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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

25/08/2012 07:15

Candidato do PSOL sugere que trânsito seja cuidado por 3 secretarias

Nadyenka Castro
  Candidato do PSOL sugere que trânsito seja cuidado por 3 secretarias
Professor Sidney disse que fará de Campo Grande uma cidade mais humana. (Foto: Rodrigo Pazinato)Professor Sidney disse que fará de Campo Grande "uma cidade mais humana". (Foto: Rodrigo Pazinato)

Para melhorar o trânsito, trabalho com três secretarias. Para melhor desempenho do comércio e criar mais vagas no mercado de trabalho, carga tributária mais justa. Para melhores resultados na saúde e na educação, gestão do orçamento.

Essas são algumas das propostas do candidato a prefeito de Campo Grande pelo Psol, Sidelvar Aparecido de Melo, 42 anos, mais conhecido como Sidney Melo, em resposta às perguntas das entidades representantes da sociedade, na segunda série de entrevistas com os candidatos feita pelo Campo Grande News

Ele é professor de séries do Ensino Fundamental e Ensino Médio na rede particular de ensino e pela primeira vez disputa a chefia da administração municipal. “Quero ser prefeito pelo desejo de uma cidade mais humana”, afirma.

Sidney já foi candidato a vereador em 2000 e ficou como suplente do PMN. Já foi presidente da UCE (União Campo-Grandense de Ensino) e secretário-geral da Comissão de Estudantes pela Cidadania, nas décadas de 90 e 2000.

Confira as perguntas e respostas:

Andréia Castanheira, diretora do Sest/Senat Campo Grande:

Quais são as propostas de melhorias para o desenvolvimento do serviço de segurança no trânsito de Campo Grande?

Sidney Melo- "A cidade cresceu bastante, isso é muito bom, mas o desenvolvimento da nossa malha viária não acompanhou esse crescimento. Uma das primeiras coisas que é importante a gente fazer é um trabalho na transversalidade com três secretarias: de transporte e trânsito, de educação e de saúde. Nós vamos trabalhar com estas secretarias porque as três estão interligadas nos problemas do trânsito.

Vamos observar por exemplo a questão da conservação dessas vias. Nós temos um asfalto extremamente deficiente em Campo Grande. Não é crítica pela crítica. É crítica comparada a outras cidades que suportam grandes cargas e que quando chove, o asfalto não derrete, como o nosso.

Nós temos que rever nosso padrão de asfaltamento, propor vias rápidas.

Outro detalhe bastante importante é a Onda Verde, que foi tão prometida ao longo destas duas últimas gestões e não aconteceu.

Leonardo Duarte, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, subseção de Mato Grosso do Sul:

O que o candidato se eleito vai fazer para melhorar o sistema de transporte público urbano de Campo Grande?

Sidney Melo: "Transporte coletivo é outro gargalo da nossa cidade justamente por causa desse crescimento demográfico também. Mas, muito mais, pelo descaso com que se trata o transporte público. Se a gente for avaliar, muitas vezes, todos esses problemas estão ligados a uma coisa muito básica: a falta de experiência no uso dele.

Os nossos gestores não usam transporte público a não ser para inaugurar uma nova linha, um novo terminal, uma nova frota. Então não vai saber da nossa realidade. Nós temos em Campo Grande um problema muito sério que começa com a falta de atendimento ao usuário do transporte coletivo.

Quando ele sai de sua casa e vai para o ponto de ônibus, ele já está exposto ao sol, exposto à chuva. Na grande maioria dos casos, se não for pela iniciativa privada ele não tem uma proteção para que fique seguro enquanto o ônibus não passa.

É muito rápido o trânsito entre os terminais, mas dos bairros para os terminais é bastante demorado. Nós temos que reestudar essa situação do transporte coletivo dentro dos bairros; a sua frequência, não só de terminal a terminal, mas de bairro até terminal. São nos bairros que as pessoas moram e isso é questão de administração.

