Médica denuncia transfobia e expulsão de plantão em unidade de saúde
Caso foi registrado no domingo como possível crime de discriminação por identidade de gênero
Uma médica denunciou ter sido vítima de transfobia e expulsa do plantão enquanto atendia um paciente em estado grave na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, em Campo Grande, no domingo. O caso foi registrado como possível crime de discriminação por identidade de gênero.
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Uma médica denunciou ter sofrido transfobia durante plantão na UPA Coronel Antonino, em Campo Grande, no domingo. Segundo o boletim de ocorrência, uma superior hierárquica se recusou a usar pronomes femininos ao se referir à profissional, mesmo após correções. A médica também relatou ter sido expulsa verbalmente do plantão enquanto atendia paciente em estado grave. O caso foi registrado como possível discriminação por identidade de gênero e abuso de autoridade.
De acordo com o boletim de ocorrência, a profissional assumiu o plantão no início da tarde em meio à superlotação e ao fluxo intenso de pacientes graves. Durante o atendimento, relatou dificuldades com a falta de equipamentos adequados, incluindo a falha do único dispositivo de ventilação disponível no momento da intubação de um paciente.
Segundo o registro, o equipamento se desmontou durante o procedimento, obrigando a equipe a improvisar com um ambu pediátrico para manter a oxigenação. Em seguida, houve nova intercorrência com o tubo utilizado, o que exigiu outra intervenção imediata.
Diante da situação, a médica acionou a diretoria técnica para avaliar as condições de trabalho e a falta de materiais. No entanto, o que seria um suporte técnico terminou em conflito.
A profissional afirma que a superior hierárquica passou a se referir a ela no masculino, mesmo após correções sobre o uso de pronomes femininos. A conduta, segundo o relato, foi repetida durante o atendimento, inclusive em meio a um procedimento em um paciente grave.
Ainda conforme o boletim, a médica foi informada verbalmente de que estava expulsa do plantão e proibida de continuar na unidade. A decisão não foi formalizada por escrito, apesar de solicitação da profissional, que alegou não poder deixar o posto sem respaldo legal.
Após o episódio, ela permaneceu até o fim do plantão e, em seguida, registrou a ocorrência. No documento, pede providências por discriminação de gênero e aponta possível abuso de autoridade.
A polícia classificou inicialmente o caso como prática de discriminação por identidade de gênero, com base na legislação vigente. A investigação deve apurar também as circunstâncias do conflito e as condições estruturais da unidade, citadas no relato como fator de risco durante o atendimento.
Em nota, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) respondeu que apura "relato de possível conduta discriminatória". Sobre o atendimento, a pasta informou que "há um aumento na demanda por atendimentos nas unidades de urgência e emergência, em razão da sazonalidade de doenças respiratórias. As medidas adotadas seguem diretrizes do Ministério da Saúde, com monitoramento contínuo, adequação de fluxos e apoio de equipe médica móvel".
Matéria atualizada às 11h23 para acréscimo de informação
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