Entre propostas e ataques, Catan quer fila única na saúde e autonomia escolar
Candidato do Novo é conhecido por endurecer críticas ao governo na Assembleia Legislativa

Candidato do Novo ao Governo de Mato Grosso do Sul, João Henrique Catan defendeu a criação de uma fila digital única para a saúde pública, a equiparação salarial entre professores efetivos e convocados e maior autonomia financeira para as escolas. As propostas apareceram na segunda metade da entrevista ao Campo Grande News, após uma longa sequência de críticas ao atual governo e à condução política do Estado.
RESUMO
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João Henrique Catan, candidato do Partido Novo ao governo de Mato Grosso do Sul, propõe fila digital única para a saúde pública, equiparação salarial entre professores efetivos e convocados e maior autonomia financeira para escolas. Deputado estadual há oito anos, ele também critica o governador Eduardo Riedel sobre incentivos fiscais e transparência nos repasses municipais.
Deputado estadual há oito anos, Catan tem 38 anos e afirma que poderá se tornar o governador mais jovem da história de Mato Grosso do Sul. Casado com Juliana e pai de João Henrique Filho e João Vicente, ele disputa a quinta eleição da carreira. Foram duas derrotas e duas vitórias nas quatro anteriores.
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Ao apresentar seu histórico, o candidato citou a passagem pelas comissões de Finanças e Orçamento e de acompanhamento da execução orçamentária da Assembleia Legislativa. Também lembrou que começou a trabalhar com carteira assinada aos 14 anos, em Campo Grande, foi criado em Paranaíba e estudou Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.
Catan disse que decidiu concorrer ao governo para não permanecer indefinidamente na Assembleia Legislativa e afirmou que deixou o PL para preservar a coerência com os princípios que o levaram à política. Hoje no Novo, ele tenta se apresentar como uma alternativa às forças políticas que comandaram o Estado nos últimos anos.
Alguém tem que surgir, alguém tem que se levantar e não só criticar, mostrar como vai resolver”, declarou.
Na saúde, o candidato prometeu transferir temporariamente o gabinete do governador para hospitais públicos e unidades que atendem pacientes encaminhados pelo Estado. Segundo ele, a presença do chefe do Executivo permitiria acompanhar de perto as filas, a falta de estrutura e a espera por cirurgias.
A principal proposta apresentada foi a criação de uma tabela estadual do SUS (Sistema Único de Saúde). O modelo serviria para complementar os valores pagos pelos procedimentos e, segundo Catan, dar previsibilidade financeira aos hospitais e permitir a manutenção de profissionais no interior.
Ele também defendeu uma fila digital única, pública, transparente e auditável para consultas, exames e cirurgias. A intenção, afirmou, é impedir favorecimentos e eliminar a necessidade de pacientes recorrerem a vereadores, deputados ou assessores políticos para tentar antecipar o atendimento.
“Nós vamos criar uma fila digital única, pública, transparente e auditável, para que as pessoas não precisem pedir para vereador, deputado estadual ou assessor para passar na frente de outra”, disse.
Catan argumentou ainda que os repasses estaduais precisam ser distribuídos de forma mais equilibrada entre hospitais públicos e filantrópicos. Durante a entrevista, comparou valores destinados ao Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, à Santa Casa de Campo Grande e a unidades administradas por organizações sociais.
Na educação, o candidato prometeu trabalhar pela equiparação salarial entre professores efetivos e convocados. Para ele, profissionais que desempenham a mesma função não deveriam receber remunerações diferentes devido ao tipo de vínculo com o Estado.
O plano também inclui a ampliação das escolas cívico-militares e a implantação das chamadas escolas charter. Nesse modelo, associações, entidades filantrópicas, pais e integrantes da comunidade escolar participariam da administração do orçamento de cada unidade.
Segundo Catan, a própria escola poderia decidir se os recursos seriam usados em reforço de matemática, química, computação, contratação de especialistas ou outras demandas locais. “Nós temos que pegar o que tem dado certo nas escolas charter, nas escolas militares e nas escolas particulares e levar para a escola pública”, afirmou.
Para a segurança pública, ele propôs valorização salarial, aumento do efetivo, investimentos em tecnologia e melhoria da estrutura das polícias. O candidato relacionou as condições de trabalho à capacidade de enfrentamento ao crime organizado e criticou os valores pagos em benefícios aos servidores da área.

Questionado sobre os feminicídios, Catan defendeu que o Estado amplie o acolhimento às mulheres que dependem financeiramente dos agressores. Segundo ele, a concessão de uma medida protetiva pode ser insuficiente quando a vítima não tem renda, moradia ou condições de sustentar os filhos.
“Falta acolhimento, falta prevenção e falta entendimento”, resumiu. Para o candidato, o governo precisa identificar os locais com maior incidência de violência, promover campanhas direcionadas e agir antes que as agressões avancem até o assassinato.
Catan também criticou ações restritas a datas simbólicas, como o Agosto Lilás, e afirmou que o enfrentamento à violência exige apoio social, psicológico e financeiro às vítimas, além da punição efetiva dos agressores.
Críticas ao governo - Embora tenha apresentado propostas para saúde, educação e segurança, Catan dedicou boa parte da entrevista a ataques ao governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição. O deputado questionou a política de incentivos fiscais, a divisão do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) com os municípios e a fiscalização exercida pela Assembleia Legislativa.
Ele afirmou que a renúncia fiscal do Estado teria chegado a R$ 11 bilhões e argumentou que parte desse valor deixaria de integrar os repasses aos municípios. Também acusou o governo de não dar transparência aos beneficiários dos incentivos.
O candidato ainda acusou a Assembleia Legislativa de não fiscalizar adequadamente o Executivo. “A Assembleia não discute nada relevante”, afirmou, ao comparar o volume das emendas parlamentares com os valores envolvidos nos benefícios fiscais.
Outro alvo foi a distribuição das verbas estaduais de publicidade. Catan prometeu adotar critérios proporcionais de audiência para definir os pagamentos aos veículos de comunicação. Segundo ele, o modelo evitaria que empresas com alcance menor recebessem valores superiores aos destinados a veículos com audiência maior.
Apesar do tom predominantemente crítico, Catan afirmou que pretende usar a campanha para demonstrar que possui alternativas ao atual modelo de administração. “Eu cansei do mais do mesmo. Também sou eleitor. Olhei para esse cenário e falei: não é possível deixar isso”, concluiu.

