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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

20/07/2019 08:00

A vontade de estar junto morre quando a cobrança da amizade insiste?

No Dia do Amigo, o Lado B foi às ruas saber como a cobrança da amizade interfere nas relações

Thailla Torres e Danielle Valentim
Luana (à esquerda), Juliana Bozo (ao centro) e Andressa Nantes (direita). (Foto: Marina Pacheco)Luana (à esquerda), Juliana Bozo (ao centro) e Andressa Nantes (direita). (Foto: Marina Pacheco)

O caminho para construção de uma amizade verdadeira carece de afeto, mas sem cobranças. Quando esse dilema surge na relação entre amigos, o afeto pode até continuar, mas a vontade de estar junto e de trocar, some. Hoje, 20 de julho, é “Dia do Amigo”, e o Lado B foi às ruas saber como a cobrança da amizade interfere nas relações e até que ponto é possível aturar aquele amigo que com tempo ganha o título de “chato de galocha”.

E as cobranças vão desde a necessidade que o outro tem de estar sempre junto ao ciúme exagerado porque o melhor amigo fez novas amizades. Detalhes que parecem bobos no primeiro momento, mas fazem com que, de repente, o amigo próximo se distancie ou canse de estar junto.

Amigas há 15 anos, Luana, Juliana e Andressa entregam até currículos juntas, mas acreditam que a cobrança depende da fase e, por isso, quando estão juntas, aproveitam o máximo, colocando o papo em dia até na praça. “É meio difícil manter o vínculo sem cobrança. Nós precisamos entender que quando há amizade, o amor continua o mesmo, independente da distância. Mas não tem de ficar cobrando a pessoa 100%. Eu já cobrei e também fui cobrada”, explica a acadêmica de psicologia Luana Lopes, de 20 anos.

O problema, na visão dela, é maior com as novas amizades. “Amigos de um ano para cá cobram mais. Aí, eu sempre digo: gente, o que vocês estão cobrando?”, conta.

Luana (calça nude) diz que sofre mais com amizades recentes. (Foto: Marina Pacheco)Luana (calça nude) diz que sofre mais com amizades recentes. (Foto: Marina Pacheco)

Para a estudante Juliana Bozo, 20, a cobrança é maior com a imaturidade. “Até dentro da nossa amizade tivemos fases de união e distância. Agora, estamos todas próximas de novo. Mas acho que a cobrança está muito ligada a idade. Antigamente eu ficava brava de não ser convidada, hoje, isso é tranquilo”, conta.

Já a estudante Andressa Nantes, de 17 anos, defende que o cotidiano corrido tem distanciado amizades, por isso, a cobrança surge. “A correria do dia a dia separa muito as amizades e, é nessa hora, que temos que nos adaptar”.

A auxiliar administrativa Raquel de Oliveira, de 45 anos, e a filha Isabelle Oliveira, de 18, já tiveram várias experiências com amigos cobradores.

“Sou cobrada constantemente porque não saio de casa. E não é porque eu não gosto dos meus amigos, mas não tenho costume de sair mesmo. Como não faço a minha parte não cobro as outras pessoas. Mas amizade é para aceitar diferenças”, avalia.

Ele acredita que ficar grudado com o amigo é fatal para uma amizade que não aprende lidar com o tempo. “As pessoas acham que temos que viver “colados”. Mas a nossa rotina deixa tudo mais complicado e você acaba se afastando. E esse negócio de que quando se encontra é a mesma coisa não serve para todos. Tem gente que joga na nossa cara o sumiço e nunca mais trata igual, perde a conexão”, afirma Isabelle.

Raquel e Isabelle são do tipo “caseiras” e já passaram várias experiências. (Foto: Marina Pacheco)Raquel e Isabelle são do tipo “caseiras” e já passaram várias experiências. (Foto: Marina Pacheco)

Para alguns, a estratégia é cortar o mal pela raiz ou ficar mesmo nas redes sociais. “Se eu for cobrar as pessoas, eu vou passar uma vida cobrando. E se a minha própria família não vai à minha casa, quem dirá os amigos”, diz o funcionário público Delcídio Rezende, de 53 anos.

Já o professor Juliano Ferreira, de 38 anos, diz que a amizade atual é mesmo no WhatsApp. “Até para conversar é no vídeo. A cada dois ou três anos a pessoa te convida para um café, mas só. Em Campo Grande as pessoas têm essa dificuldade com amizade”, acredita.

Delcídio Rezende, de 53 anos, diz que nem a família o procura, quem dirá os amigos. (Foto: Marina Pacheco)Delcídio Rezende, de 53 anos, diz que nem a família o procura, quem dirá os amigos. (Foto: Marina Pacheco)

Psicologia explica – Do ponto de vista profissional, a psicóloga Joana Tereza Simczak explica que a cobrança da amizade está ligada inteiramente “com uma necessidade pessoal de ser visto e percebido”.

“Quando uma relação fica pesada é porque não está mais fazendo bem. Isso é uma relação tóxica porque em uma amizade de verdade não existe cobrança, existe uma afinidade, amor e carinho”, observa.

Joana destaca que boa parte da cobrança pode estar ligada ao vazio que o outro sente, embora tenha grandes amigos. “Essa cobrança, até mesmo pelas redes sociais, é para fortalecer um ego que está murcho, vazio e não se olha. Isso significa que esse ser humano precisa olhar para si e não para o outro”.

Quando um dos lados não troca, não existe amizade. E quando um desses dois lados é dependente “emocionalmente do outro” com cobranças do tipo “fulano saiu e não me ligou”, “fulano fez festa e não me convidou”, até parece fácil colocar a culpa na mão do outro, mas com o tempo a amizade dá sinais de esquecimento. “E isso, às vezes, é natural. Porque as pessoas mudam de vida e nem sempre permanecem na mesma sintonia. Cabe ao outro conversar ou entender que não existe realmente uma amizade ali”.

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