Famoso por fechar a florada, ipê-branco já “despertou” em avenidas da cidade
Com o tempo seco, as folhas caem para dar lugar às flores que colorem a área urbana

Mais conhecido por fechar a temporada das cores, o ipê-branco já começou a florir em avenidas de Campo Grande, como na Ministro João Arinos e na Duque de Caxias. O despertar das plantas do Cerrado se antecipou até mesmo à primeira onda de frio intenso, prevista para chegar no próximo fim de semana.
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Ipês brancos já começam a florir em avenidas de Campo Grande antes mesmo da primeira onda de frio intensa prevista para o fim de semana. Segundo especialistas, o fenômeno ocorre porque alguns indivíduos florescem fora de sincronia com a espécie. A floração dos ipês segue uma ordem: primeiro o rosa, depois o amarelo e, por fim, o branco, cuja beleza dura apenas dois dias.
“Essa florada não é comum. Eles não deveriam estar florindo agora. Mas algum mecanismo fisiológico dele disparou”, afirma o biólogo José Milton Logo. Ele explica que o principal regulador da florada dos ipês é a temperatura.
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“O ipê branco deveria estar mais para frente mesmo. Geralmente, ele costuma fechar o ciclo das cores dos ipês, que começa com os rosas, roxos, amarelos e depois, lá no final, vem o branco. Às vezes, ele florescia nesses interstícios. Mas não deveria estar florescendo porque a gente está com temperatura acima da média”.
Professor na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o botânico Flávio Macedo Alves afirma que se trata da florada de alguns indivíduos. “Uma planta aqui, uma planta ali e uma planta acolá florescer não sincronizada com o restante da sua própria espécie é comum, não é uma excentricidade”, diz Flávio.
O botânico lembra que, em geral, a florada segue uma paleta de cores. “Cada ipê floresce baseado numa condição ambiental perfeita para ele. O primeiro ipê que vai florescer, que é o ipê rosa, ele geralmente vai florescer estimulado pelas frentes frias que entram aqui em Campo Grande”, afirma.
Com o tempo seco, as folhas caem para dar lugar às flores. “É uma planta de ambiente sazonal. Esse primeiro ipê é estimulado pela frente fria e pelo fotoperíodo, que é a diferença do tempo de luz e de escuro. Vem o rosa, que tem três espécies na cidade. Temos cinco espécie de ipês amarelos em Campo Grande, que vão florescer no final de julho. E. por fim, tem o ipê branco”, explica o professor.
A beleza do ipê branco é a mais efêmera, com floração que dura dois dias. Caso o frio venha mesmo no fim de semana, as flores rosas devem começar a colorir Campo Grande após um mês.
Os ipês têm papel importante na arborização urbana e na recuperação de áreas degradadas. Árvores proporcionam conforto térmico, reduzem a poluição, absorvem ruídos e melhoram a qualidade do ar.
Das 175 mil árvores que se espalham pelas calçadas de Campo Grande, a maioria é o oiti, que totaliza 27,6%. As outras espécies com mais árvores na Capital são: figueira (5,7%), murta-de-cheiro (4,4%), ipê-rosa (3,7%) e sibipiruna (3,7%).
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