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Diversão

"Campo Grande me salvou", diz ícone do punk pronto para o festival

Em 2025, a artéria do coração de Clemente "rasgou" antes de ele subir ao palco; agora, o show vai acontecer

Por Natália Olliver | 29/05/2026 13:18
"Campo Grande me salvou", diz ícone do punk pronto para o festival
Clemente Tadeu Nascimento quase morreu em palco de Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)

Ícone do punk brasileiro, Clemente Tadeu Nascimento, ou só Clemente, da banda Plebe Rude, voltou a Campo Grande para terminar o show que o coração interrompeu em 2025. O músico quase morreu depois que a artéria do coração “rasgou” de repente antes de subir ao palco do Araruna Fest. Este ano, ele se apresenta na 2ª edição do festival. Sem rodeios, ele ressalta que Campo Grande salvou sua vida e que, desta vez, o show vai acontecer ainda melhor do que seria da primeira vez.

RESUMO

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Clemente, vocalista da Plebe Rude, retorna a Campo Grande para se apresentar no Araruna Fest 2026, após quase morrer em 2025 com uma artéria do coração rompida antes de subir ao palco da primeira edição do festival. O músico ficou 21 dias na UTI, enfrentou pancreatite e se recuperou na cidade. O evento ocorre em 30 de maio, no Bosque Expo, com Frejat, School of Rock, Érica Espíndola e O Bando do Velho Jack.

Ao Lado B, ele conta como foi ver o show ficar pelo caminho, a ambulância, o hospital, a cirurgia, os 21 dias na UTI, os 7 dias na enfermaria e mais 1 semana e meia de repouso em uma casa no Carandá Bosque, onde terminou de se recuperar.

"Campo Grande me salvou", diz ícone do punk pronto para o festival
Ícone do punk brasileiro, Clemente volta ao palco que quase "tirou" sua vida em 2025 (Foto: Caru Leão)

O músico também enfrentou pancreatite, ficou uma semana em dieta zero e chegou a não poder beber água. “Quando chega na UTI é o caminho da melhora, mas foi pesado. Tive pancreatite, fiquei uma semana de dieta zero, nem água podia tomar. Ela poderia me matar também. Estou feliz de estar bem”, disse.

O problema no coração, segundo ele, era desconhecido. Clemente fazia um check-up porque vinha com a pressão alta. Foi no meio desse processo que passou mal, justamente ao chegar para a apresentação. “Entrei no camarim, senti a dor no peito e nem cheguei a subir no palco”, lembrou.

Por isso, a edição de 2026 carrega um peso que não estava no cartaz. “É minha segunda edição do festival e vai ser a primeira vez que toco. A expectativa está alta. Finalmente vou conhecer o palco que não conheci. Só os bastidores. Fiquei só no hospital.”

"Campo Grande me salvou", diz ícone do punk pronto para o festival
Clemente ficou 21 na UTI, em Campo Grande após artéria "rasgar" (Foto: Juliano Almeida)

A cidade, por óbvio, ficou marcada. Não como lembrança turística, mas entrou na biografia de Clemente de outro jeito, mais íntimo e menos confortável. Foi onde ele quase morreu. Mas também foi onde saiu vivo.

Nas redes sociais, Clemente já havia agradecido ao médico que o atendeu. “A minha sorte foi que eu estava em Campo Grande e caí na Santa Casa e na mão de um médico muito bom, um cirurgião, Dr. Raony. Estar em um show que tinha ambulância, se não tivesse talvez tivesse morrido. O que antes eram apenas 10% de chances de sobreviver se tornou 100%, sem sequelas, graças à competência e ao carinho de todos.”

Clemente não trata o retorno como uma cena épica. Ele fala como quem sabe que escapou por pouco e valoriza a nova chance. Para ele, só aumentou a vontade de tocar. Depois do susto, o plano de vida não mudou. O sentido ainda é fazer o som em que acredita e de que gosta.

A frase parece simples, mas diz bastante. Para quem ajudou a abrir espaço para o punk no Brasil, continuar no palco aos 63 anos é também uma forma de resposta ao tempo, ao mercado, ao algoritmo e a essa mania contemporânea de decretar a morte de tudo.

"Campo Grande me salvou", diz ícone do punk pronto para o festival
A banda Plebe Rude nasceu em Brasília, em 1981, mas Clemente entrou em 2004 (Foto: Caru Leão)

Clemente não compra a tese de que o rock morreu. O que ele questiona é a forma como a música circula hoje. Para ele, a concentração nas plataformas digitais reduziu a diversidade de caminhos que existia quando havia vários selos, gravadoras e disputas de espaço.

“Hoje a música digital está na mão de poucas pessoas. Antigamente você tinha vários selos, gravadoras, e hoje você tem um controle total da música na mão de poucas pessoas. Então isso acaba impedindo que vários outros estilos tenham destaque. Está tudo no mesmo lugar. Então vai ser sucesso só o que os caras quiserem.”

Clemente enxerga diferença entre a indústria musical das décadas de 1970, 1980, 1990 e início dos anos 2000 e a lógica atual, comandada por poucas empresas. Ainda assim, ele recusa a lápide pronta para o rock. “Eu não falo que o rock morreu, não. Ele continua. Eu toquei sábado passado, na Virada, quase lotado de gente.”

No Araruna Fest, essa volta ao palco também se cruza com outra história antiga, a relação com Frejat. Clemente lembra que o músico produziu o terceiro disco de sua banda em 1989, o último pela Warner. Depois, vieram shows de abertura para o Barão Vermelho na década de 1990 e parcerias musicais.

“O Frejat produziu nosso terceiro disco em 1989, um parceiro. Abrimos vários shows do Barão Vermelho na década de 1990. É uma parceria antiga.”

"Campo Grande me salvou", diz ícone do punk pronto para o festival
Clemente sobe ao palco do Arauna Festa neste sábado (Foto: Juliano Almeida)

Festival

A segunda edição do Araruna Fest será realizada no dia 30 de maio, no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês. A programação começa com abertura dos portões às 17h30 e mais de seis horas de música ao vivo. O line-up reúne School of Rock, Érica Espíndola, O Bando do Velho Jack e Frejat.

A proposta do festival é movimentar a cena musical de Campo Grande, unindo nomes consolidados do rock nacional, artistas regionais e novas gerações. O Bando do Velho Jack chega celebrando 30 anos de estrada, enquanto Frejat apresenta o show “Frejat Ao Vivo”, com canções da carreira solo e clássicos do período do Barão Vermelho.

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