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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

13/10/2015 16:08

Com 2ª chance na prefeitura, Bernal reduz apoio e fica sem líder na Câmara

Antonio Marques
Prefeito revive crise política que enfrentou antes da cassação (Foto: Marcos Ermínio)Prefeito revive crise política que enfrentou antes da cassação (Foto: Marcos Ermínio)

Sem líder e base definida na Câmara Municipal, o prefeito Alcides Bernal (PP) pode enfrentar dificuldades na relação com o Poder Legislativo para aprovação dos projetos de lei que são enviados à Casa. Em relação à "primeira gestão", antes da cassação, quando tinha seis vereadores, ele conseguiu encolher a base de apoio no legislativo. 

O primeiro projeto em regime de urgência, que chegou na última sexta-feira, é o que autoriza o Executivo a ter acesso aos dos depósitos judiciários, que prevê recursos extras para a prefeitura cumprir alguns compromissos.

Na primeira parte do mandato, Bernal conseguiu manter em sua base seis vereadores, três do Partido dos Trabalhadores, Marcos Alex, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, e Airton Araújo; Paulo Pedra (PDT); Luiza Ribeiro (PPS); e Derly dos Reis de Oliveira, o Cazuza (PP). Foram apenas esses que votaram contra sua cassação em março de 2014. Na época seu líder era Marcos Alex, do PT.

Ele havia perdido o apoio do correligionário Waldecy Batista Nunes, o Chocolate, que recentemente se filiou ao PTB e o engenheiro Edson Shimabukuro (PTB), ambos foram a favor da cassação e estão sendo investigados pelo MPE (Ministério Público Estadual) na operação Coffee Break, que apura a possível compra dos parlamentares para cassar o prefeito Alcides Bernal.

Ao voltar ao cargo no dia 27 de agosto, Bernal havia ampliado a base de apoio para oito vereadores, com o ingresso do parlamentar Roberto Santana dos Santos, o Betinho (PRB), considerando que, além dos seis no mandato anterior, havia o apoio de seu ex-secretário de Educação, José Chadid (sem partido), que deixou o PSDB para continuar na secretaria de Educação, de Bernal.

No entanto, ao completar seu primeiro mês da volta ao cargo, ao em vez de ampliar, Bernal conseguiu reduzir a base de apoio, com a declaração de independência dos três vereadores do PT, que não chegaram a um acordo para o partido fazer parte da administração municipal, como aconteceu na primeira parte do mandato. “Não solicitamos nada a mais que o espaço que ocupávamos anteriormente”, declarou Alex do PT na ocasião da publicação da nota da legenda sobre a decisão de manter-se independente.

Neste período em que voltou para a prefeitura, Bernal levou o vereador Paulo Pedra para ser seu secretário de Governo e, em seu lugar na Câmara Municipal, assumiu o suplente Eduardo Cury (PTdoB), ferrenho adversário na primeira parte do mandato, que agora estaria na base de apoio do prefeito. “Sou da base de Campo Grande. Na situação atual, não teria como não dar apoio ao Bernal. Não vejo motivos para votar contra”, declarou Cury, observando que os projetos que forem favoráveis ao município vão ter seu aval.

Tormentas - Mesmo com todas as tormentas na Câmara Municipal depois da deflagração da operação Coffee Break, é difícil encontrar um parlamentar que declare abertamente ser oposição ao prefeito. O discurso da grande maioria é que vão votar nos projetos que beneficiam à população. O bloco dos independentes é o maior na Casa.

Porém, tem vereador que revela a existência de um bloco do “quanto pior melhor”, o que não é admitido por nenhum deles à imprensa. A razão desse grupo seria o fato de o prefeito também torcer pelo afastamento daqueles vereadores que votaram em favor de sua cassação. Mesmo Bernal, em seu primeiro discurso aos vereadores ter dito que havia “quebrado os retrovisores”, dando o entendimento de que o passado deveria ficar esquecido, nos últimos dias os vereadores perceberam que tudo aquilo teria sido apenas palavras ao vento.

Até o ex-líder Marcos Alex passou a ocupar a tribuna para cobrar e criticar alguns posicionamentos do prefeito, como uma resposta imediata para a questão do contrato com a empresa CG Solurb, responsável pela limpeza e coleta do lixo na Capital, que promoveu duas greves dos trabalhadores em menos de dois meses. Outra cobrança foi a abertura do diálogo com a liderança dos professores que realizaram a maior paralisação da categoria em Campo Grande.

Para Marcos Alex, suas cobranças não significam que ele está na oposição ao prefeito ou está querendo algum cargo, “mas é uma forma de contribuir com a gestão.” Segundo ele, Bernal deve formar logo uma base política na Casa e apontar seu líder para construir uma relação republicana com a Câmara Municipal. “Não vamos aceitar o envio de projetos em regime de urgência à Casa com aprovação em 24 horas. Se projeto capa verde andar aqui vai ser considerada uma relação promíscua entre os dois poderes e deve ser combatida”, alertou o ex-líder.

Alex revela que o período de aproximação com seu partido está se perdendo e chegou a dizer que o prefeito estaria aguardando o desfecho na justiça em relação aos vereadores investigados para tomar alguma decisão em relação a formação de base razoável na Casa. “Ele parece aguardar um resultado desfavorável aos vereadores”, comentou. Mesmo comentário foi feito por Vanderlei Pinheiro de Lima, o Delei Pinheiro (PSD).

Líder - Conforme Delei Pinheiro, a maior dificuldade do prefeito, se permanecer sem líder na Casa, vai ser a tramitação dos projetos de urgência. O líder tem a tarefa de agilizar os projetos de interesse do Executivo na Câmara.
O primeiro projeto em regime de urgência encaminhado pelo prefeito chegou na sexta-feira, 9, e está nas mãos da presidente da Comissão Permanente de Finanças e Orçamentos, Carla Stephanini (PMDB), que disse hoje que o mesmo seria analisado seguindo os critérios da Casa, passando, primeiro pelas comissões para depois ser votado no Plenário.

O projeto prevê autorização dos vereadores para que a prefeitura possa utilizar os recursos relativos a depósitos judiciários administrados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que seriam usados para pagamentos de precatórios, dentre outras possibilidades emergenciais, como assegurar a verba da previdência dos funcionários públicos. Stephanini não quis precisar o prazo para votação em Plenário.

No entanto, na gestão anterior, de Gilmar Olarte (PP), os vereadores analisavam projetos em regime de urgência no próprio Plenário, com aval dos membros das comissões permanentes na hora. A Mesa Diretora chegava a aguardar a rápida reunião de minutos de cada Comissão para aprovar os assuntos importantes para o Executivo.

Carla Stephanini disse que, mesmo independente, vai continuar votando nos projetos em favor da cidade. Mesmo discurso da colega Magali Picarelli (PMDB), que revelou ter bom relacionamento institucional com o prefeito. Até os vereadores Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), Chiquinho Teles (PSD) e Chocolate declaram que não vão fazer obstrução aos projetos do Executivo, que forem bons para o município. “Vou votar para ajudar o Bernal, no que for melhor para o povo”, afirmou Carlão.



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