Só 16% dos alunos de MS terminam escola sabendo matemática
Maior parte dos estudantes não sabe interpretar gráficos ou calcular desconto no mercado
Imagine uma sala com 20 jovens que acabaram de concluir o Ensino Médio. Apenas três deles se formaram dominando os conteúdos esperados de matemática. Esse é o retrato revelado sobre Mato Grosso do Sul pelo IIE (Índice de Inclusão Educacional), divulgado nesta segunda-feira (2).
RESUMO
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A pandemia impactou severamente o aprendizado de matemática em Mato Grosso do Sul, conforme revela o Índice de Inclusão Educacional (IIE). O índice caiu de 18,9% em 2019 para 11,2% em 2023, colocando o estado na 18ª posição no ranking nacional. Apenas 16,6% dos estudantes que concluem o Ensino Médio dominam matemática adequadamente, enquanto 35,3% apresentam atraso escolar de dois anos ou mais. O cenário é agravado pelo fato de que 81,6% dos alunos estão abaixo do nível básico de conhecimento e 9,3% dos jovens em idade escolar não estão matriculados.
O Estado ocupa a 18ª posição no ranking nacional, com apenas 16,6% dos formados apresentando aprendizado adequado para a idade. A média brasileira, que já é considerada baixa, chega a 21,4%. Na prática, isso significa que a maioria dos jovens deixa a escola com dificuldades para lidar com situações cotidianas, como calcular porcentagens ou interpretar gráficos.
Segundo o levantamento, nenhum Estado brasileiro pode ser considerado “bom” em matemática atualmente, já que nenhum atingiu 30% de estudantes com aprendizado adequado. O melhor desempenho foi registrado no Paraná, com 28,1%, enquanto o pior ficou com o Amapá, onde apenas 8,2% alcançaram o nível esperado.
No recorte regional, Goiás lidera no Centro-Oeste com 27% e aparece como o terceiro melhor do País. Em seguida vêm o Distrito Federal, com 22,5%, Mato Grosso do Sul, com 16,6%, e Mato Grosso, com 14,8%.
O próprio estudo classifica o cenário brasileiro como um “apagão” em matemática. Enquanto a língua portuguesa apresentou leve melhora, alcançando 27,9% de aprendizado adequado, a matemática registrou recuo nacional de 4,1 pontos percentuais. Para os responsáveis pelo índice, o problema vai além dos efeitos da pandemia e envolve a dificuldade de recuperação do conteúdo, já que a disciplina exige domínio de conhecimentos acumulados ao longo das séries.
A pesquisa também aponta que o Brasil conseguiu estruturar políticas de alfabetização em língua portuguesa, mas ainda não dispõe de uma política nacional voltada especificamente ao ensino de matemática. Hoje, 81,6% dos estudantes estão abaixo do nível básico nessa área, o que inclui tarefas simples, como interpretar gráficos ou calcular descontos no mercado.
Além do desempenho acadêmico, o IIE avalia a trajetória escolar dos alunos. Em Mato Grosso do Sul, o índice geral de inclusão educacional, que considera se o jovem está matriculado, na série correta e com aprendizado adequado, caiu de 18,9% em 2019 para 11,2% em 2023. Com esse resultado, o Estado segue na 18ª posição nacional.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul aparece atrás de Goiás, que registra 19%, e do Distrito Federal, com 17,4%, superando apenas Mato Grosso, que teve índice de 10,3%. O melhor desempenho nacional em 2023 foi novamente do Paraná, com 20,4%, o que significa que, mesmo no topo do ranking, apenas dois em cada dez jovens alcançam a inclusão educacional plena. Os piores resultados foram observados no Amazonas, Maranhão e Roraima, todos com 6,6%.
Segundo o estudo, o baixo desempenho é explicado por fatores que vão além das notas em provas. Em Mato Grosso do Sul, um dos principais problemas é o atraso escolar: 35,3% dos alunos estão dois anos ou mais fora da série adequada. Além disso, cerca de 9,3% dos jovens em idade escolar sequer estão matriculados no Estado.