Ainda no transporte público, essa tarifa muito cara, sob o argumento de que ela é alta mas dentro de uma hora o cidadão usa só um passe. Em uma hora, se você prestar atenção, da hora que passa o cartão, você gasta 20 minutos dentro do ônibus, mais 20 minutos para fazer alguma coisa, ou seja, você não usa duas vezes.

É uma tarifa muito alta, com uma planilha de custo do transporte coletivo que quando se apresentou ninguém entendeu, nem mesmo quem estava apresentando a planilha. Nós queremos democratizar o acesso à planilha e vamos reduzir a tarifa do transporte público em Campo Grande baseado em dados estatísticos."

Omar Aukar, presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande:

O que será feito para reduzir a carga tributária e aumentar a geração de emprego e renda na Capital?

Sidney Melo-"Reduzir a carga tributária com isenção de impostos para novos negócios é uma marca de várias gestões que já passaram por aqui e de grandes empresas que se instalaram e fecharam, então nós vimos que isso não dá muito certo. Isso não quer dizer que vamos continuar praticando esse terrorismo fiscal atual, essa cobrança de impostos tão alta.

Queremos ver isso junto com a classe patronal, no sentido de que a gente transforme o investimento do imposto em geração de vagas no mercado de trabalho.

Nós temos um problema em Campo Grande que não é a falta de vagas. Muitas vezes é a falta de mão de obra qualificada. Os cursos profissionalizantes estão demorando demais para chegar aqui, são sazonais. Nós vamos fazer isso ser cotidiano na educação de Campo Grande, preparando o trabalhador para que a gente possa aproveitar na mão de obra aqui. E a partir do momento que a gente qualifica essa mão de obra aqui, essa vaga de trabalho que está ociosa, esperando o trabalhador, ela se preenche.

E com isso se produz mais, gera mais recursos, tem mais um trabalhador empregado, mais gente fazendo compra, aumenta o volume de captação e tributos do município, é tudo interligado.

Vamos ter sim isenções fiscais pontuais na nossa administração, sobretudo para as empresas que atendam ao primeiro emprego, dão emprego também para faixa etária dos 40 até os 55 anos, que está passando por graves problemas.

A empresa que der preferência para este tipo de funcionário – aquele que está começando e aquele que está precisando se colocar no mercado de trabalho –ela vai ter de nossa parte uma redução de impostos interessante".

Geraldo Alves Gonçalves, presidente da ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública):

Qual o compromisso que os candidatos têm com a educação pública de Campo Grande em aplicar a lei federal nº. 11.738/08, no que se refere ao piso salarial para uma jornada de 20 horas e 1/3 da carga horária para planejamento?

Sidney Melo: "Nós estamos acostumados a ver a votação do orçamento ser feita no afogadilho, sem tempo para a população discutir. A educação, a saúde, e todos os outros setores que são problemas na nossa administração, são fruto de uma discussão do orçamento.

Para melhorar e para garantir o pagamento do piso salarial proposto para as 20 horas semanais é necessário que a gente faça com que o orçamento garanta isso. Dinheiro há. Está previsto para o ano que vem gastar dois bilhões e seiscentos milhões de reais. Quanto disso vai para educação? É isso que nós temos que começar a olhar.

Saúde, educação e trânsito, são três setores que precisamos olhar com mais carinho, cuidado. E aí, é dessa maneira que vamos buscar fazer o pagamento em dia e na íntegra do mínimo estabelecido pela lei dos salários dos professores."

Sidney falou de suas propostas de trabalho para a Capital. Sidney falou de suas propostas de trabalho para a Capital.

Jary Castro, presidente do CREA onselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul.

Campo Grande tem registrado nos últimos anos entraves que impactam diretamente em seu desenvolvimento. O alto índice de crescimento urbano, aliado à construção de novos parques residenciais, pavimentação asfáltica e o aumento da frota de veículos, por exemplo, têm provocando obstáculos no desenvolvimento. São questões que demandam além de atenção, muito planejamento e investimentos públicos.

