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Política

De MS, como Simone chegou ao comando da 3ª via em uma disputa pela presidência

Deputada estadual, prefeita e vice-governadora: senadora já deixou para trás figuras bem mais famosas que ela

Por Caroline Maldonado | 27/05/2022 11:45
Simone Tebet (MDB) em 2003, quando foi deputada estadual por MS. (Foto: Divulgação/Simone Tebet)
Simone Tebet (MDB) em 2003, quando foi deputada estadual por MS. (Foto: Divulgação/Simone Tebet)

Ela poderia ser apenas mais uma filha de político, seguindo os passos do pai, o ex-senador Ramez Tebet (MDB), mas acabou galgando degraus para além do Legislativo nacional. Hoje, com 52 anos, Simone Tebet (MDB) é pré-candidata do que o Brasil está chamando de terceira via e divide holofotes com um presidente e um ex-presidente.

Há quem diga que a senadora ainda é pouco conhecida, mas nessa corrida, já ficaram para trás figuras famosas no Brasil, com o apresentador Luciano Huck e os ex-ministros, da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (União Brasil), e da Justiça, Sérgio Moro (Podemos).

Mas como ela lidou com o protagonismo nas diversas vezes em que foi a primeira mulher no páreo, e o que mais fez para chegar até onde está hoje?

O tal protagonismo começou na vida de Simone quando foi eleita, em 2004, a primeira mulher prefeita de Três Lagoas, cidade importante da região leste de Mato Grosso do Sul, a 327 quilômetros da Capital.

O começo

Da época da prefeitura de Três Lagoas: Simone Tebet e ao seu lado esquerdo, o ex-secretário de finanças, Walmir Arantes; junto ao ex-secretário de Administração, Oldair Biasi e o então presidente do Sindicato de Servidores da Prefeitura de Três Lagoas, José Antônio. (Foto: Arquivo Pessoal)
Da época da prefeitura de Três Lagoas: Simone Tebet e ao seu lado esquerdo, o ex-secretário de finanças, Walmir Arantes; junto ao ex-secretário de Administração, Oldair Biasi e o então presidente do Sindicato de Servidores da Prefeitura de Três Lagoas, José Antônio. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas a vida pública não começou aí. Nascida em Três Lagoas, ela formou-se em Direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde foi aprovada para o ingresso aos 16 anos de idade. Com 31 anos, em 2002, Simone elegeu-se deputada estadual.

"Entusiasmo e trabalho" são os adjetivos que o então secretário de Finanças de Simone, Walmir Arantes, destaca ao lembrar-se da época em que trabalhou com ela na prefeitura.

Simone e o pai, ex-senador Ramez Tebet, falecido em 2006. (Foto: Divulgação/Simone Tebet)
Simone e o pai, ex-senador Ramez Tebet, falecido em 2006. (Foto: Divulgação/Simone Tebet)

"Ela chegava às 7h, saia às 18h e chamava os secretários para casa dela, onde continuava o trabalho até 22h. Sempre notei ela com bastante garra, vontade, dedicação e conhecimento", lembra Walmir.

Para o ex-secretário, existe uma Três Lagoas de antes e uma de depois de Simone, que tinha um "feeling" para compor equipe e ir atrás de investimentos para a cidade.

Simone Tebet em evento quando prefeita de Três Lagoas. (Foto: Divulgação/Simone Tebet)
Simone Tebet em evento quando prefeita de Três Lagoas. (Foto: Divulgação/Simone Tebet)

"Ela lutou muito pela industrialização da cidade e trabalhou bastante também na área da saúde, educação e a parte social, que ela sempre gostou muito. Quando ela deixou a prefeitura, a cidade era outra", comenta Walmir.

Simone foi reeleita prefeita em 2008 com 76% dos votos. Tão forte nas urnas, ela deixou a prefeitura para ser vice-governadora, eleita junto com o ex-governador André Puccinelli (MDB).

