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Artes

Obra feita com retalhos da avó ganha espaço em museu do Bioparque Pantanal

Instalação têxtil no aquário une arte, ciência e reciclagem

Por Thailla Torres | 29/11/2025 09:14
Obra feita com retalhos da avó ganha espaço em museu do Bioparque Pantanal
Um dos pontos mais marcantes do trabalho é que ele foi feito com retalhos de roupas da avó da artista

O Museu Interativo da Biodiversidade (Mibio), no Bioparque Pantanal, ganhou uma nova obra que une arte e ciência. A instalação, chamada “Interações”, faz parte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) e reforça a proposta do aquário de promover cultura, educação ambiental e sustentabilidade.

A obra é feita de tecido e fala sobre como tudo na natureza está ligado: organismos, memórias e territórios. A ideia é que o visitante se veja como parte de um grande organismo, onde tudo se transforma e convive junto.

Um dos pontos mais marcantes do trabalho é que ele foi feito com retalhos de roupas da avó da artista, além de pedaços de roupas da família e até de pessoas desconhecidas. O reaproveitamento dos tecidos destaca a importância da arte sustentável e conversa com o “Programa ESG Bioparque”, que incentiva reciclagem, responsabilidade ambiental e novas formas de criação. A exposição também aborda os 5R’s: reciclar, reduzir, recusar, reutilizar e repensar.

A artista Luana Taminato Roque, conhecida como Pitchuqué, conta que a memória afetiva está no centro do projeto. “Esta obra é um convite para perceber as interações. Ela foi construída com retalhos de roupas da minha avó, da minha família e de pessoas desconhecidas. Carrega essa memória afetiva, mas também revela o potencial do que um simples retalho pode se tornar”.

O tema da reciclagem é urgente. Segundo o Sebrae, o Brasil produz 170 mil toneladas de resíduos têxteis por ano, e só 20% é reciclado. O restante acaba em aterros ou no meio ambiente.

Para a bióloga Paula Machado, a obra também lembra os manguezais. “Me remeteu bastante os manguezais, com suas raízes pneumáticas que se desenvolvem em locais alagadiços e saem para fora das árvores”.

A diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, reforça que a instalação será uma ferramenta de aprendizagem. “A obra dialoga diretamente com a ciência ao representar, por meio das raízes das árvores, a complexa rede de interações que sustenta a vida. Assim como as raízes se entrelaçam no solo para manter um ecossistema saudável, os tecidos reutilizados simbolizam pessoas, histórias e identidades diversas que se conectam para formar um todo”.