Quais serão as políticas adotadas pelo futuro prefeito em questões como melhoria do transporte coletivo, trânsito, coleta de resíduos sólidos, acessibilidade para pessoas com deficiência, alagamentos em períodos chuvosos, todas essas, questões que envolvem diretamente as Engenharias?

Outro fato que deve ser considerado e que gera grandes questionamentos são os frequentes buracos surgidos em pavimentações asfálticas recém finalizadas. Como serão resolvidos todos esses problemas que afetam diretamente o desenvolvimento urbano e a qualidade de vida dos campo-grandenses?

Sidney Melo:"Pretendemos fazer da nossa gestão aqui em Campo Grande, uma gestão participativa com essas instituições. Nós não vamos ter um secretário de obras, nós vamos ter os engenheiros trabalhando para que nós tenhamos vários secretários de obras e aí vamos contar muito com o Crea para poder fazer isso.

Em virtude das últimas obras de contenção das últimas duas décadas nós já sabemos exatamente o que não fazer. Ou seja, não vamos jogar o dinheiro público dentro dos córregos de Campo Grande em sacos de areia disfarçados de contenção.

O lixo é um outro grande problema. Não era para ser problema, era para ser riqueza. As empresas que temos contratato para fazer, elas não têm muitas vezes resíduos sólidos incluídos no seu trabalho.

Nós vamos desenvolver a usinagem do lixo e separar através da reciclagem as suas características: o que é sólido, o que é reciclável. Vamos fazer da coleta seletiva um trabalho preventivo para poder transformar esse lixo em matéria prima de outros produtos para gerar mais riqueza para o município. O lixo não vai mais ser problema, ele vai se transformar em benefício, em lucro para a cidade.

Nós vamos fazer cumprir a lei. Não há o que se inventar. Tem uma lei de acessibilidade que não é cumprida em Campo Grande. Em alguns momentos tenta se fazer cumprir com ônus para o contribuinte. Ele já paga imposto, IPTU, ISS e tantos outros e aí ele tem que adequar calçadas e tirar do próprio bolso.

Vamos trabalhar o desenvolvimento urbano e trabalhar em três viés: o homem, o cidadão, o transporte e as vias na sequência. Melhorar as vias, acabar com os vazios urbanos e aí ter a clareza que precisamos construir respeitando o ambiente. Não é o rio que tem que mudar de lugar, é a cidade que tem que saber onde se instala e isso nós vamos respeitar com muito cuidado."

Marco Antônio Leite, presidente do Sindicato dos Médicos:

Qual a proposta que o candidato apresenta para resolver problemas como: a falta de médicos na rede pública do Município; a demora de se conseguir marcação de consultas e de exames na rede básica de saúde municipal; a falta de um planto de cargos e carreiros e salários no setor e a reivindicação do pagamento do adicional de insalubridade aos servidores da saúde?

Sidney Melo: "Os servidores da saúde não estão sendo atraídos pelo setor público. Os médicos muitas vezes vão para fora porque aqui não é atraente: a carga horária e o salário. Aí vão dizer, você vai fazer uma fábrica de dinheiro? Uma Casa da Moeda aqui em Campo Grande? Não, nós vamos trabalhar o orçamento. Nós temos dinheiro para melhorar o investimento na saúde e o principal investimento em saúde é no servidor.

Se eu não tiver um servidor bem remunerado; e aí eu estou falando do médico, do enfermeiro, do atendente, do assistente social, se eu não tiver essa classe bem remunerada, eu não tenho saúde de qualidade na ponta. Postos de saúde, obras físicas, têm muitas. Mas qual a lógica de existir posto de saúde sem médico, bem como uma escola sem professor? Não existe lógica nisso.

Para resolver esse gargalo que é a saúde, a falta de atendimento hoje não é fazer com que ele [servidor] trabalhe mais, ou que ele cubra plantões para poder ter salário decente. Ninguém faz plantão, trabalha o dobro do que deveria só porque gosta da profissão, é para se sustentar. Agora, quando você paga um salário decente, você vai ter mais profissionais trabalhando, os plantões diminuem e para fazer isso não tem segredo. Quem fala que não tem dinheiro é mentira.

