ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, TERÇA  03    CAMPO GRANDE 22º

Educação e Tecnologia

Só 16% dos alunos de MS terminam escola sabendo matemática

Maior parte dos estudantes não sabe interpretar gráficos ou calcular desconto no mercado

Por Guilherme Correia | 02/02/2026 20:55
Só 16% dos alunos de MS terminam escola sabendo matemática
Alunos de escola estadual em Campo Grande. (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Imagine uma sala com 20 jovens que acabaram de concluir o Ensino Médio. Apenas três deles se formaram dominando os conteúdos esperados de matemática. Esse é o retrato revelado sobre Mato Grosso do Sul pelo IIE (Índice de Inclusão Educacional), divulgado nesta segunda-feira (2).

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A pandemia impactou severamente o aprendizado de matemática em Mato Grosso do Sul, conforme revela o Índice de Inclusão Educacional (IIE). O índice caiu de 18,9% em 2019 para 11,2% em 2023, colocando o estado na 18ª posição no ranking nacional. Apenas 16,6% dos estudantes que concluem o Ensino Médio dominam matemática adequadamente, enquanto 35,3% apresentam atraso escolar de dois anos ou mais. O cenário é agravado pelo fato de que 81,6% dos alunos estão abaixo do nível básico de conhecimento e 9,3% dos jovens em idade escolar não estão matriculados.

O Estado ocupa a 18ª posição no ranking nacional, com apenas 16,6% dos formados apresentando aprendizado adequado para a idade. A média brasileira, que já é considerada baixa, chega a 21,4%. Na prática, isso significa que a maioria dos jovens deixa a escola com dificuldades para lidar com situações cotidianas, como calcular porcentagens ou interpretar gráficos.

Segundo o levantamento, nenhum Estado brasileiro pode ser considerado “bom” em matemática atualmente, já que nenhum atingiu 30% de estudantes com aprendizado adequado. O melhor desempenho foi registrado no Paraná, com 28,1%, enquanto o pior ficou com o Amapá, onde apenas 8,2% alcançaram o nível esperado.

No recorte regional, Goiás lidera no Centro-Oeste com 27% e aparece como o terceiro melhor do País. Em seguida vêm o Distrito Federal, com 22,5%, Mato Grosso do Sul, com 16,6%, e Mato Grosso, com 14,8%.

O próprio estudo classifica o cenário brasileiro como um “apagão” em matemática. Enquanto a língua portuguesa apresentou leve melhora, alcançando 27,9% de aprendizado adequado, a matemática registrou recuo nacional de 4,1 pontos percentuais. Para os responsáveis pelo índice, o problema vai além dos efeitos da pandemia e envolve a dificuldade de recuperação do conteúdo, já que a disciplina exige domínio de conhecimentos acumulados ao longo das séries.

A pesquisa também aponta que o Brasil conseguiu estruturar políticas de alfabetização em língua portuguesa, mas ainda não dispõe de uma política nacional voltada especificamente ao ensino de matemática. Hoje, 81,6% dos estudantes estão abaixo do nível básico nessa área, o que inclui tarefas simples, como interpretar gráficos ou calcular descontos no mercado.

Além do desempenho acadêmico, o IIE avalia a trajetória escolar dos alunos. Em Mato Grosso do Sul, o índice geral de inclusão educacional, que considera se o jovem está matriculado, na série correta e com aprendizado adequado, caiu de 18,9% em 2019 para 11,2% em 2023. Com esse resultado, o Estado segue na 18ª posição nacional.

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul aparece atrás de Goiás, que registra 19%, e do Distrito Federal, com 17,4%, superando apenas Mato Grosso, que teve índice de 10,3%. O melhor desempenho nacional em 2023 foi novamente do Paraná, com 20,4%, o que significa que, mesmo no topo do ranking, apenas dois em cada dez jovens alcançam a inclusão educacional plena. Os piores resultados foram observados no Amazonas, Maranhão e Roraima, todos com 6,6%.

Segundo o estudo, o baixo desempenho é explicado por fatores que vão além das notas em provas. Em Mato Grosso do Sul, um dos principais problemas é o atraso escolar: 35,3% dos alunos estão dois anos ou mais fora da série adequada. Além disso, cerca de 9,3% dos jovens em idade escolar sequer estão matriculados no Estado.