Bate-boca interrompeu consulta pública sobre criação de refúgio em Bodoquena
Vídeo registra momento de gritos durante discussão sobre unidade de conservação
RESUMO
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Professora de 30 anos afirma ter sido intimidada durante manifestação de produtores rurais que impediu consulta pública sobre criação do Revis Delta do Salobra, em Bodoquena. Taynara Martins relatou clima de tensão e disse ter sido cercada por manifestantes aos gritos de "fora". Ela precisou ser retirada por servidores do ICMBio. O instituto lamentou o adiamento e afirmou que participantes tiveram o direito à participação comprometido.
A professora Taynara Martins de Moraes, de 30 anos, afirma ter sido intimidada durante a manifestação de produtores rurais que impediu a realização da consulta pública sobre a criação do Revis (Refúgio de Vida Silvestre) Delta do Salobra, em Bodoquena. As imagens mostram o momento em que ela é cercada por manifestantes que gritavam "fora" durante o bate-boca.
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Nascida em Miranda e com familiares na região, Taynara participou do encontro promovido pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e descreveu um ambiente de tensão desde sua chegada ao auditório da Prefeitura Municipal. “Quando cheguei, por volta das 14h, já havia gritaria. O grupo contrário à proposta ocupava o espaço onde seriam feitas as apresentações e não permitia que a audiência começasse”, relatou.
Segundo a professora, os manifestantes concentraram o uso do microfone e argumentavam que a criação da unidade de conservação poderia trazer prejuízos econômicos aos proprietários rurais da região. Ela afirma que decidiu se manifestar ao perceber que não havia espaço para opiniões favoráveis à proposta.
“Perguntei se eles deixariam outras pessoas falarem ou se só poderia se manifestar quem dissesse o que eles queriam ouvir. Foi quando começaram os gritos de ‘fora, fora, fora’. Houve incitação à violência e o clima ficou muito tenso”, disse.
Taynara conta que precisou ser retirada do local por servidores do ICMBio após o início do bate-boca. Na avaliação dela, a intervenção evitou que a situação evoluísse para algo mais grave. “Acho que poderia ter acontecido algo pior. Eles foram me fechando, foram me cercando e gritando. No calor do momento, as pessoas deixam de raciocinar. Foi importante quando uma servidora me tirou dali”, afirmou.
A professora também criticou a atuação das forças de segurança durante a confusão. Segundo ela, os policiais presentes não adotaram medidas para garantir a realização da consulta pública nem para conter os manifestantes que impediam o andamento da reunião. “Vi pessoas gritando, vaiando servidores e brigadistas do ICMBio, mas não houve nenhuma ação para restabelecer a ordem. Enquanto isso, pessoas favoráveis à criação do refúgio eram observadas de perto”, declarou.
Para Taynara, o cancelamento da consulta pública representou uma perda para o debate democrático. “A audiência pública era um espaço para ouvir, perguntar e debater. Impedir que ela acontecesse foi impedir o exercício de um direito da população”, afirmou.
Ontem, o presidente do Sindicato Rural de Bodoquena e Miranda, Adauto Rodrigues de Oliveira, rebateu as críticas e afirmou que a mobilização ocorreu de forma espontânea e dentro da legalidade.
Em nota, o ICMBio lamentou o adiamento da consulta pública e afirmou que participantes tiveram o direito à participação comprometido diante do clima de intimidação registrado no local. Segundo o instituto, a consulta pública é uma etapa prevista em lei para que a população conheça os estudos técnicos, tire dúvidas e apresente sugestões sobre a proposta de criação da unidade de conservação.
A Polícia Militar, responsável pelo apoio à manutenção da ordem pública, informou que não havia condições adequadas para garantir a segurança dos participantes e dos representantes das instituições envolvidas devido à quantidade de pessoas presentes e à dificuldade de controle do fluxo no local.
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