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Política

Perda de terra explica alta de suicídios de indígenas em MS, diz ministro

Estado teve 42 casos em 2025 e ficou com o segundo maior número registrado no País

Por Gustavo Bonotto e Judson Marinho | 25/08/2026 21:06
Perda de terra explica alta de suicídios de indígenas em MS, diz ministro
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, em entrevista ao Campo Grande News durante solenidade da Câmara Municipal no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo. (Foto: Paulo Francis)

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, relacionou nesta terça-feira (25) o alto número de suicídios de indígenas em Mato Grosso do Sul à perda de territórios e à demora na demarcação de terras. A declaração foi dada em entrevista ao Campo Grande News, durante solenidade dos 127 anos da Capital promovida pela Câmara Municipal no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande. O Estado registrou 42 casos em 2025 e teve o segundo maior número do País, conforme levantamento divulgado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

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O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que o alto índice de suicídios de indígenas em Mato Grosso do Sul está ligado à perda de territórios e à demora nas demarcações. O estado registrou 42 casos em 2025, o segundo maior do país, segundo o Cimi. O ministro defendeu a demarcação como política central de proteção e apontou o impasse sobre o marco temporal como obstáculo para o avanço das regularizações territoriais.

Conforme já publicado pela reportagem, Mato Grosso do Sul ficou atrás apenas do Amazonas, com 77 registros, e à frente de Roraima, que teve 37. O Brasil contabilizou 215 suicídios de indígenas no ano passado, ante 208 em 2024. O número sul-mato-grossense permaneceu em 42 nos dois anos.

Eloy afirmou que os dados de violência e vulnerabilidade registrados nas comunidades estão ligados à situação territorial enfrentada pelos povos indígenas. Segundo o ministro, a retirada de comunidades de seus territórios ao longo da história produziu consequências que permanecem até hoje. Ele defendeu a demarcação como uma das principais políticas para enfrentar esse cenário.

“O que a gente observa é que esses números de violência estão intimamente relacionados à questão da proteção territorial, à perda da terra que os povos indígenas sofreram no passado. Nós temos esse entendimento de que a principal política para proteger os povos indígenas é a política da demarcação. É por isso que o Ministério retomou a demarcação de terras indígenas”, afirmou.

O ministro citou comunidades de Mato Grosso do Sul que vivem em acampamentos enquanto aguardam a regularização dos territórios. Na avaliação dele, a ausência da terra cria outras vulnerabilidades e dificulta o acesso a serviços básicos. Eloy mencionou educação, saúde e abastecimento de água entre os problemas enfrentados nesses locais.

“Aqui em Mato Grosso do Sul tem muitas comunidades que não têm o seu território demarcado. Por não ter o seu território demarcado, elas vivem em situação de acampamento, não conseguem ter acesso à educação, à água potável e à saúde. O principal direito, que é base de todos os outros direitos, é a terra. Não tem como falar desses outros direitos sem antes garantir o território”, disse.

Em dados - Levantamento do Cimi mostra ainda que os suicídios se concentram entre indígenas mais jovens. Das 215 mortes registradas no País, 88 envolveram pessoas de 20 a 29 anos, enquanto outras 74 ocorreram entre indígenas com até 19 anos. Juntos, os dois grupos concentraram cerca de três em cada quatro casos contabilizados em 2025.

Em Mato Grosso do Sul, 31 dos 42 registros envolveram homens e 11 mulheres. O relatório associa o cenário nacional a contextos de violência, vulnerabilidade social e insuficiência de políticas públicas.

Questionado pelo Campo Grande News, o ministro também apontou o impasse sobre o marco temporal como um obstáculo para o avanço das demarcações. Ele afirmou que a indefinição sobre as regras para reconhecimento dos territórios interfere no trabalho administrativo do Ministério e da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas). O tema permanece entre as principais disputas relacionadas aos direitos territoriais indígenas.

“Essa demora na definição de um marco jurídico afeta muito o nosso trabalho, o trabalho da Funai e o trabalho do governo federal. A gente tem se empenhado em vencer essa tese do marco temporal para que possa efetivar a demarcação das terras indígenas e, assim, reduzir esses números tão ruins, especialmente para Mato Grosso do Sul”, afirmou.

O ministro estava em Campo Grande para receber o Título de Cidadão Campo-Grandense durante a solenidade pelos 127 anos da Capital. Eloy contou que a mãe deixou uma aldeia e se mudou para a cidade em busca de trabalho antes de trazê-lo para estudar. Ele cursou a graduação e o mestrado em Campo Grande e afirmou que a homenagem também representa indígenas que passaram a viver no meio urbano.

“Para mim isso não é só um título individual, é um título coletivo. É um município que começa a reconhecer a presença indígena aqui, no contexto urbano”, afirmou.