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Capital

Ex-pastor reata com vítima de violência doméstica e é libertado pela Justiça

Jesus Gorgs, preso em 12 de março após filmar atos violentos, estava sendo monitorado eletronicamente desde 24 de março

Por Marta Ferreira e Viviane Oliveira | 04/06/2020 09:33
O pastor, dentro da viatura, chega algemado à audiência de custódia sobre o caso, em março. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
O pastor, dentro da viatura, chega algemado à audiência de custódia sobre o caso, em março. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

“A família se reuniu”. A frase é do advogado Diego Emerenciano Bringel de Oliveira, contratado pelo ex-pastor Jesus Gorgs, 40 anos, que protagonizou episódio de violência doméstica transmitida na internet, no dia 12 de março deste ano, e acabou preso, no Bairro Giocondo Orsi, em Campo Grande. A vítima era a esposa do agora ex-religioso, de 55 anos.

Com essa resposta, o advogado explicou que a decisão do casal de se reconciliar, tomada há pelo menos um mês, foi um dos motivos usados para convencer a Justiça a revogar a prisão domiciliar de Gorgs, ou seja, colocá-lo em liberdade pelo crime.  Ele estava usando tornozeleira eletrônica, desde 24 de março, e já retirou o equipamento.

Conforme a decisão, Gorgs responderá em liberdade ao processo criminal, com as restrições de não sair a noite, não frequentar bares, não deixar a cidade sem comunicar o Judiciário, além de comparecer a todos os atos do processo.

O defensor diz que o ex-pastor vai retomar, agora, tratamento psicológico e psiquiátrico. De acordo com ele, houve o entendimento familiar de que o ato de violência, “incontestável”, foi motivado por “surtos psicóticos” da parte do agressor.

“O importante para juíza foi que reataram. Não há mais porque continuar com sua liberdade provisória tolhida”, afirmou. Bringel de Oliveira disse ter sido anexada farta documentação ao processo, como receitas médicas, provando o alegado.

 Andamento – O processo corre em sigilo. A informação do advogado é de que já foi apresentada defesa prévia e agora está sendo aguardada a marcação das audiências de instrução, para ouvir acusação e defesa, interrogar o réu e, depois,  vem a fasae das alegações finais das partes.  Concluídos esses passos, sai a sentença de primeiro grau.

Jesus Gorgs foi preso no dia 12 de março em residência no Bairro Giocondo Orsi. Doze dias depois, foi liberado com tornozeleira eletrônica para cumprir prisão domiciliar.

Ele foi denunciado pelos crimes de cárcere privado qualificado, ameaça, lesão corporal dolosa (violência doméstica), registro não autorizado de intimidade sexual e divulgação de cena de estupro ou nudez.

O ex-pastor durante a transmissão ao vivo, segurando uma tesoura com a qual chegou a cortar o cabelo da esposa. (Foto: Reprodução de vídeo)
O ex-pastor durante a transmissão ao vivo, segurando uma tesoura com a qual chegou a cortar o cabelo da esposa. (Foto: Reprodução de vídeo)

Cenas fortes - O pastor deixou a vítima nua e cortou mechas do cabelo dela enquanto transmitiu a cena ao vivo pela internet. O vídeo, repleto de agressões verbais, mostra Jesus Gorgs segurando a tesoura com a qual cortou o cabelo da esposa.

A Polícia Militar foi chamada no fim da manhã do dia 24 de março e por volta das 15h, o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) decidiu invadir o quarto onde Jesus mantinha a mulher refém. Ele foi desarmado e preso.

A vítima foi levada para hospital. Gorgs foi expulso da Assembleia de Deus, em que era pastor.

Ele atua hoje, segundo a defesa como profissional autônomo.