Ninguém segura a Edna, que fez 90 metros de rapel aos 80 anos
Aventureira encarou o desafio ao lado do neto; o local abriga a maior descida por corda em plataforma do país
“Era um sonho. Realmente um sonho.” Edna Joana Duarte Slavec, de 80 anos, não faz muita cerimônia pra contar o que viveu no último fim de semana. Depois de anos indo até a Boca da Onça, em Bodoquena, ela finalmente fez o que faltava: desceu o rapel de 90 metros, considerado o maior de plataforma do Brasil. E sem medo. “Não fiquei com medo, nem um pingo”, diz.
Edna trabalha há 25 anos com turismo e sempre teve uma relação próxima com os destinos de Mato Grosso do Sul. “Sempre gostei de aventuras e coisas diferentes. Trabalho com a Fundação há 25 anos, fiz especialização em turismo. Conheço bastante o Estado.”

Ela já tinha ido várias vezes à Boca da Onça, mas nunca conseguia fazer o rapel. “Eu já fui na cachoeira inúmeras vezes e nunca conseguia, porque tinha que fazer em dupla. Não tinha ninguém pra fazer comigo.”
Até que comentou com a família que ainda queria realizar dois sonhos. “Eu disse que só faltavam duas coisas na vida: ir a Dubai e fazer o rapel lá.”
A viagem internacional chegou a ser marcada, mas foi adiada. “No dia que eu estava indo pra Dubai, começou a guerra.” O convite veio de casa e o rapel acabou acontecendo de outro jeito. O neto, Mateus Slavec Estevão, de 30 anos, chamou. “Meu neto me chamou, disse que ia no domingo e que faria o rapel comigo.”
Ele topou na hora e ela também. “Ele gosta muito de aventura, puxou pra mim. Gosta de mata, natureza, paisagem.”
O passeio não foi leve. Além do rapel, eles fizeram toda a trilha da Boca da Onça, com cerca de 4,5 km e centenas de degraus. “Fizemos a trilha toda, de duas a três horas. Muito divertido. O guia é realmente incrível, eles são profissionais, instruídos. Eu viajo bastante e sei.”
No momento da descida, ela decidiu ir no próprio ritmo. “A gente que decide a rapidez. Fui bem devagar. O Matheus me falando pra olhar a paisagem.” Lá embaixo, a recepção. “A hora que desci, todo mundo me esperando. Foi muito legal. Todo mundo vinha falar comigo.”
Ela ganhou até apelido. “Ficaram me chamando de ‘vovó do rapel’.” Edna sempre teve perfil ativo. “Na juventude eu adorava pedalar, andar a cavalo. Comecei a dirigir muito cedo. Nada tão radical”, diz. Hoje, continua se movimentando. “Eu gosto de nadar, mergulho.”
E também não se joga sem pensar. “Tenho algumas precauções. Lá é seguro, sabia que tinha fiscalização, que trocam os aparelhos anualmente.” A rotina seguiu normal. “Fiz isso no domingo e na segunda fui trabalhar.”
Depois da experiência, ela resume do jeito dela. “Foi inacreditável, inesquecível. Agora posso morrer. Tenho quatro netos, dois bisnetos, dois filhos”, brinca. Para o neto, a cena ficou marcada. “Ah, é uma inspiração pra mim. Se eu chegar na idade dela com essa mesma disposição, já me sentirei um vencedor”, diz Mateus.
E Dubai segue na lista. O outro sonho ainda está em aberto. “A viagem está toda paga pra Dubai, mas tem que esperar a guerra acabar.” O plano já está pronto. “Ia visitar o prédio mais alto do mundo, as mesquitas, ficar 12 dias.”
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