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Mãe diz que dosagem de remédio da filha foi 10 vezes maior que a indicada

Bebê recebeu 2 ml de dipirona; dose adequada seria 0,2 ml diluída

Por Ketlen Gomes | 29/08/2025 19:06
Mãe diz que dosagem de remédio da filha foi 10 vezes maior que a indicada
Bebê internada no hospital de Paranaíba, pouco tempo antes de ter uma parada cardíaca. (Foto: Arquivo Familiar)

Quatro meses após a morte da filha, Letícia Lopes, de 31 anos, mãe de uma bebê de apenas nove meses, afirmou que recebeu a confirmação que esperava desde o dia da internação: o exame pericial concluiu que houve erro na aplicação de dipirona na Santa Casa de Misericórdia de Paranaíba, a 408 quilômetros de Campo Grande.

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Uma bebê de 9 meses faleceu após receber dose incorreta de dipirona na Santa Casa de Misericórdia de Paranaíba, Mato Grosso do Sul. Segundo laudo pericial, a equipe de enfermagem aplicou 2 ml do medicamento diretamente na veia, quando o correto seria 0,2 ml diluído em soro. A criança sofreu parada cardíaca minutos após a aplicação do medicamento. A mãe, Letícia Lopes, de 31 anos, precisou solicitar exumação do corpo para comprovar que o óbito foi causado pelo erro médico, já que o primeiro laudo indicava problemas respiratórios como causa da morte. A família pretende processar os profissionais envolvidos e o hospital.

Segundo Letícia, o documento aponta que a dosagem ministrada pela equipe de enfermagem foi 10 vezes maior que a recomendada para a idade da criança. Além disso, o medicamento deveria ter sido diluído no soro, mas foi injetado diretamente na veia.

“Era para aplicar 0,2 ml, mas deram dois ml. Não diluíram no soro, aplicaram direto na veia da minha neném. Agora tem que aguardar o processo”, desabafou a mãe.

Em relato ao Campo Grande News, Letícia contou o impacto da confirmação: “Não sei como estou me sentindo. É uma dor muito grande saber que eu já tinha certeza de que tinha sido o medicamento e mesmo assim ainda tive que passar pela exumação do corpo da minha filha, tive que dar vários depoimentos e as pessoas achando que eu estava inventando. Agora, com o laudo, todos vão saber que eu estava certa. Nada vai trazer a minha filha de volta, o vazio é enorme e a tristeza nos visita todos os dias”, relatou.

Letícia afirma que pretende processar todos os envolvidos: “A enfermeira, a médica que deveria estar lá para socorrer, mas estava em casa, dormindo, e até a perita que fez a gente passar pela exumação, colocando no atestado de óbito que minha filha morreu de problemas respiratórios. O hospital também, por não ter se responsabilizado e tentar convencer a família de que a nenê estava doente, quando não estava”.

O caso - A bebê morreu no dia 29 de abril deste ano. Conforme a mãe, a criança havia tomado as vacinas de nove meses e contra a gripe uma semana antes. A febre voltou no fim do mês e, após não responder ao uso de paracetamol em casa, foi levada para a Santa Casa de Paranaíba.

De acordo com o prontuário, a bebê passou por exames clínicos, laboratoriais e de imagem, que não apontaram alterações. À noite, após nova aplicação de dipirona, sofreu uma parada cardíaca. “Era 21h41 quando aplicaram o remédio e, às 21h46, eu já estava gritando pedindo ajuda”, lembra a mãe.

A criança foi levada às pressas para outro setor do hospital, mas não resistiu. A morte foi registrada por parada cardiorrespiratória. O laudo inicial apontou causas respiratórias, o que levou a família a pedir a exumação do corpo.

Exumação e investigação - No dia 9 de junho, a Polícia Civil autorizou a retirada do corpo, que foi encaminhado para perícia em Cuiabá (MT). O resultado teria confirmado a suspeita da família, de que a medicação foi aplicada de forma incorreta.

Além do erro na dosagem e na forma de administração do remédio, a mãe denuncia falhas no atendimento após a parada cardíaca. Segundo ela, a bebê chegou a vomitar líquido amarelado, mas os profissionais alegaram que era apenas leite. “Uma série de erros, muitas coisas erradas e eles tentando acobertar”, resume.

A reportagem tentou contato com o hospital e com a Secretaria de Saúde de Paranaíba, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

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