento é difícil. Se tivesse segunda divisão naquela época o clube estaria grande”, reclama.

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