A primeira 

Simone Tebet quando vice-governadora, junto do então governador André Puccinelli. (Foto: Rádio Caçula)
Simone Tebet quando vice-governadora, junto do então governador André Puccinelli. (Foto: Rádio Caçula)

De novo, entrou para história do Estado como a primeira mulher vice-governadora. Em seguida, ela disputou vaga no Senado Federal, onde está hoje, desde 2014. Aí vieram mais episódios em que se colocou como figura principal, desta vez, em centenas de anos de história da Casa Legislativa.

Ela tornou-se líder da primeira bancada feminina e presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher. Foi ainda a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça, uma das mais importantes, pela qual passam todos os projetos que ambicionam virar lei.

Em 2021, as notícias sobre a disputa pela presidência do Senado, mais uma vez, destacavam Simone como “a primeira mulher”. E ela sempre fez questão de lembrar que estava sendo a primeira em uma história de mais de 190 anos, já que o Senado foi criado em março de 1824 e contabiliza 198 anos de existência. Na ocasião, ela perdeu para o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Ela insistia nas disputas, porque queria "voz e vez às mulheres", nas palavras dela. Essa foi a segunda vez que Simone tentou se eleger para o cargo. Em 2019, ela disputou a candidatura dentro do partido com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que acabou sendo escolhido.

CPI Covid 

Simone Tebet discute com ministro da CGU (Controladoria-Geral da União) Wagner Rosário, durante trabalhos da CPI da Covid. (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
Simone Tebet discute com ministro da CGU (Controladoria-Geral da União) Wagner Rosário, durante trabalhos da CPI da Covid. (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Simone ganhou mesmo os noticiários nacionais quando fez questão de participar ativamente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, que investigou omissões do Governo Federal durante a pandemia. Ela era incisiva ao interrogar e criticar testemunhas e investigados, entre eles, o então ministro da CGU (Controladoria-Geral da União) Wagner Rosário.

“Descontrolada”, disse o ministro, fazendo repercutir ainda mais o trabalho da senadora na mídia nacional. Viralizou o vídeo do momento em que ele deu o adjetivo à senadora, porque foi criticado por ela em relação a sua atitude diante do presidente Jair Bolsonaro (PL) e às aquisições da vacina Covaxin pelo Governo Federal. Para Simone, o ministro estava se comportando como “advogado do governo”.

Terceira Via

Simone Tebet em lançamento de pré-candidatura à presidência. (Foto: Divulgação MDB Nacional)
Simone Tebet em lançamento de pré-candidatura à presidência. (Foto: Divulgação MDB Nacional)

Incansável, Simone deixou claro que não tinha intenção de ser vice na disputa pela presidência e, aos poucos, foi tomando espaço até ser vista como a candidata da terceira via.

Além do MDB, o Cidadania já confirmou o apoio e Simone espera agora que o PSDB some esforços ao seu lado, já que o ex-governador João Doria desistiu da disputa.

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, chegou a conversar por telefone com Simone sobre a possibilidade de Puccinelli desistir da disputa pelo governo aqui em MS e apoiar o pré-candidato tucano Eduardo Riedel, mas ela disse que isso é impossível.

A imprensa nacional chegou a noticiar que isso seria uma condição para que o PSDB apoiasse Simone, mas ela explicou ao Campo Grande News que os tucanos estão apenas levantando quais pré-candidaturas poderiam se unir nos estados e devem bater o martelo sobre juntar-se à ela na terceira via em reunião na próxima terça-feira (31).

Quanto a um possível apoio do maior partido do País, o União Brasil, que já anunciou que vai de "chapa pura", Simone disse que vai esperar para discutir isso "mais para frente" com o presidente do partido Luciano Bivar, cuja pré-candidatura será lançada na próxima terça-feira (31). "Vamos dar tempo para o pré-candidato trabalhar na sua pré-candidatura", disse.

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