A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

23/03/2018 06:05

Rosângela escolheu ir à luta depois de ver Eloah nascer e partir aos 5 anos

Thailla Torres
Eloah, distribuiu alegria à família durante cinco anos de vida. (Foto: Arquivo Pessoal)Eloah, distribuiu alegria à família durante cinco anos de vida. (Foto: Arquivo Pessoal)

Não existe morte para uma mãe que conheceu o sorriso de um filho. Para Rosângela da Fonseca Ferreira cinco anos de vida foram suficientes para Eloah transformar a casa. A menina partiu em menos de um mês e hoje a ausência virou lembranças de alegria.

Eloah nasceu em 2012, com Síndrome de Down, quando Rosângela não imaginava ser mãe novamente. "Eu já tinha três filhos e minha caçula tinha 20 anos. Imagina a surpresa que foi ter uma filha aos 43 anos".

Até que Eloah chegou e transformou tudo. Primeiro, pelo diagnóstico da Síndrome ainda no parto, depois pela luta que essa realidade exige.

Hoje Rosângela veste a camisa. Hoje Rosângela veste a camisa.

"Eloah veio para ensinar e me transformou. Até então, eu nem sabia o que era Síndrome de Down, muito menos enxergava uma criança como ela e nem parava para observar as pessoas". 

Eloah tornou-se a alegria da casa, a sorriso gostoso, a felicidade sincera. Não passava despercebida pela família, onde estivesse tinha que distribuir beijos e abraços. Foi assim durante cinco anos de vida.

Até que um diagnóstico doloroso tirou Eloah de perto da mãe dentro de um mês. "Foram exatamente 30 dias. Descobrimos que ela tinha Leucemia Mielóide Aguda, não deu tempo de nada e faleceu", conta.

Sem mencionar muitos detalhes dos últimos dias de vida da filha, Rosângela lembra que durante muito tempo tentou, em lágrimas, entender o que tinha acontecido. "Porque justo a minha filha?", questionou. "Eu cuidava tão bem dela, amava, respeitava, me dedicava, fui mãe de verdade", justifica.

Até que a imensa alegria de Eloah ocupou o lugar do sofrimento. "Eu tinha duas opções, morrer porque essa é pior dor que uma mãe pode suportar ou viver, por tudo que ela fez de bom nesse mundo enquanto esteve presente".

Eloah partiu há 6 meses, aos 5 anos de vida.Eloah partiu há 6 meses, aos 5 anos de vida.

Rosângela então escolheu ficar de fora dos piores sentimentos e passou a falar de Eloah para o mundo. Hoje além de trabalhar em uma escola, ela passou lutar pela inclusão e desenvolve projetos sociais para ajudar crianças carentes. "Resolvi ir à luta porque cada sorriso é uma forma de preencher o espaço onde Eloah não está. Isso me alimenta e o que ela me deixou, foi saber viver em harmonia com as pessoa para oferecer o que há de melhor no ser humano, o amor".

E como tristeza não era o perfil da filha, ela passou a lembrar com alegria cada momento feliz ao lado de Eloah. "Ela trouxe em cinco anos o que eu demorei uma vida toda para entender sobre o papel de ser mãe. De cuidar e amar incondicionalmente.E ela foi a responsável por toda essa transformação".

Ela recorda que só depois dos 43 anos, aprendeu a dar valor em cada fase da vida. "Quando a gente é nova e tem um filho, às vezes ele inicia várias fases na vida que na correria a gente não percebe, mas com a Eloah eu não perdi um segundo. Esperava todos os dias pelos acontecimentos, nunca deixei de ver o primeiro passo, sorriso e primeiro mamãe. Soube todas as datas de cada detalhe, porque desde quando ela nasceu, eu vivi o que é ser mãe de verdade"

A Síndrome de Down passou ser uma celebração à altura. "Ela veio para somar nisso, porque eu só enxerguei a síndrome depois que fui mãe. Passei a lutar pela causa, pela inclusão, contra a dor e o preconceito".

Hoje, participante ativa de um grupo de troca de experiência com pais e familiares de portadores da síndrome, Rosângela faz ações e dá palestra sobre tudo que aprendeu com a filha. "Ela chegou pra me ensinar e foi embora. Hoje estou aqui para servir".

A mãe admite que apesar da ausência, não aceita estar de fora do mundo que a filha deixou. "Quando ela partiu eu não aceitava, ainda não aceito, por isso continuarei lutando pela causa dela. Se eu viver 100 anos, ainda vou estar à disposição. Um dia sei que vou encontrá-la e quero que ela tenha orgulho de mim".

Deixou um legado de amor e alegria. Deixou um legado de amor e alegria.
Que hoje é a força que a mãe encontrou para seguir em frente.Que hoje é a força que a mãe encontrou para seguir em frente.


imagem transparente

Classificados


Copyright © 2018 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.