Futebol indígena ganha força com clubes estruturados e inspiração em Éderson
A presença do atleta de origem terena na seleção mostra aos jovens que é possível alcançar grandes objetivos

O crescimento do futebol indígena em Mato Grosso do Sul tem fortalecido não apenas a prática esportiva, mas também a valorização da cultura e da identidade dos povos originários.
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O futebol indígena em Mato Grosso do Sul vive um momento de fortalecimento com clubes como a Seinter e o CEAB ganhando espaço em competições oficiais. A trajetória do volante Éderson, convocado para a Seleção Brasileira e com raízes na etnia Terena, serve como inspiração para jovens das aldeias. Além de promover a saúde e a disciplina, o esporte consolida-se como ferramenta de inclusão e valorização cultural, projetando talentos locais para equipes profissionais de outros estados.
Em meio a esse cenário, a convocação do volante Éderson para a Copa do Mundo ganhou um significado especial para clubes indígenas do Estado, que enxergam na trajetória do atleta campo-grandense uma fonte de inspiração para crianças e jovens das aldeias.
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Com descendência terena e raízes na Terra Indígena Taunay-Ipegue, Éderson se tornou um símbolo de representatividade para equipes como a Seinter (Sociedade Esportiva Indígena Terena) de Dois Irmãos do Buriti e o CEAB (Clube Esportivo Aldeia Brejão) de Nioaque, que vêm ampliando sua participação nas competições organizadas pela FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul).
A Seinter iniciou sua trajetória em competições em 2012 e conquistou a filiação à FFMS em 2022. Atualmente, disputa torneios oficiais no futebol feminino, enquanto a equipe masculina participa de competições amadoras.
Segundo o dirigente Ener Reginaldo, o clube já revelou diversos atletas indígenas que seguiram carreira em equipes de outros estados. Hoje, dois jogadores formados na equipe, Josie Barbosa e Edson “Edy”, atuam em um clube profissional do Rio de Janeiro.
Para Ener, a existência de uma equipe indígena vai muito além das quatro linhas.
“Para a comunidade indígena, é muito importante existir um time que a represente esportivamente com jogadores indígenas. O futebol contribui para o fortalecimento da identidade cultural, da união comunitária e do desenvolvimento dos jovens”, afirma.
O dirigente destaca que o clube ajuda a valorizar a história, a língua e as tradições dos povos indígenas, além de incentivar crianças e adolescentes a seguirem caminhos ligados à disciplina, ao respeito e ao trabalho em equipe. Também ressalta o papel do esporte na promoção da saúde e na ampliação da visibilidade dos povos originários.
A convocação de Éderson para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo reforça ainda mais esse sentimento de pertencimento. Para a Seinter, ver um atleta de origem terena alcançar o mais alto nível do futebol mundial mostra aos jovens indígenas que é possível sonhar alto sem abrir mão de suas raízes.
“Ver um atleta Terena vestindo a camisa da Seleção Brasileira faz com que os jovens indígenas se sintam representados e valorizados. A trajetória de Éderson inspira nossos atletas a acreditarem que é possível sair da aldeia e alcançar grandes clubes e seleções”, destaca Ener.
Segundo ele, o sucesso do volante demonstra que dedicação, disciplina e perseverança podem transformar sonhos em realidade, servindo como exemplo para as futuras gerações da Aldeia Água Azul e de outras comunidades indígenas do Estado.
Outro clube que tem ajudado a fortalecer o futebol indígena é o CEAB, de Nioaque. Há três anos disputando competições organizadas pela FFMS nas categorias de base e no feminino, a equipe já planeja dar um passo maior em 2027, quando pretende participar da Série B do Campeonato Sul-Mato-Grossense.
O presidente do clube, Wesley Gois, lembra que o CEAB foi o primeiro campeão nacional de futebol indígena e destaca o orgulho de representar tanto as comunidades indígenas quanto o município de Nioaque.
“Quando nossa equipe joga, vários ônibus saem da aldeia para torcer no estádio municipal de Nioaque”, conta.
Atualmente, Wesley, o meia Pedrinho, de 25 anos, e o goleiro Glauber, de 32, estão no Rio de Janeiro disputando a Série C do Campeonato Carioca pela equipe Ceres Originários. O próximo objetivo do clube é construir um estádio dentro da comunidade para receber partidas e fortalecer ainda mais a presença da torcida indígena.
Para o dirigente, a convocação de Éderson possui um significado simples e poderoso. “Éderson é referência para todos os garotos das comunidades indígenas”, resume.
A convocação do volante na Seleção Brasileira acontece em um momento de fortalecimento do esporte indígena em Mato Grosso do Sul.
Com clubes mais estruturados, atletas ganhando espaço fora do Estado e projetos voltados à formação de jovens, o futebol tem se consolidado como ferramenta de inclusão, valorização cultural e transformação social dentro das aldeias sul-mato-grossenses.



