Mãe diz que dosagem de remédio da filha foi 10 vezes maior que a indicada
Bebê recebeu 2 ml de dipirona; dose adequada seria 0,2 ml diluída

Quatro meses após a morte da filha, Letícia Lopes, de 31 anos, mãe de uma bebê de apenas nove meses, afirmou que recebeu a confirmação que esperava desde o dia da internação: o exame pericial concluiu que houve erro na aplicação de dipirona na Santa Casa de Misericórdia de Paranaíba, a 408 quilômetros de Campo Grande.
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Uma bebê de 9 meses faleceu após receber dose incorreta de dipirona na Santa Casa de Misericórdia de Paranaíba, Mato Grosso do Sul. Segundo laudo pericial, a equipe de enfermagem aplicou 2 ml do medicamento diretamente na veia, quando o correto seria 0,2 ml diluído em soro. A criança sofreu parada cardíaca minutos após a aplicação do medicamento. A mãe, Letícia Lopes, de 31 anos, precisou solicitar exumação do corpo para comprovar que o óbito foi causado pelo erro médico, já que o primeiro laudo indicava problemas respiratórios como causa da morte. A família pretende processar os profissionais envolvidos e o hospital.
Segundo Letícia, o documento aponta que a dosagem ministrada pela equipe de enfermagem foi 10 vezes maior que a recomendada para a idade da criança. Além disso, o medicamento deveria ter sido diluído no soro, mas foi injetado diretamente na veia.
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“Era para aplicar 0,2 ml, mas deram dois ml. Não diluíram no soro, aplicaram direto na veia da minha neném. Agora tem que aguardar o processo”, desabafou a mãe.
Em relato ao Campo Grande News, Letícia contou o impacto da confirmação: “Não sei como estou me sentindo. É uma dor muito grande saber que eu já tinha certeza de que tinha sido o medicamento e mesmo assim ainda tive que passar pela exumação do corpo da minha filha, tive que dar vários depoimentos e as pessoas achando que eu estava inventando. Agora, com o laudo, todos vão saber que eu estava certa. Nada vai trazer a minha filha de volta, o vazio é enorme e a tristeza nos visita todos os dias”, relatou.
Letícia afirma que pretende processar todos os envolvidos: “A enfermeira, a médica que deveria estar lá para socorrer, mas estava em casa, dormindo, e até a perita que fez a gente passar pela exumação, colocando no atestado de óbito que minha filha morreu de problemas respiratórios. O hospital também, por não ter se responsabilizado e tentar convencer a família de que a nenê estava doente, quando não estava”.
O caso - A bebê morreu no dia 29 de abril deste ano. Conforme a mãe, a criança havia tomado as vacinas de nove meses e contra a gripe uma semana antes. A febre voltou no fim do mês e, após não responder ao uso de paracetamol em casa, foi levada para a Santa Casa de Paranaíba.
De acordo com o prontuário, a bebê passou por exames clínicos, laboratoriais e de imagem, que não apontaram alterações. À noite, após nova aplicação de dipirona, sofreu uma parada cardíaca. “Era 21h41 quando aplicaram o remédio e, às 21h46, eu já estava gritando pedindo ajuda”, lembra a mãe.
A criança foi levada às pressas para outro setor do hospital, mas não resistiu. A morte foi registrada por parada cardiorrespiratória. O laudo inicial apontou causas respiratórias, o que levou a família a pedir a exumação do corpo.
Exumação e investigação - No dia 9 de junho, a Polícia Civil autorizou a retirada do corpo, que foi encaminhado para perícia em Cuiabá (MT). O resultado teria confirmado a suspeita da família, de que a medicação foi aplicada de forma incorreta.
Além do erro na dosagem e na forma de administração do remédio, a mãe denuncia falhas no atendimento após a parada cardíaca. Segundo ela, a bebê chegou a vomitar líquido amarelado, mas os profissionais alegaram que era apenas leite. “Uma série de erros, muitas coisas erradas e eles tentando acobertar”, resume.
A reportagem tentou contato com o hospital e com a Secretaria de Saúde de Paranaíba, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
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