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Saúde e Bem-Estar

Copa na TV, petiscos na mesa: como torcer sem colocar a saúde em risco

Moderação, hidratação e escolhas mais saudáveis ajudam a manter o bem-estar durante a competição.

Por José Cândido | 30/06/2026 13:47
Copa na TV, petiscos na mesa: como torcer sem colocar a saúde em risco
Mesa preparada para acompanhar os jogos da Copa reúne petiscos e bebidas, cenário comum nas confraternizações que, segundo especialistas, exige equilíbrio para evitar excessos durante a competição. (Foto divulgação)

Torcer, reunir amigos, preparar petiscos e comemorar cada gol fazem parte do ritual que acompanha uma Copa do Mundo. Mas, enquanto a competição movimenta as arquibancadas e as salas de estar, também costuma alterar a rotina alimentar de milhares de brasileiros, criando um cenário propício para exageros que podem deixar marcas bem além do apito final.

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Especialistas alertam que a Copa do Mundo pode prejudicar a saúde dos brasileiros devido ao consumo excessivo de ultraprocessados, frituras, refrigerantes e álcool ao longo das semanas de jogos. A nutricionista Laura Pael, do Humap-UFMS, orienta substituir petiscos gordurosos por opções assadas e ricas em fibras, além de alternar bebidas alcoólicas com água. Grupos de risco, como hipertensos, diabéticos e idosos, exigem atenção redobrada durante o período.

É justamente esse comportamento repetitivo que preocupa profissionais de saúde. A nutricionista da Unidade Multiprofissional do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), Laura Oliveira Pael, alerta que o problema não está em uma confraternização isolada, mas na sucessão de encontros ao longo das semanas de competição.

Segundo ela, quando petiscos calóricos, refrigerantes e bebidas alcoólicas deixam de ser exceção e passam a fazer parte da rotina, aumentam significativamente os riscos para a saúde. O alerta ganha ainda mais importância diante do cenário nacional: dados do Ministério da Saúde mostram que mais da metade da população brasileira já convive com excesso de peso, fator associado ao aumento dos casos de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.

"O principal desafio é que os excessos deixam de ser ocasionais. Como há jogos durante várias semanas, o consumo de petiscos e álcool acaba se repetindo quase diariamente. Soma-se a isso a ansiedade das partidas e o chamado efeito manada, quando a pessoa come apenas porque todos ao redor estão comendo", explica Laura.

Entre os alimentos que merecem maior atenção estão os ultraprocessados e frituras, como salgadinhos industrializados, batata frita, embutidos e carnes muito gordurosas. Além de provocarem desconfortos imediatos, como azia, má digestão, retenção de líquidos e dores de cabeça, esses produtos são ricos em sódio, gorduras saturadas e gorduras trans, favorecendo, a longo prazo, o aumento do colesterol, da pressão arterial e do risco de infarto e AVC.

As bebidas açucaradas também entram na lista de vilãs. Refrigerantes e sucos industrializados concentram grande quantidade de açúcar e calorias, mas oferecem pouco valor nutricional. O consumo frequente favorece o ganho de peso, o acúmulo de gordura no fígado e aumenta o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Álcool exige moderação

Outro hábito comum durante grandes eventos esportivos é o consumo de bebidas alcoólicas. Embora faça parte das confraternizações, o excesso pode causar desidratação, prejudicar o sono, comprometer os reflexos e sobrecarregar órgãos como fígado e estômago.

A orientação da nutricionista é simples: para cada copo de bebida alcoólica consumido, deve-se beber um copo de água. A estratégia reduz os efeitos da desidratação e ajuda a minimizar a ressaca.

Quem prefere evitar o álcool encontra alternativas igualmente refrescantes. Água com gás aromatizada com limão, hortelã ou laranja, sucos naturais diluídos em água com gás, chás gelados preparados em casa e kombuchas aparecem entre as opções recomendadas para acompanhar os jogos mantendo a hidratação.

Petiscos podem ser mais saudáveis

Nem toda mesa de Copa precisa ser dominada por frituras. Laura recomenda substituir alimentos mais gordurosos por preparações assadas e opções ricas em fibras e proteínas, capazes de prolongar a sensação de saciedade.

Entre as sugestões estão pipoca caseira com pouco óleo e sal, mix de castanhas e nozes sem excesso de sal, palitos de cenoura, pepino e tomate-cereja acompanhados de homus, guacamole ou coalhada seca, além de espetinhos grelhados de frango ou carnes magras.

Atenção redobrada para grupos de risco

Pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, doenças renais, problemas cardiovasculares e idosos devem ter cuidado ainda maior durante o período da competição.

Nos hipertensos, o excesso de sal presente em embutidos, queijos e salgadinhos pode elevar rapidamente a pressão arterial. Já para diabéticos, doces, massas, refrigerantes e bebidas alcoólicas podem provocar descontrole da glicemia e até episódios de hipoglicemia.

Quem convive com obesidade deve priorizar o controle das porções e evitar as chamadas calorias líquidas, presentes principalmente em refrigerantes e bebidas alcoólicas. Pacientes com doença renal precisam limitar tanto o consumo de sal quanto o excesso de proteínas e álcool, enquanto os idosos devem manter hidratação constante, já que costumam sentir menos sede e desidratar com maior facilidade.

Para a nutricionista, é possível aproveitar toda a emoção da Copa sem comprometer a saúde. O segredo, resume, está no equilíbrio entre a celebração e os cuidados com a alimentação, permitindo que as boas lembranças da competição não sejam acompanhadas de consequências para o organismo.