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Política

Secretários lamentam morte de dentista vítima de homofobia

Titular da Sesau pediu justiça, mas polícia ainda não identificou suspeita do crime

Por Adriel Mattos | 14/10/2021 14:14
Filho do titular da Sesau foi vacinado por Gustavo. (Foto: Reprodução/Facebook)
Filho do titular da Sesau foi vacinado por Gustavo. (Foto: Reprodução/Facebook)

Os secretários de Saúde de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul manifestaram pesar pela morte do cirurgião dentista Gustavo dos Santos Lima, de 27 anos, encontrado morto na madrugada desta quinta-feira (14). O profissional, que atuava na campanha de vacinação contra a covid-19, foi vítima de homofobia em agosto.

Titular da Secretaria de Estado de Saúde, Geraldo Resende, lembrou da dedicação do profissional de saúde. “Mais uma perda dolorosa e precoce, nesta quinta-feira, que começou com tempestade no céu e também nos corações de amigos e familiares do cirurgião dentista, Gustavo Lima, de apenas 27 anos, que tamanha sua grandeza, comoveu todo o país ao enfrentar um ataque homofóbico enquanto ajudava a salvar vidas sul-mato-grossenses, na fila da vacina contra a covid-19”, escreveu na rede social Facebook.

Chefe da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), José Mauro de Castro Filho cobrou celeridade nas investigações do crime do qual Gustavo foi vítima. “Hoje é um dia muito triste para todos que acreditam na vida, no amor. Gustavo, odontólogo, perdeu sua vida por não suportar o preconceito e a homofobia na sociedade em que vivemos. Que Deus de alguma forma conforte sua família e receba ao seu lado. Que a justiça não deixe de ser feita!”, publicou.

Semanas após o caso no drive-thru do Centro de Convenções Albano Franco, o secretário municipal levou o filho para receber a terceira dose da vacina e elogiou o trabalho de Gustavo. “Como pai, sinto orgulho e gratidão do meu filho ter sido vacinado pelo servidor Gustavo, trouxe segurança e saúde ao meu filho, gratidão”, declarou.

Morte - Gustavo foi encontrado morto na casa da família. “Perdi a minha vida, perdi tudo o que eu tinha, se alguém tivesse a oportunidade de ter um irmão como ele, eu queria que todo mundo tivesse um pouco do Gustavo”, declarou o irmão ao Campo Grande News.

Gustavo era residente da UBS do Coophavilla II e voluntário dos pontos de vacinação contra a covid-19 em Campo Grande. No dia 21 de agosto, no drive do Albano Franco, uma mulher recusou o atendimento dele, alegando que a filha adolescente não seria vacinada "por esse tipo de gente: um viado".

O caso virou manchete, foi discutido pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e acabou repercutindo pelo Brasil.

“Aquilo deu uma reviravolta maior na vida dele, começou a tomar mais remédios, se sentiu muito triste. Mas ele sempre foi alguém que batalhou muito na vida, que lutou por muita gente. Por isso, ele voltou a trabalhar, voltou a vacinar, voltou a estudar e buscou forças para seguir em frente”, descreve Adriano.

Investigação - A investigação por injúria racial pelo crime de homofobia, ainda está em andamento. Segundo o delegado Ricardo Meirelles Bernardinelli, está se “afunilando a lista” para chegar a autoria das ofensas contra o rapaz.

O delegado informou que recebeu imagens do circuito de segurança e a lista dos vacinados naquele dia para identificar a autora das ofensas. “Recebemos a relação de pessoas, arrecadamos imagens dos veículos, estamos afunilando a lista para chegar até a autoria”, disse.

Em princípio, a investigação segue normalmente, agora, com representação dos familiares de Gustavo. O atestado de óbito será juntado ao inquérito. O boletim de ocorrência pela morte do rapaz deve tramitar na delegacia do Bairro Rita Vieira e, caso haja informações que interessem ao caso de homofobia, elas podem ser juntadas, recurso que se chama “prova emprestada”.

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