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23/06/2016 09:25

Paulo Bernardo favorecia empresa desde o governo Zeca, diz Delcídio

Paulo Bernardo, que também foi secretário de Zeca do PT, foi preso na nova fase da Operação Lava Jato

Mayara Bueno
Ex-senador de MS, Delcídio do Amaral (sem partido). (Foto: Arquivo)Ex-senador de MS, Delcídio do Amaral (sem partido). (Foto: Arquivo)
Ex-ministro do Planejamento e ex-secretário de Fazenda em MS, Paulo Bernardo, preso na Lava Jato. (Foto: Arquivo)Ex-ministro do Planejamento e ex-secretário de Fazenda em MS, Paulo Bernardo, preso na Lava Jato. (Foto: Arquivo)

Em seu depoimento, prestado em 11 de abril deste ano, o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) afirmou que o ex-ministro Paulo Bernardo privilegiava a empresa Consist Software Limitada desde o governo no Mato Grosso do Sul. Bernardo foi secretário de Zeca do PT, no primeiro mandato dele, em 1999. Nesta quinta-feira (23), ele foi preso pela Operação Lava Jato.

A empresa, que foi alvo da 18ª fase da Lava Jato, em 2015, teve contratos por mais de 10 anos com o governo de Mato Grosso do Sul. No âmbito da Lava Jato, a Consist é investigada por suposto desvio de R$ 52 milhões em contratos firmados com o Ministério do Planejamento.

A Consist Software atua na área de sistema de gestão de crédito de consignado, previdência e assistência técnica. Ela também tinha contratos com a Petrobras e firmou contrato com o Ministério do Planejamento em 2010, quando Bernardo era o titular.

Segundo informações divulgadas hoje pelo Estadão, Paulo, que é marido da senadora petista Gleisi Hoffmann, teria privilegiado a empresa, segundo a delação de Delcídio. Sob o comando de Bernardo, o Ministério do Planejamento assinou acordo com o Sindicato Nacional das Entidades Abertas de Previdência Complementar e a Associação Brasileira de Bancos.

Essas entidades contrataram a Consist para desenvolver o sistema de gestão da margem consignada. Em contrapartida, a empresa recebia um percentual por empréstimo consignado fechado por servidores da pasta.

Na delação, Delcídio disse que Paulo Bernardo ‘sempre foi, desde a época que passou pelo Mato Grosso do Sul e até mesmo antes, considerado um ‘operador’ de Gleisi Hoffmann’’. Segundo ele, ‘Paulo Bernardo sempre foi visto como um operador de muita competência’. Ele não faz menção sobre a relação da empresa no governo do Estado.

Ainda no depoimento, o ex-senador foi questionado sobre o quis dizer com a expressão ‘operador’, ao que ele respondeu: “ele (Bernardo) tinha uma capacidade forte de alavancar recursos para a campanha (de Gleisi)’. Delcídio afirmou que Paulo Bernardo, em 2010, já captava recursos para a senadora. Por ser ministro, ele tinha ‘bastante força para captação’.

MS – No Estado, a empresa firmou contrato com o governo no início do primeiro mandato de Zeca do PT. Na época, Paulo Bernardo era secretário estadual de Fazenda, e Gleisi comandou uma secretaria de reestruturação administrativa.

Conforme o Diário Oficial do Estado, o último contrato entre a Consist e o Governo do Estado foi firmado em agosto de 2007, no valor de R$ 3,7 milhões. Este contrato foi prorrogado por um ano em janeiro de 2010, conforme o segundo termo aditivo publicado também no Diário Oficial de MS.

A reportagem do Campo Grande News tentou contato com o deputado federal Zeca do PT, mas o telefone deu sinal de desligado.

Custo Brasil – As investigações da Custo Brasil, atual fase da Lava Jato, são decorrentes da Operação Pixuleco, a 18ª, que mirou na Consist. Neste caso, foi apurado um suposto esquema de pagamento de propina de R$ 100 milhões. Entre os envolvidos no esquema, segundo a Receita, há agentes políticos, servidores do Ministério do Planejamento, escritórios de advocacia e empresas de fachada criadas para operacionalizar o repasse dos recursos.

*Matéria editada para acréscimo de informação às 11h05.



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