A gestão tem sido o problema na área de saúde. Se eu estiver enganado em relação a isso, e se alguém acha que estou, olha a situação da Santa Casa. A partir do momento que passou a ser gestionada pelo poder público municipal, a dívida dela triplicou e o atendimento diminui. Então, nós temos um problema de gestão e vamos resolver ouvindo a classe médica, porque nós sabemos que eles trabalham.

O problema aqui é: como que atrai mais servidor para dentro do posto de saúde. De que forma a gente faz isso? Bom salário? Boa carga horária? Vamos trabalhar para ter isto.

Vamos discutir com a classe médica e entender de que maneira a gente pode tornar viável o que eles entendem como necessário para o plano de cargos e carreiras. Democratizar a gestão pública, democratizar a prefeitura, é uma forma de fazer resolver os problemas.

O Psol vai humanizar as relações, como eu já disse, e democratizar a relação do poder público com o povo. E para tratar com o povo, tem que tratar com as instituições confiadas deste povo. Com a Ordem dos Advogados do Brasil, com o Conselho Regional de Engenharia, com Conselho Regional de Medicina, com a Associação Campo-Grandense de Ensino, com a Federação dos Trabalhadores em Educação, enfim, com todos aqueles que representam os trabalhadores."

É a primeira vez que ele disputa a chefia municipal. É a primeira vez que ele disputa a chefia municipal.

Ricardo Senna, vice-presidente do Corecon (Conselho Regional de Economia).

Os negócios que têm criado valor e gerado riqueza nos últimos anos estão relacionados aos serviços, à cultura, ao meio ambiente, à inovação e ao uso intenso da tecnologia. Em razão disso, precisamos de uma nova forma de ver a educação, a qualificação para o trabalho, a saúde da população, dentre outros. Se essa tendência continuar nos próximos anos ficaremos atrasados econômica e socialmente. Como o senhor trata do desenvolvimento de Campo Grande em seu plano de governo?

Sidney Melo: Não adianta se vangloriar, com várias unidades educacionais no município, ganhando prêmios nacionais, feitos com índices que nós produzimos, que não são reais. Os índices de aprovação muitas vezes são forçados. Nós temos aí alunos do nono ano da rede municipal que não sabem ler e escrever corretamente. Mas estamos ganhando prêmio, estamos batendo palmas. E isso está errado.

Temos que ter qualidade na educação. Para ter qualidade na educação e formar, conseguir qualificar esse jovem para o mercado de trabalho, para o mercado das tecnologias, que têm crescido muito, nós vamos ter que ocupar espaços ociosos.

Quantas escolas municipais nós temos e que usam seu espaço noturno, por exemplo, para qualificar o trabalhador? Nenhuma. Nós vamos começar abrir esses espaços das unidades educacionais para cursos de qualificação em parceria com as instituições representativas da classe trabalhadora.

Qualificando gente para a construção civil, para tecnologia, para mão de obra da saúde, para mão de obra de todos os setores da cidade.

Tem vários projetos que esses alunos fazem, desenvolvem, usando essas tecnologias, e que só não são aplicados por falta de iniciativa dos poderes públicos. É claro, precisa de um técnico para dar uma avaliada, uma melhorada, mas a ideia inicial está pronta.

Então, o que é isso, é qualificar a mão de obra, fazer ele estar pronto para o mercado de trabalho; este mercado de trabalho dois ponto zero. Não dá para gente ficar esperando que eles [jovens] aprendam tudo sozinho.

O desenvolvimento que precisamos para essa área vai ser conseguido usando os espaços ociosos. Tem professores contratados, esses professores bem remunerados, recebendo também para fazer esse trabalho de adequação, não só nas salas de informática, como temos na rede municipal: leva os alunos para lá, dá uma aula de como usar o Google, aí dá uma outra aula de como usar o Power Point. Ele sai, ele esquece isso.

Nós temos que começar a ter aulas de tecnologia, de processamento de dados, na grade de ensino. Tendo isso, nós vamos estudar como se estuda matemática, história, geografia."



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