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Comportamento

O que os carros são capazes de dizer sobre as mulheres?

Por Ângela Kempfer | 08/03/2012 08:00
O carro da pedagoga Cleide Pinheiro Martins. (Fotos: João Garrigó)
O carro da pedagoga Cleide Pinheiro Martins. (Fotos: João Garrigó)

Explicar a um homem porque o carro de uma mulher é capaz de carregar tantas coisas quanto uma bolsa pode parecer desculpa esfarrapada, mas aos poucos, apelando para a reflexão, até o sexo oposto concorda: “elas têm esse direito”.

No carro de muitas amigas a organização é fácil de entender: os sapatos vão atrás, junto com os casacos das crianças e algum brinquedo, além do papel de bala. Na frente, há água mineral, roupa de ginástica, um potinho com comida, revistas e livros.

A pedagoga Cleide Pinheiro Martins é uma dessas que leva um mundo dentro carro, mas é cuidadosa, mesmo no meio de um amontoado de objetos que um homem pode chamar de bagunça.

Os livros do doutorado em Gestão Ambiental estão no banco traseiro, junto da lata de refrigerante que Cleide guardou para “não jogar na rua”.

No chão, atrás do banco da motorista, há uma toalha bordada, para servir de tapete às bolsas e assim evitar que estrague ou suje. Ainda dá para ver chinelos, salgadinhos, um guarda-chuva e algumas revistas.

No painel fica uma rosa vermelha artificial, um toque romântico no carro preto da mulher que fica transparente em uma leitura rápida do interior do veículo. “Trabalho 8 horas por dia. Ainda tem as tarefas de casa, o supermercado. Não sobra tempo para mais nada. Um pouco de cada tarefa vai ficando assim, no carro”, justifica.

Ivan diz que já tirou até rato morto de carro de mulher.
Ivan diz que já tirou até rato morto de carro de mulher.

Fernanda Sábio não é mãe, mas aos 22 anos já tem a vida preenchida pelas tarefas do comércio que administra. No carro, dá para perceber que a menina é festeira. A erva de tereré forma um tapete no banco do passageiro, mas a coisa costuma ser pior, confessa. “Já tive 4 sapatos dentro do carro e as roupas. A gente não gosta de perder tempo, já deixa tudo aqui para agilizar. Consegue fazer muitas coisas ao mesmo tempo e quando resolve sair, já vai se trocando”.

Dono há 13 anos de um lava-jato, Ivan Pereira diz que já tirou até rato morto de carro de mulher. Concorda que a rotina feminina é um argumento plausível (afinal hoje é 8 de Março, o dia "delas"), mas não poupa risadas ao contar histórias das clientes atarefadas que de tantas funções na cabeça acabam produzindo munição para os homens.

“Nunca elas deixam só um par de sapatos, são dois, três pares, sem contar o chinelo. Ainda tem os restos de maquiagem, de comida das crianças e as roupas. Elas deixam a metade da vida dentro do carro”, diz.

Ele garante que as mulheres são 50% mais “bagunceiras” do que os homens e a explicação vem de um dos maridos.

“Nem tento mudar, porque fico com vergonha.

Minha mulher faz três vezes mais do que eu por dia. Não tenho esse pique de trabalhar o dia inteiro e ainda sair para levar criança em shopping e depois terminar a noite na academia”, admite o contador Euclides Fernandez, de 42 anos.

Ana Cristina tem o carro impecável, apesar dos 3 filhos.
Ana Cristina tem o carro impecável, apesar dos 3 filhos.

O pior é que com tantos compromissos, ainda há aquelas que arrumam um tempo para deixar o carro sem qualquer vestígio da correria. Ao estacionar na avenida Afonso Pena, para uma caminhada às 16h, Ana Cristina não faz cerimônia para abrir as portas ao fotógrafo. No interior, nada além de dois assentos de criança.

A mãe de 33 anos garante que há um mês não coloca o carro para lavar, mas nem farelo encontramos no veículo, apesar de ser o transporte de 3 crianças, uma escadinha de 7, 4 e 3 anos de idade. “Acho que isso é coisa de personalidade. Sempre fui assim, organizada”, comenta.

Juliana Quintana é ainda mais surpreendente. Com a filha Maria Eduarda no banco de trás, a mãe da menina de apenas 5 meses tem as unhas bem feitas, o cabelo arrumadinho, usa colar, brincos, batom e revela que nem a maternidade recente e todo o trabalho que uma criança é capaz de dar consegue zerar o tempo para os detalhes.

No porta-luvas uma flanela é estrategicamente colocada ao lado de um perfume de ambiente para deixar o carro “sempre 100%”. Juliana é tão organizada que leva para cima e para baixo uma agenda já para anotações sobre o aniversário de 1 ano de Maria Eduarda, que será apenas em setembro. “Eu sou mãe, né”, resume.

O porta-luvas muito bem organizado no carro de uma mãe.
O porta-luvas muito bem organizado no carro de uma mãe.
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