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Política

Sem aparelho ideal, médicos improvisaram respirador para salvar criança em UPA

Por Zana Zaidan e Kleber Claujus | 21/11/2013 12:05

Os problemas que o setor da saúde enfrenta em Campo Grande geraram, mais uma vez, polêmica na sessão da Câmara de Vereadores. Hoje (21), o médico Renato Figueiredo ocupou a tribuna para denunciar a falta de equipamentos e materiais básicos nos postos de saúde e hospitais da Capital.

O médico levou para o plenário a foto de uma criança que agurdava em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) a transferência para um hospital, e precisava respirar por meio de aparelhos. No entanto, conforme a imagem mostrava, a criança foi entubada com um equipamento improvisado. “A caixa hood, usada para oxigenoterapia, hoje, não existe no SUS, por exemplo”, denunciou Figueiredo.

Ele expôs, ainda, a ausência de monitores cardíacos, problemas em equipamentos de eletrocardiograma, e ambulância sucateadas, que prejudicam o transporte de pacientes de emergência para os hospitais. “São equipamentos essenciais para qualquer atendimento de emergência, e faltam. Hoje, para se ter uma ideia, não tem nem papel para um médico emitir uma receita”, emendou.

As declarações de Figueiredo geraram discussões entre os vereadores da base aliada do prefeito Alcides do Bernal (PP) e os de oposição. Os ânimos ficaram alterados porque, devido à gravidade do depoimento, o médico ultrapassou o tempo estipulado no regimento interno da Casa para fala de visitantes, de 10 minutos.

O vereador Zeca (PT), se exaltou e gritou no plenário “Chega dessa farsa montada”, bradou sobre a foto da criança mostrada pelo médico. Ayrton Araujo, colega de partido de Zeca, emendou que “Não foi o Bernal que causou essa situação, mas sim quem fez as unidades de saúde. Eu visitei pessoalmente, e sei que elas apresentam problema desde março”, comentou sobre as denúncias do médico.

Vanderlei Cabeludo (PMDB) emendou que “não adianta conhecer as deficiências do município, mas sim resolvê-las”, alfinetou, e foi entoado pela vereadora Carla Stephanini (PMDB), que ressaltou que os problemas acumulados no setor “são incapacidade do prefeito em compor uma equipe que entenda de saúde”.

Gravidade – Diante da gravidade das denúncias, o vereador Saraiva (DEM) cobrou que a Comissão de Saúde da Casa investigue melhor o caso, e volte a verificar a situação das unidades de saúde da cidade. “Quero saber quanto tem sido gasto, porque falta tudo. Inclusive, temos uma gestão que atua como ‘xerife’ e fica agredindo e perseguindo funcionários”, acrescentou.

Renato Figueiredo foi afastado, depois de sete anos de atuação no SUS, supostamente por denunciar nas redes sociais os problemas nos postos de saúde. “Estava no SUS por opção, e lamento a forma como aconteceu meu afastamento, 40 minutos depois de denunciar um problema”, relatou aos vereadores. Na época, a prefeitura justificou que ele não teria atendido um paciente psiquiátrico.

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