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Capital

Júri condena ex-PM a 16 anos de prisão por matar colega de farda

Réu alegou ter atirado legítima defesa, mas jurados entenderam que ele teve a intenção de executar rival

Por Geisy Garnes | 22/10/2021 19:09
César Diniz da Silva, de 47 anos, durante júri (Foto: Marcos Maluf)
César Diniz da Silva, de 47 anos, durante júri (Foto: Marcos Maluf)

Jurados consideram o ex-policial militar César Diniz da Silva, de 47 anos, culpado pelo assassinato do colega de farda João Miguel Além da Rocha, 50 anos. Levado a júri nesta sexta-feira (22), o réu alegou ter atirado em legítima defesa, mas foi sentenciado a 16 anos e 9 meses de prisão por homicídio qualificado.

No plenário do Tribunal do Júri, o promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos defendeu a condenação de César Diniz ao lado dos assistentes de acusação Fábio Trad Filho e Luciana Abou Ghattas. Em uma hora e meia de fala, a acusação rebateu a versão apresentada pelo próprio réu aos jurados: a de que ele só atirou depois que a vítima fez os primeiros disparos.

A acusação defendeu que o ex-policial militar atuava como agiota no Nova Lima e era conhecido pela violência e abusos. Usando a profissão, intimidava e ameaçava os devedores. Um desses “clientes” era conhecido de João Miguel Além da Rocha e havia negociado com ele um Nissan Sentra.

O negócio não deu certo e Rocha, que era tenente aposentado da Polícia Militar, procurou o amigo para recuperar o carro. Descobriu, no entanto, que ele havia “penhorado” o veículo para conseguir pagar dívidas. Foram dois anos de busca até que o militar chegasse ao paradeiro do Nissan.

Segundo testemunhas, que também foram ouvidas em plenário, Rocha procurou Diniz para negociar a devolutiva do carro, mas o ex-policial negou estar com ele. Mais de três meses de passaram até o dia em que a vítima se deparou com o Sentra em uma oficina mecânica, contratou um guincho para levá-lo embora e acabou se envolvendo em discussão com o Diniz. Na briga, Rocha levou quatro tiros e morreu antes de ser levado a um hospital.

Hoje, a acusação reforçou aos jurados que o ex-policial foi até a mecânica armado e escolheu matar o colega de farda. "Ele foi para executar e executou", afirmou a advogado Luciana Ghattas.

Ao explicar o momento do crime, Fábio Trad Filho alegou que dos quatro disparos feitos pelo assassino, três foram no braço, o que imediatamente neutralizou qualquer possibilidade de que o tenente conseguisse sacar a arma que carregava no bolso. “Atirou no braço para neutralizá-lo, João Miguel já estava impossibilitado. Aí o Diniz decidiu executá-lo”.

Mais dois tiros foram disparos contra a vítima. O que matou o tenente aposentado acertou as costas, na região na nuca e atingiu a vértebra do militar. Ainda contra a teste de legitima defesa, os advogado e o promotor lembraram que nenhum vestígios de pólvora foi encontrado na mão de João Miguel na perícia, nenhuma das testemunhas-chaves relatou disparos por parte da vítima e a arma supostamente usado por ela passou horas desaparecida, o que para acusação caracteriza uma clara tentativa de alterar a cena do crime.

"João Miguel não disparou. E o Diniz matou e ainda tentou falsear a cena do crime", reforçou Trad Filho.

O crime aconteceu há 4 anos e desde então Diniz responde ao processo em liberdade.

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