05/12/2013 07:00

Justiça veta "revanche" e aplicativo que avalia as mulheres não vai para o ar

Paula Maciulevicius
O app era acompanhado do slogan sua vez de descobrir se ela é boa de cama e serviria para que os homens avaliassem o comportamento e o desempenho sexual de mulheres. O app era acompanhado do slogan "sua vez de descobrir se ela é boa de cama" e serviria para que os homens avaliassem o comportamento e o desempenho sexual de mulheres.

A vingança masculina, tão aguardada para quem foi avaliado no Lulu dar o troco, foi por água abaixo. O aplicativo Lulu que contemporizou a guerra dos sexos, ao que tudo indica, não vai ter revanche. Isso porque na tarde desta quarta-feira, a Justiça proibiu que o "Tubby", fosse disponibilizado no Brasil.

O app que, em inglês significa 'bolinha', era acompanhado do slogan "sua vez de descobrir se ela é boa de cama" e serviria para que os homens avaliassem o comportamento e o desempenho sexual de mulheres. A versão masculina do Lulu, que tem a mesma finalidade, porém direcionado exclusivamente à elas.

A liminar é da 15ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Minas Gerais, concedida pelo juiz Rinaldo Kennedy Silva, titular da Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher, que aceitou o pedido de medida cautelar feito no dia 3, por coletivos femininos como a Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Mulheres em Luta, Marcha das Vadias, entre outros.

Na ação, os grupos se basearam na Lei Maria da Penha argumentando que o aplicativo promovia a violência contra a mulher.

O juiz disse haver “plausibilidade jurídica na tese exposta” pelo coletivo, ”uma vez que a requerente pretende a defesa dos interesses difusos das mulheres”. “Há também fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, uma vez que depois de ofendida a honra de uma mulher por intermédio do mencionado aplicativo, não haverá como repará-la”, escreveu o juiz Kennedy.

A decisão ainda proíbe o Facebook, a equipe do próprio “Tubby”, e as lojas de aplicativos do Google (Google Play) e da Apple (App Store) de permitir a veiculação do aplicativo, sob a pena de multa diária de R$ 10 mil, em caso de descumprimento.

O Tubby deveria ter entrado no ar nesta quarta, mas o lançamento havia sido adiado para hoje porque, segundo os criadores da “revanche”, que só podiam ser brasileiros, foram tantos acessos já no dia do anúncio nas redes sociais, que foi preciso melhorar o suporte técnico e a estrutura do servidor.

Outro problema foi o suposto uso dos dados para outros fins a não ser do Tubby, o que provocou vários descadastramentos do aplicativo. 


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