Campo Grande e Turim renovam parceria de olho em novos negócios
Prefeita Adriane Lopes e prefeito de Turim, Stefano Lo Russo destacaram oportunidades de negócios com a Europa

Campo Grande e Turim, na Itália, reforçaram nesta quarta-feira (2) o acordo de cidades irmãs firmado há mais de duas décadas, com foco na ampliação das relações econômicas e sociais entre os dois municípios. A assinatura ocorreu durante reunião na Prefeitura de Campo Grande, que contou com a presença do prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, da prefeita Adriane Lopes e de representantes da comunidade italiana.
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A parceria foi apresentada como uma oportunidade para aproximar Campo Grande de empresas e cidades industrializadas da Europa e criar novas possibilidades de investimentos. Para Adriane, a intenção é aproveitar o momento de expansão econômica da Capital e a posição estratégica do município com a Rota Bioceânica para ampliar as conexões internacionais.
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“Atualmente Campo Grande tem o PIB acima da média esperada para o país, e está em pleno crescimento e expansão. Nós estamos nessa busca de novas conexões com cidades industrializadas, como é o caso de Turim”, afirmou a prefeita.
Segundo Adriane, a aproximação também pode contribuir para o crescimento do parque industrial de Campo Grande. Ela destacou que a Capital está no centro da Rota Bioceânica e que o município pretende estreitar relações com a Europa para favorecer a chegada de novas indústrias.
“Hoje nós estamos no centro da Rota Bioceânica, e queremos estreitar o contato com a Europa para fortalecer a chegada de indústrias na cidade”, disse.
Durante a reunião, Stefano Lo Russo avaliou que Mato Grosso do Sul ainda é pouco conhecido no cenário empresarial italiano e europeu, o que, na visão dele, representa uma possibilidade de expansão para empresas que buscam novos mercados.
“Quando a gente escuta falar sobre o Brasil, muito se ouve sobre São Paulo e outros estados, pouco se escuta sobre Mato Grosso do Sul. Esse é um cenário ainda pouco explorado pela Itália e demais países europeus”, afirmou.
Para o prefeito de Turim, justamente por ainda haver espaço para ampliar esse conhecimento sobre Mato Grosso do Sul, a aproximação entre as duas cidades pode abrir novas oportunidades para empresas italianas interessadas em atuar no Estado.
A prefeita também citou o potencial de Campo Grande na produção e exportação de grãos e celulose. De acordo com ela, a cidade é a segunda do Estado em produção e exportação desses produtos, mas o objetivo é avançar no processamento das matérias-primas dentro do próprio município.
A proposta é agregar valor aos produtos antes da comercialização, estimulando a instalação de empresas e ampliando a atividade industrial na Capital.
Acordo de mais de 20 anos - A cooperação entre Campo Grande e Turim foi formalizada em 29 de maio de 2002 e não possui prazo de validade. O acordo prevê intercâmbios culturais, comerciais, esportivos e universitários, além da troca de experiências entre os dois municípios.
A relação, porém, começou antes da assinatura do acordo. Desde a década de 1970, voluntários e entidades italianas participam de ações ligadas ao Hospital São Julião, em Campo Grande.
O hospital foi inaugurado na década de 1940 para receber e isolar compulsoriamente pessoas diagnosticadas com hanseníase. Naquele período, os pacientes conviviam com segregação, estigma e condições precárias.
A transformação da unidade começou com a atuação de voluntários da OMG (Operação Mato Grosso), movimento voltado a ações sociais na América Latina, em parceria com a comunidade local. O trabalho contribuiu para a reforma da estrutura e para a mudança do modelo de isolamento para um atendimento voltado à recuperação e à reintegração dos pacientes.
A mobilização também levou à criação da AARH (Associação de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos), responsável pela manutenção do hospital, que recebeu apoio da instituição italiana Associazione OASI.
Ao longo dos anos, doações e campanhas realizadas em cidades italianas, além do trabalho voluntário de profissionais como médicos, enfermeiros, engenheiros e construtores, ajudaram na reforma dos pavilhões e na modernização dos serviços.
Hoje, o São Julião atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com serviços como oftalmologia e reabilitação, além de desenvolver ações de recuperação ambiental e manter uma extensa área verde.
Mudanças em Campo Grande - Em sua passagem pela Capital, Lo Russo também relembrou a primeira vez que esteve em Campo Grande, há mais de 20 anos. Segundo ele, as transformações observadas desde então são significativas, especialmente em aspectos relacionados à organização, segurança e modernização da cidade.
“Como prefeito, sempre que vamos a outras cidades, avaliamos como o local é, e é notório, principalmente, quando se trata de segurança, organização e modernização, as mudanças vividas por aqui”, comentou.
O prefeito italiano também destacou a presença de voluntários italianos que passaram pelo Hospital São Julião. Segundo ele, cerca de mil italianos vieram à Capital ao longo dos anos para atuar em trabalhos voluntários na unidade.
A presença italiana também é representada por moradores que vivem atualmente no Estado. Durante a reunião, o cônsul-geral da Itália no Brasil, Mauro Campanella, informou que Mato Grosso do Sul possui mais de 3,5 mil italianos residentes.
A visita da comitiva italiana ocorre, portanto, em um momento de retomada da cooperação entre Campo Grande e Turim, agora com a intenção de ampliar uma relação que historicamente esteve ligada ao trabalho social e que passa a incluir, com maior destaque, oportunidades econômicas, industriais e comerciais.

