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Capital

Defesa tenta barrar carta e reduzir acusação em júri de assassino de mãe e filha

João Augusto Borges está sendo julgado hoje pela morte da mulher, Vanessa e da filha, Sophie

Por Silvia Frias e Gabi Cenciarelli | 27/05/2026 08:27


RESUMO

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João Augusto Borges, 22 anos, é julgado pelo duplo feminicídio da esposa Vanessa Eugênio Medeiros e da filha Sophie, de 10 meses, carbonizadas e jogadas no Indubrasil em Campo Grande. A defesa busca adequar a acusação à conduta do réu, sem negar o crime. O julgamento ocorre um ano e um dia após sua prisão, quando tentava registrar o desaparecimento das vítimas.


Um ano e um dia depois de cometer duplo feminicídio, João Augusto Borges, 22 anos, será julgado pelo crime que causou comoção em Campo Grande: ele matou a mulher, Vanessa Eugênio Medeiros e a filha, Sophie Eugênia Borges, carbonizou os corpos e os jogou na região do Indubrasil.

João Augusto chegou por volta das 7h50 para a sessão de julgamento no 2º Tribunal do Júri, em Campo Grande. Os pais do rapaz acompanham o julgamento. Familiares de Vanessa estão no local e usavam camisa com o rosto das vítimas, mas tiveram que virar a peça do avesso para poderem entrar no local, já que foi proibido qualquer tipo de manifestação. O réu entrou de cabeça baixa e assim permanece.

Antes do início da sessão, o advogado Renato Franco, que faz a defesa do réu, disse que afirmou que a estratégia no julgamento será tentar adequar a acusação à conduta praticada pelo réu, buscando uma pena que, segundo ele, seja proporcional ao crime. O advogado disse que a defesa não pretende negar que a ação de João resultou nas mortes de Vanessa e da criança Sophie, mas sustentará que há “excessos acusatórios” na denúncia e na pronúncia.

“Nossa linha defensiva é fazer com que a conduta seja adequada à norma correspondente”, afirmou. Segundo o advogado, a análise da defesa é que parte das acusações vai além do que deveria ser atribuído ao réu. A intenção, conforme Franco, é “retirar o que está além para que ele receba, portanto, uma pena correspondente ao fato”.


Franco também disse que não fará uma defesa baseada na negação do crime. “Não fazemos a defesa do impossível. A conduta dele resultou na morte de duas pessoas. A Vanessa e uma criança de tenra idade. Essa conduta deve ser submetida ao julgamento”, declarou. “Hoje nós vamos fazer o possível para que seja condenado na medida da culpabilidade dele.”

Sobre o fato de João Augusto ter dito que “dormiu melhor porque tinha se livrado de problema”, não mostrando arrependimento pelo crime, o advogado desqualificou a fala, alegando que não há como se levar em conta algumas falas ditas em momento de descarga emocional, em que seria difícil esperar uma reação racional.

Carta – Logo no início da sessão, a defesa fez requerimento para que o juiz Aluizio Pereira dos Santos retirasse a carta que dá voz a Sophie, como se tivesse sido escrita pela criança e endereçada ao pai.

Também foi pedido que ele fosse avaliado por psiquiatra, exame que foi indeferido durante o processo.

A promotora Luciana do Amaral Rabelo não se opôs, mas afirmou que não foi constatado traço de insanidade do réu. “Ele consegue contar como foi o crime, o que ele fez antes e depois, ele teve o direito de se defender. Não se deslumbrou pelo delegado, pelos profissionais do Ministério Público, ninguém vislumbrou nenhum problema na rigidez mental, mas, apesar disso, eu não vejo problema em fazer esse exame. O Ministério Público não se opõe, mas reitera que não teve nenhum indício e pede que o caso seja julgado ainda este ano”.

Defesa tenta barrar carta e reduzir acusação em júri de assassino de mãe e filha
Advogado Renato Franco diz que linha da defesa é buscar pena condizente com crime (Foto: Osmar Veiga)

Crime - Vanessa, então com 23 anos, e a filha Sophie, de 10 meses, foram mortas no dia 26 de maio de 2025, durante o horário de almoço de João.

Ele relatou ao delegado que deu um golpe mata-leão na jovem e depois esganou a bebê que estava na cama do casal. Em seguida, arrastou os corpos até o banheiro e voltou ao trabalho. Mais tarde, por volta das 20h, pegou os corpos na residência e colocou no porta-malas do carro, posicionando Vanessa e Sophie como se estivessem “abraçadas”.

João andou com as vítimas no veículo até chegar na área de mata no Indubrasil. No local, pegou Vanessa no colo e andou por cinco metros para colocá-la no chão. Em seguida, pegou o corpo da bebê e colocou sobre o peito da mãe, cobriu os dois cadáveres com uma coberta e então ateou fogo. As vítimas foram encontradas durante a madrugada por vigilante que acionou a PM (Polícia Militar).

João foi preso horas depois enquanto tentava registrar boletim de ocorrência do desaparecimento das vítimas. Em depoimento, ele afirmou que odiava a bebê desde os 2 meses e que não sentia arrependimento ou remorso pelo crime.

Defesa tenta barrar carta e reduzir acusação em júri de assassino de mãe e filha
João Augusto se mantém de cabeça baixa durante o júri (Foto: Osmar Veiga)


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